Rua Sorocaba 800, CEP 22271-100, Botafogo, Rio de Janeiro, Brasil.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz 2009 !

Desenho a guache / Luiz Cruz Sacramento

Que O DEUS, tão bem expresso por nosso saudoso Sacramento, desperte no coração de cada um mais amor à natureza, solidariedade e afeto para a harmonia de toda a humanidade, em 2009.

São os votos de Feliz Ano Novo da Casa das Palmeiras
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Noite Feliz


F. Gruber/ J. Mohr, 1818/ vers. Port. P. Sinzig

Noite Feliz, Noite Feliz
Ó Senhor
Deus do amor
Pobrezinho nasceu em Belém
Eis na lapa Jesus nosso bem
Dorme em paz, ó Jesus
Dorme em paz, ó Jesus

Noite Feliz, Noite Feliz
Ó Jesus
Deus da luz
Quão afável é teu coração
Que quisestes nascer nosso irmão
E a nós todos salvar
E a nós todos salvar

Noite feliz, Noite feliz
Eis que no ar vem cantar
Aos pastores Seus anjos no céu
Anunciando a chegada de Deus
De Jesus Salvador
De Jesus Salvador
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terça-feira, 23 de dezembro de 2008

52º Aniversário com Recital de Violão


Hoje, 23 de dezembro de 2008, à tarde, realizamos uma singela homenagem na Casa das Palmeiras, festejando o ininterrupto 52º aniversário de sua fundação.
Em torno de amigos da Casa tivemos um maravilhoso Recital de Violão com o músico Armildo Uzeda executando músicas de Randolph Miguel, J.S.Bach - sonata nº 1, suíte nº 3, Paganini, composições americana e brasileira contemporâneas.
Com alegria comemoramos mais um ano de vida, de realizações dos sonhos traçados por Nise da Silveira.

Como fundamento das atividades da Casa, continuaremos a seguir como cartilha suas obras básicas:
- Terapêutica Ocupacional - Teoria e Prática - Editada pela Casa das Palmeiras (1ª publicação em 1966), 2ª edição s/d.
Nise da Silveira

- Casa das Palmeiras - A Emoção de Lidar - Uma Experiência em Psiquiatria, Editorial Alhambra, RJ, 1986.
Coordenação: Nise da Silveira

- Imagens do Inconsciente, Editorial Alhambra, RJ, 1981.
Nise da Silveira

- O Mundo das Imagens, Editora Ática, SP, 1992.
Nise da Silveira


- Jung Vida e Obra, Editora Paz e Terra S/A, SP, 2003
(1ª edição 1968, José Alvaro, RJ)
Nise da Silveira
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Para a Diretoria atual, não existe “além de Nise”, “métodos após Nise” ou “um passo à frente do que Nise fez”, como pretendem alguns que nem sequer de longe assimilaram a grandeza do que Nise da Silveira deixou como metas e princípios filosóficos a serem seguidos.
Para a Diretoria e Coordenação o que existe é NISE baseada em suas raízes na psicologia de C.G. Jung.

Viva a Casa das Palmeiras! Viva seus 52 anos de liberdade, criatividade e Emoção de Lidar!

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Mensagem


FELIZ NATAL! FELIZ ANO NOVO!
Queridos/as amigos/as, nossos leitores e sócios,

O Natal simboliza o nascimento de Jesus, e o nascimento de cada um de nós para a beleza da Vida, onde todos nós somos amigos/as sem diferença de idade, cultura, religião, condição social ou pátria. Aqui somos todos iguais seguindo com fidelidade o que Dra. Nise da Silveira sempre afirmou e lavrou em Ata em 1995: “que a Casa das Palmeiras continue progredindo sempre de acordo como sua linha inicial de conduta e filosofia além do seu desejo de perenidade da Casa.”
Um antigo cliente lembra com muita propriedade a frase que Dra. Nise costumava dizer enfática e com o dedo em riste para quem ambicionasse em desviar seu modelo de trabalho: “A porta é a serventia da Casa.”
Renovando sempre com muita criatividade, permanecemos fieis à linha inicial de conduta. Dia 23 de dezembro de 1956 foi a sua Fundação, estamos fazendo 52 anos de VIDA em plena atividade, emoção afetuosa e convívio fraterno. O grande sonho de Dra. Nise permanece, com momentos dificílimos e outros que se erguem como a Ave Fênix das cinzas.
Hoje, sexta-feira, dia 19 de dezembro de 2008, festejamos com alegria, originalidade e beleza o Natal aqui na Casa das Palmeiras.
Nosso Presépio de argila com o Menino Jesus expressando o coração expandindo Amor é uma criação nossa, os clientes da Casa, assim como a árvore luminosa e os enfeites coloridos que fizemos, com a ajuda dos nossos queridos colaboradores, estagiários e estagiárias.
Em nossa programação criamos o auto de Natal a partir de uma narrativa imaginária do Pequeno Príncipe. Tivemos poesia, canto, dança, coral, falas e música repleta de alegria fraterna. Presentes singelos foram trocados entre nós com um Feliz Natal!
Tivemos salgados, doces variados e refrigerantes para completar nosso contentamento aqui nesta querida Casa das Palmeiras com a presença de nossos familiares, amigos e antigos estagiários/as.
Com gratidão eterna seguimos a cartilha tradicional da grande Mestra Nise no fio das atividades expressivas.
Aproveitamos para agradecermos, muito e muito, a todos que sempre tem colaborado materialmente para manter este sonho de Nise da Silveira que é a Casa das Palmeiras: uma Casa de criatividade, afetividade, pesquisa e ciência a partir do mundo interno, das imagens que emergem do inconsciente.

Desejamos a todos o mais Feliz Natal e Próspero Ano Novo de 2009
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domingo, 30 de novembro de 2008

Biblioteca

A Casa das Palmeiras possui uma pequena Biblioteca, preciosa e especializada. Sempre frequentada pelos estagiários, colaboradores e clientes da Casa.
São obras de Medicina em sua maioria de Psiquiatria, praticamente toda a obra de Psicologia Analítica de C.G. Jung e Nise da Silveira, assim como muitas obras de Psicanálise como Freud e seus contemporâneos.
Autores modernos na área de conflitos neurológicos e psíquicos são sempre procurados para estudos e pesquisas. Mesmo alguns clientes pedem livros emprestados.
Podem ser encontrados ainda livros de Medicina Geral, Religião, Literatura: brasileira, portuguesa, língua francesa, espanhola e inglesa. Poesia, Filosofia, Artes Plásticas, Cultura geral. Mitologia, Contos de Fada e Historia da Civilização.
A Biblioteca possui livros de referências a Jung e à Nise da Silveira. Cerca de vinte e quatro livros de Jung em língua estrangeira. A Casa segue a linha de pensamento destes dois médicos psiquiatras em particular, entretanto muitos sábios, de outras correntes de pensamento, podem ali ser encontrados.
A Biblioteca possui cerca de 1.400 livros - um mil e quatrocentos. Está localizada no segundo andar da casa; os livros dispostos em sete estantes e uma grande mesa com cadeiras à disposição para se escrever ou trabalhar. Janelas arejando o pequeno espaço proporcionam um agradável local para estudo.
Na Casa podemos, também, encontrar outra pequena sala onde livros e revistas culturais que ficam à disposição como um recanto e local de prazer para a leitura, para escrita ou apenas manusear as revistas.
Uma das clientes da Casa, neste ano de 2008, tem tido sempre interesse em ajudar. Com esforço e dificuldades emocionais não deixa de participar na organização. Demonstra alegria por colaborar, arrumar, ver os livros e opinar. Neste caso, manusear, observar, ler os títulos e cuidar dos livros é em si uma forma terapêutica. O simples fato de se visitar a Biblioteca é um momento saudável e de realização pessoal.
O empréstimo dos livros se faz com anotações em caderno - dia que saem e dia que retornam - nomes e datas são ali colocados por quem leva os livros.
A Biblioteca circulante faz parte da vida regular da Casa e emoção de lidar na melhor acepção da palavra.
Ler, manusear ou mesmo contemplar as imagens é saudável, é um bom remédio, na concepção da fundadora da Casa - Nise da Silveira.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Recital de piano

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A Casa das Palmeiras

Convida

Recital da pianista

Ruth Serrão

Dia 27 de novembro de 2008

Quinta-feira às
14h30

Rua Sorocaba, 800

Convite aberto aos familiares, sócios e amigos
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Desenho

Guache sobre papel - 20cm x 30cm
Sacramento Cruz
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sábado, 15 de novembro de 2008

Palestra

ESPAÇO CULTURAL CASA DAS PALMEIRAS

Convida
Pensamento e Intensidade em Jung
Nietzsche, Artaud e Fernando Pessoa.

com

Maria Helena Lisboa da Cunha
(Professora Titular do Dep. de Filosofia da UERJ/IFCH)
Alexandre Marques
(Mestrando em Filosofia - UERJ)
Gabriel Cid
(Doutorando em Literatura Comparada - UERJ)
Filipe Oliveira
(Mestrando em Filosofia - UERJ)

Dia 2 de dezembro de 2008
Terça-feira

ENTRADA FRANCA
Horário: início às 18h30

CASA DAS PALMEIRAS
Rua Sorocaba, 800 - Botafogo

Informações: 2266-6465 / 9666-2437
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domingo, 9 de novembro de 2008

Lanche como atividade terapêutica

O lanche na Casa das Palmeiras é uma das atividades terapêuticas na medida em que visa o relacionamento interpessoal: o convívio harmonioso e fraterno entre todos que participam da vida da casa. É neste momento que as mais variadas expressões de convívio de grupo se dão: a conversa do dia-a-dia familiar, alguma lamúria, um acontecimento que precisa ser contado, um pedido, relatos de fatos os mais diversos são abordados neste espaço democrático e livre.
Todos os dias ocorrem o lanche que sempre é preparado com muito carinho e zelo por Maria Senhorinha, terapeuta nata, nossa antiga mestra na oficina maravilhosa que é a cozinha. O cardápio é bem variado: pizzas, sanduíches, bolos, aipim com manteiga, pasteis de milho, pipoca, torta com sorvete, torradas deliciosas e inúmeras guloseimas, sempre criativas, são servidas, diariamente. Com energia e doçura Maria se dá inteira aos clientes da Casa - sabe dizer a cada um como esperar e o que fazer quando algo lhe é solicitada. Sucos deliciosos, também, são preparados e oferecidos.
Importante dizer que antes do lanche é servido, às 14h00, um cafezinho ou um chá de acordo com a escolha de cada um.
Uma sineta às 15h00 ou às 15h30 toca sem perturbar; é hora do lanche. É um momento que demarca as atividades individuais das atividades de grupo; “um divisor de águas” como dizia Dra. Nise. É o momento em que todos os clientes, os estagiários/as, os colaboradores e os técnicos, vinte a vinte e quatro pessoas, se reúnem em torno da grande mesa em fraterno encontro e comunhão de idéias, num clima de entusiasmo e de muita afetividade, para saborear o lanche. Alguns clientes, por vezes, só aparecem na hora do lanche, nesta hora de confraternização.
O encarregado dos serviços gerais é quem arruma a mesa numa só longa mesa e todos se colocam nas cadeiras lado a lado. As estagiaras/os servem o lanche e, ocasionalmente, com ajuda dos alguns clientes.
Muito alegre é o dia da comemoração de todos os aniversariantes do mês com um lindo bolo feito por Maria. Cantam-se o parabéns, com o sopro da vela o bater de palmas.
A colaboração espontânea dos clientes na hora do lanche é um testemunho carinhoso, onde cada um se sente útil e tem oportunidade de demonstrar prazer em oferecer algo, o mesmo se dando na hora do cafezinho: “Claudinha, você quer café ou chá?”, “com açúcar ou adoçante?”, “Jayme, você quer mais suco?”, “Rodrigo, o que você prefere: chá ou café?” - todos indistintamente se intercomunicam - não existem diferenças, todos são iguais. As gentilezas se fazem com trocas de afeto, e nos rostos o sorriso demonstra satisfação interior. O lanche é sem dúvidas um instante de alegria e de calor humano.
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domingo, 2 de novembro de 2008

Desenho

Guache/técnica mista sobre papel
Miguel Luis Sacramento Cruz (1958 / 2005)
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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Pensamentos

NISE Arqueóloga dos Mares

[Pão de centeio, profundo, delicioso... que acabou de sair do forno -
livro de Bernardo Carneiro Horta].

“A criança se identifica com o ambiente onde vive, com seus pais. Coisas que acontecem na vida da criança - boas, ruins... - podem marcá-la para sempre. São cicatrizes indeléveis. Às vezes, feridas que nunca se fecham... Há quem não perceba, mas a observação da criança é muito séria. Ela tem grande capacidade de captar o que se passa ao seu redor.”

“Há no meu temperamento essa fúria. Quando eu quero uma coisa, eu insisto. Todo o dia, sem falta, eu levantava cedo, pegava o ônibus e ia trabalhar em Engenho de Dentro. Todo dia,, todo dia... Nada me tirava daquele caminho. A palavra recuar não faz parte do meu dicionário.”

“O homem é mau, mas a mulher é perversa. Mulher sabe ser ruim como o demônio... Uma mulher engana o diabo. Duas enganam o inferno inteiro.”

“Ciência e dinheiro não se misturam.”

“Eu sou daquelas pessoas que, quando cisma com uma coisa, fica pensando a noite toda, sem dormir... Pode ser uma besteira qualquer, mas eu perco o sono.”

“A contaminação psíquica é pior que piolho. Vai passando de uma cabeça para outra, numa rapidez incrível. E, como você sabe, todo mundo já pegou piolho... Se um dia causarmos uma catástrofe nuclear na Lua, será obra do psiquismo.”

“A criatividade tem uma natureza borboleteante, que inclui a liberdade da desorganização - sem isso, não sai nada. Não há criação possível.”

“Ontem, sonhei. Eu dançava, muito alegre. Então, compreendi que a morte não é uma coisa tão terrível. É dançável e alegre... A morte é uma viagem para regiões desconhecidas. Tenho curiosidade em experimentar - mas também tenho medo do que posso encontrar. A morte será a minha grande e última aventura.”

“Para navegar contra a corrente, são necessárias algumas qualidades raras: espírito de aventura, coragem, perseverança e, sobretudo, paixão.”

“A pior doença é a maldade - isso consegue destruir tudo, todos, de forma aniquiladora. O que mata é o preconceito, o que mata é o desamor.”

“Já fui muito enganada pelo animal humano.”

“Não sei fazer nada sem procurar uma base mais profunda, sem ler, pesquisar. Leio para trabalhar, para escrever. As referências são fundamentais.”

“A denúncia é a função maior do intelectual.”

“Vejo Sócrates sempre com uma chave na mão, fechando e abrindo o conhecimento, os entendimentos.”

“Agora, me digam: o que é que não está em evolução nesta vida?!”

“Porque passei pela prisão, eu compreendo as pessoas e os animais que estão doentes, pobres, que sofrem... Eu me identifico com eles. Me sinto um deles.”

“Liberdade... Esta é a palavra que mais gosto de ouvir. Gosto do som dessa palavra.”

“De toda forma, continuo socialista - pode não ser o mesmo socialismo de tempos atrás, mas não está ultrapassado. A humanidade não é boa, o que ainda existe são pessoas boas. O tempo passa, mas uma coisa dentro de mim não muda: eu jamais vou compreender uma sociedade dividida em classes. Isto é um absurdo! Eu não consigo aceitar... não me conformo.”

“Sou particularmente apaixonada por Rembrandt. Ele mergulhava nas imagens, como Leonardo da Vinci. Observe sua pintura... Se você sonha, você mergulha. Também admiro Picasso.”

“Há beleza na vida, beleza em tudo. Vocês vêem?... Há beleza na alegria - e, mesmo na saudade, na tristeza, no sofrimento e até na partida, há beleza. A vida é uma beleza...”
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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Nise – Arqueóloga dos Mares



Este livro não pretende ser uma biografia convencional, até porque a própria Doutora se negava a escrever sua autobiografia, por considerar que a linearidade cronológica do gênero não consegue revelar o que há profundo na existência. Sendo assim, a obra foi elaborada conforme sugestão da própria psiquiatra. “Diferente da biografia, com início-meio-e-fim, o livro versa sobre a vida de Nise, mas de forma fragmentada, criativa, vital. São unidades de texto que reúnem episódios, pessoas, animais, objetos, atitudes e situações espalhados livremente. Enfim, uma narrativa livre, predispondo o leitor a criar, juntamente com o autor, a sua Nise da Silveira” - palavras de Bernardo Horta, que frequentou o Grupo de Estudos C.G. Jung por muitos anos e tormou-se amigo da grande sábia.


Nise – Arqueóloga dos Mares
Autor: Bernardo Carneiro Horta
Número de páginas: 400

Livraria Leonardo da Vinci

Av Rio Branco, 185 Loja 2, 3, 4 e 9

Tel 2533-2237



Nota: a Casa das Palmeiras não vende livros
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domingo, 5 de outubro de 2008

Clube Caralâmpia

Bandeira do Clube Caralâmpia - Xilogravura

No clube Caralâmpia todo mundo tem razão
Assim é o fraterno e solidário Clube Caralampia.
Esta atividade teve a sua 1ª reunião em 3 de agosto de 1961 e se chamava Clube Recreativo. Teve alguns nomes até definitivamente, em homenagem a cachorrinha Caralâmpia, passar a ter este nome. As reuniões eram sempre nas 4ª feiras, de quinze em quinze dias. Atualmente passou para as primeiras 2ª feiras de cada mês.
Cadeiras são colocadas em círculo, aonde cliente e equipe técnica, juntos irão se expressar em suas idéias e resolver coisas em comum.
Logo no início, o grupo escolhe um Presidente para coordenar os trabalhos da mesa e um Secretário para a feitura das atas referentes aos assuntos que serão abordados. O Presidente é sempre um cliente da casa e o Secretário poderá ser ou não ser alguém da equipe da Casa. Sempre há democracia nas escolhas, de mês para mês, de tal forma que todos tenham oportunidade de conduzir os trabalhos da mesa.
Com respeito canta-se o Hino Caralâmpia na abertura das seções. Em seguida aplausos para todos os presentes. Num quadro está à disposição canetinha para quem quiser escrever suas solicitações, o que desejar.
A freqüência é espontânea, e geralmente todos comparecem para dar suas opiniões. A participação é sempre individual, cada um tem o seu tempo de fala: pedidos, reclamações, contestações, sugestões, sempre de acordo com as possibilidades de cada um. Alguns fazem muitos pedidos e exigências e outros permanecem em silêncio observando e acompanhando sutilmente com os olhos. Uns podem vibrar e falar alto e outros com voz muito baixa darão sugestões, também, interessantes.
Programam-se Festas, Passeios, Filmes que desejam ver. Assuntos de Jornal ou TV. Problemas da política. Dificuldades pessoais. Uma partilha afetuosa e cheia de trocas de informação, coesos na busca de entendimento para a melhor solução de problemas que podem surgir.
Os passeios sempre são resolvidos por votação - é possível sugerir alternadamente lugares de lazer e de Cultura - parques ou Museus. Sempre se acata o desejo da maioria com muito respeito e compreensão mútua.
No Clube Caralâmpia são apresentadas as pessoas que chegam; clientes, colaboradores ou estagiários, da mesma forma é um espaço para aquelas que se despedem da Casa.
Está registrada uma bela conversa entre dois clientes da Casa na reunião do Clube Caralâmpia. Um deles disse: “Nós os doentes...” o outro imediatamente emendou: “Doentes não, nós somos é incompreendidos.”
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Hino do Clube Caralâmpia

Tra lá lá lá - trá lá lá lá lá lá lá ( bis)
Na nossa bandeira
Tem balança tem palmeira
Tem o sol pra iluminar
Nossa estrada a vida inteira

Trá lá lá lá
Nossa estrada a vida inteira.

Vamos, vamos minha gente
Fazer nossa reunião
Presidente é o primeiro
Secretário aquenta a mão.

Trá lá lá lá
Secretário agüenta a mão.

Se você for o terceiro
Peço me dar atenção
Que eu também quero falar
Dar a minha opinião.

Trá lá lá lá
Dar a minha opinião.

Pois no Clube Caralâmpia
Todo mundo tem razão
Mas só vence a sugestão
Quem tiver mais votação

Trá lá lá lá
Quem tiver mais votação.

Batam palmas companheiros
Acabou a discussão
Pois no Clube Caralâmpia
Todo mundo é campeão.

Trá lá lá lá
Todo mundo é campeão

Trá lá lá lá - trá lá lá lá lá lá lá (bis)

- Olvinda
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domingo, 28 de setembro de 2008

Arranjo Floral

O Arranjo Floral é um reflexo do processo interno, um meio de fortificar a consciência, ultrapassando a expressão verbal.

Na atividade floral cada um projeta-se sobre as flores de maneira bem particular.
Aqui registraremos algumas frazes recentes e outras mais antigas das pessoas que participam do arranjo das flores em belos vasos de cerâmica ou de vidro:

R
.
As flores enfeitam a casa - 15 / 09 / 2008.

Essas flores eu ofereço as almas de dra. Nise da Silveira, mãezinha Luiza Freire Cunha, meus sobrinho Rodrigo Rodrigo. Amem eles estão melhor do que eu.
R.C.R

As flôres são belas...eternas...Divinas...amigas
As flôres...infindáveis cores...
A.M

Eu amo muito as rosas
Ela perfuma os ambientes de nossas vidas.
P.C

As rosas e as flores perfumam os ambientes
de nossas vidas
não sei o que seria de nós sem as flores e as margaridas.
P.C

Eu ofereço estas rosas para todos os meus amigos
porque eu sei que todos eles gostam de mim.
S.S

As flores também nos ajudam a sermos felizes.
Como diz o nosso tão valoroso Zeca (o seu José Bastos): “o medo é traiçoeiro”
Por isso não tenhamos medo de sermos felizes.
M.A

As flores purificam o ar.
M.A

Foi Deus quem fez estas flores
com a ajuda do senhor espírito santo.
J

O sucesso pra mim é saber que o louco nada mais é do que já foi dito.
Apenas um homem que chora.
A

São as flores e mais flores nascendo que perfumam
a Casa das Palmeiras.
A

Às flores humanas dedico flores vegetais
para que o perfume destas e daquelas se misturem
.
C

As flores são como a gente tão frágeis e belas
são também como os passarinhos
leves ao sabor do vento.
P.L

A delicadeza das flores mostra a homens e mulheres
Que vivem com perfume apesar da violência.
C.A

As flores são a vida nos jardins ou nas estufas e a morte nos campanários.
L.M

Este arranjo floral é composto de rosas vermelhas
e estas significam paixão
pois é próprio da cor vermelha este sentimento.
L.M

Muito famosa na Casa é a frase do nosso saudoso seu José Bastos:

De que serve colher rosas
Se não temos a quem ofertá-las.


Outras profundas reflexões anônimas:

O corpo é como as flores, nasce, cresce e morre.

Se a gente tivesse estrutura para amar, deveria ser igual para todos. E estas flores são a síntese do meio certo de amar todas as pessoas.

As flores têm muito afeto para dar e receber.

A rosa vermelha representa um coração que bate em nosso corpo dando afeto e carinho a quem precisa.

A Casa das Palmeiras é colorida
perfumada como as flores.

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domingo, 21 de setembro de 2008

Arranjo Floral

A beleza do Arranjo Floral é um dos muitos remédios na Casa das Palmeiras.
As flores, as mais variadas flores naturais, sobre a mesa, aguardam a chegada dos clientes que se organizam em torno para escolher aquelas que mais lhes agradam e colocá-las numa jarra. Sobre a mesa estão dispostas bonitas jarras de vários tamanhos - cerâmica e vidro. Conforme as escolhas e os cortes com a tesoura própria para cortar as plantas, os talos, os arranjos são feitos com harmoniosa colocação estética ao gosto de cada um em particular.
Um cuidar quase gestual em que todos participam. É uma atividade individual porque a escolha é pessoal e é coletiva porque é vivenciada em grupo. A aproximação das flores é sempre espontânea. As flores agem como imã de cordialidade.
Sempre certo entusiasmo nas escolhas das flores; rosas, margaridas, girassóis, buganvílias, palmas, cravos, cravinas, crisântemos e tantas outras mais que nos perdemos nos nomes. O florista, de quinze em quinze dias, nos envia muitos ramos grandes das flores necessárias para esta atividade repleta de natureza viva.
Cada um faz o seu arranjo. Uns preferem colocar uma única flor num jarro, e outros dão preferências a muitas flores. Não importa se a escolha for uma flor já meio murcha ou com o talo quebrado. Em seguida é distribuída uma folha de papel e uma canetinha para se escrever algumas palavras. A livre expressão é a norma do Arranjo Floral, mas pode ocorrer sugestão de algum tema, o que é comum em momentos significativos como a Festa da Primavera, mudança de estação. Pode ocorrer que não se queira escrever, apenas organizar as flores na jarra. Pode ainda não se querer fazer nada e só estar ali presente acompanhando a atividade com o canto dos olhos.
O Equinócio da Primavera sendo um acontecimento que marca as estações do ano é ocasião para falarmos desta passagem simbólica do inverno para a vida das flores que nos aponta para a alegria das cores se manifestando na Natureza Mãe.
No arranjo floral surgem muitas projeções que refletem os anseios e desejos internos de seus autores. Uma atividade que revela importância psicológica de muito interesse para se desvendar conflitos psíquicos e afetivos.
Na maneira de escolher e arrumar, pedir e observar as flores com visível carga emocional pode-se ter idéia das situações afetivas do indivíduo e de suas limitações ou alterações nos relacionamentos.
Terminado o arranjo, cada pessoa tendo escrito o que desejou prende a folha no seu vaso. Quando todas as flores já estiverem nos vasos e os textos, pequenas reflexões escritas, cada um lê o que escreveu e mostra o seu vaso para que todos possam apreciar. Um aplauso se dá em alegria plena. Sempre se levando em conta a liberdade de expressão pode ocorrer observações sobre o texto e mesmo controvérsias.
No final o jarro com as flores pode ser oferecido a alguém, mas geralmente cada um irá enfeitar a Casa das Palmeiras com o seu arranjo de flores.
O Arranjo Floral inicialmente, em 1972, era uma atividade de Ikebana que a colaboradora Talita ofereceu a Casa. Como esta atividade despertou interesse de pesquisa e de valor científico passando assim a ser objeto de estudo e recebeu o nome de Arranjo Floral. Uma atividade para ser vivenciada com alegria e prazer. Maria da Glória, Maria Abdo, Gilsa Prado e Vicente Saldanha foram muitos dos colaboradores e pesquisadores nesta oficina criativa.
“Tanto a flor como o vaso, são elementos importantes da linguagem simbólica característica do inconsciente e aparecem, com freqüência nas vivências internas dos esquizofrênicos. Vaso indicaria a tentativa de reunir elementos diversos num único contenedor. Seria uma busca de compensar a dissociação.” Maria Abdo
A maneira como se arruma as flores podemos observar o reflexo do desenvolvimento interno, as emoções se revelando nos gestos. O Arranjo Floral é um singelo e rico meio de fortificar a consciência, uma oportunidade de exprimir as emoções, as vivências.
A flor pode representar a própria pessoa com seus anseios existenciais. Ao observarmos como a pessoa age no processo da escolha das flores percebemos o que ela está nos acenando, pedindo, o que o inconsciente quer mostrar. Escolher flores quebradas, murchas, uma só flor ou mesmo uma porção de flores pode ser visto como recados do inconsciente. A maneira como se age diante das flores pode ser oportunidade para captarmos o que se está sendo solicitado. A observação silenciosa que verificamos no olhar da pessoa, a aproximação em torno das flores, as escolhas e a maneira como a pessoa segura cada flor revela percepções internas.
O mundo interno se revela pela forma como se faz o arranjo, como se comporta a pessoa diante das flores, o silêncio ou as palavras; tudo deve ser objeto se aprendizado e conhecimento da vida interior. A vida externa e interna interagindo na atividade com as flores.
“Terapeuticamente, o mais importante é que o mundo interno dissociado tome forma e encontre meios de expressão através de símbolos transformadores que o aproximem cada vez mais do nível consciente.” (...) “A psicologia de Jung está impregnada de atividades e foi a partir de suas idéias que, principalmente, nos inspiramos.” Nise da Silveira - A Emoção de Lidar, Uma Experiência em Psiquiatria - Casa das Palmeiras, 1986. Ed. Alhambra. RJ.
A postura dos terapeutas, médico, psicólogo ou artistas é de profundo respeito à pessoa de cada indivíduo, e se estabelece de maneira natural sem ansiedades ou pressa, e sim de compreensão em ajudá-los quando necessário, a fim de fortalecer o ego de maneira progressiva.
Muitas são as constatações da beleza que é o Arranjo Floral como terapêutica ocupacional, como um dos mais doces e belos remédios para a vida.
Citaremos apenas um caso do Arranjo Floral que muito contribuiu em silenciosa e sensível postura a estagiária de psicologia, Luciana de 2007 para este ano de 2008: R. ficava de longe só acompanhando com o canto dos olhos as pessoas chegando, colocando-se em torno da mesa e escolhendo seus vasos, arrumando as flores nos jarros, escrevendo e lendo as frazes, mostrando seus vasos para todos, e depois sendo aplaudidos pelo arranjo florido. Observava apenas. A pedido, delicadamente, de uma ou mais estagiária, aos poucos R. foi se aproximando mais da mesa e veio sentar-se bem ao lado de todos em silêncio. Passada algumas semanas escolheu um vaso e uma só flor foi colocada na jarra de boca pequena, passada outras semanas duas flores. Luciana não está mais na Casa. R. continuou com mais e mais interesse, um bom tempo passado colocou umas poucas flores no vaso que ele escolheu. Hoje seu jarro é maior e ali são colocadas muitas flores e uma pequena fraze que expressa sua interioridade. O sorriso se faz largo, silencioso e revela felicidade realizada.

Dizeres dos criadores da atividade Arranjo Floral registraremos em breve.
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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

CASA DAS PALMEIRAS

Convida

O Paradigma das Redes Complexas
(Comunicação em Sistemas Sociais, Tecnológicos e Biológicos)

Palestra com Marcio Argollo






DOUTOR em FÍSICA
(Professor Adjunto do Instituto de Física da UFF)

Dia 24/09/2008
Quarta-Feira
ENTRADA FRANCA
Horário: início às 19:00hs

LOCAL: Espaço Cultural Casa das Palmeiras
Rua Sorocaba 800-
Botafogo
Informações: 22666465 /

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Desenho

Guache / técnica mista
Acervo da Casa das Palmeiras

domingo, 10 de agosto de 2008

Modelagem

José Bastos - O primeiro cliente da Casa das Palmeiras
Escultura em gesso simbolizando a libertação do doente mental de uma prisão
Acervo da Casa das Palmeiras

A Casa das Palmeiras, este pequeno território, oferece possibilidades de seus freqüentadores se expressarem de forma espontânea em cada oficina criativa. Num clima de liberdade cada pessoa que esteja em tratamento é motivada, estimulada, a traduzir as suas emoções profundas, as quais emergem do inconsciente em imagens plásticas, música, trabalhos manuais, teatro, dança, gestos e palavras. São atividades repletas de simbolismo que nos reportam aos estudos e nos conduzem à pesquisa científica.
O próprio ato de criar imagens simbólicas já é em sim uma ação curativa, como afirma Nise da Silveira em sua obra Imagens do Inconsciente: “A psicoterapia junguiana tem por meta não só a dissolução de conflitos interpessoais, mas favorece o desenvolvimento das ‘sementes criativas’ inerentes ao indivíduo doente. E é justamente em atividades feitas com as mãos que, com bastante frequência, se revela a vida dessas ‘sementes criativas’.” (Ed. Alhambra, 1981, p.102). E continua: “Em vez dos impulsos arcaicos exteriorizarem-se desabrigadamente, lhe oferecemos o declive que a espécie humana sulcou durante milênios para exprimi-los: dança, representações mímicas, pintura, modelagem, música. Será o mais simples e o mais eficaz.”
Através das várias atividades expressivas a pessoa doente terá a oportunidade de melhor enfrentar seus conflitos internos tão terrificantemente desestruturados, fará naturalmente a transferência de energia de um nível inconsciente para outro mais consciente.
No desenho ou pintura, nos diz Carl Gustav Jung: “O tremendum é exorcizado pelas imagens pintadas, torna-se inofensivo e familiar e, em qualquer oportunidade que o doente recorde a vivência original e seus efeitos emocionais a pintura interpõe-se entre ele e a experiência, e assim mantém o terror à distância.”
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sábado, 2 de agosto de 2008

Grupo de Estudos C.G. Jung

Idealização de Nise da Silveira (1955 /registrado em 22/08/1968)

Local: Casa das Palmeiras
Às quartas-feiras de 15 em 15 dias /
das 19h00 às 21h00

Plano de estudo:
O Homem e seus Símbolos
Carl Gustav Jung - concepção e organização -

6 de agosto de 2008 - continuação do 1º capítulo / Carl G. Jung
A função dos símbolos e Curando a dissociação

20 de agosto -
O Processo de Individuação /
Marie Louise von Franz
- A configuração do crescimento psíquico.

3 de setembro - O primeiro acesso ao inconsciente
17 de setembro - A realização da sombra

1 de outubro - “Anima”: o elemento feminino
15 de outubro - Animus”: o elemento masculino interior

12 de novembro - O “self”: símbolo da totalidade
26 de novembro - As relações com o “self”
10 de dezembro - O aspecto social do “self”

O Grupo de Estudos é gratuito
Bem vindos os artistas, filósofos, psicólogos, pensadores livres, antropólogos, sociólogos e/ou qualquer pessoa que desejar ler, estudar e/ou conhecer, mais profundamente a obra de Carl G. Jung.

Rua Sorocaba, 800 - Botafogo
Inf.: Tel 2266-6465 /// 2242-9341

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sexta-feira, 18 de julho de 2008

Grupo Cultural



O Grupo Cultural se reúne semanalmente na Casa das Palmeiras. É uma atividade que estimula a organização das idéias junto com o sentimento. Teve por muitos anos a orientação do artista plástico, gravador, José Paixão, criador deste espaço democrático em que cada um pode e deve expressar seus pensamentos. Outros colaboradores, monitores e estagiários/as o substituíram ao longo de muitos anos.
Em torno da grande mesa, logo após o lanche, clientes, estagiários/as e colaboradores, lado a lado nos colocamos com material à disposição: papel, lápis, borracha e apontador, para participarmos do Grupo Cultural. As idéias surgem espontâneas. O monitor coordena qual o assunto que foi amplamente sugerido; política, questões sociais, religiosas, artísticas, etc. As questões são colocadas em sua realidade como é a vida, e com calorosidade. As emoções são expressas no papel sem qualquer preocupação com a grafia, e sem exclusões. ”Cada um é cada um”, palavras de um participante. Não há restrições para as colocações dos pensamentos; podem ser várias folhas, uma frase ou mesmo uma só palavra. Um tempo é estabelecido para se escrever.
“O pensamento sai do plano do chão. Cria asas. Alça vôo, expressando o anseio do Homem à espiritualização”, como dizia Lisete, antiga colaboradora da Casa.
Os textos são escritos com certa carga apaixonada de afetividade. Compenetrados todos vão expressando em palavras o que mais significativo lhes ocorre naquele momento. Um belo silêncio se faz presente. Podemos observar as faces mais ou menos tensas, mais ou menos leves, alegres e descontraídas enquanto as idéias vão sendo elaboradas no papel. “O que me mete medo é sair sozinho e encontrar comigo mesmo numa esquina deserta.” D. Outra participante: “As flores são belas quando a gente se transforma no verdadeiro campo florido.” E. As frases são cuidadosamente guardadas numa pasta para acompanhamento de tão rica atividade coletiva.
Podem ocorrer dias em que não se escreve só se conversa em trocas calorosas. Aparecem temas instigantes como, por exemplo, a insensatez da vida contemporânea que se mostra cruel na TV ou nos Jornais. “Eu estou muito preocupado. O mundo está muito complicado, a polícia briga com os traficantes, e eles brigam com os políticos, que brigam com os juízes e os juízes com outros juízes que brigam com os banqueiros que brigam com os advogados que brigam com a polícia. É tudo muito complicado.” N.(participante do grupo). Palavras ditas com muita emoção e lucidez intelectual, mobilizando profundas reflexões no Grupo: “Aqui nós estamos em harmonia, protegidos.” L.A. “A paz, a tranquilidade, a harmonia do bem absoluto.” S. “Aqui somos amigos uns dos outros, solidariedade.”T. “Aqui é um refúgio criativo.” E.
Pensamento e sentimentos se ordenam neste espaço democrático que possibilita a reflexão com liberdade e emoção.
No início do nosso encontro, nesta semana, foi muito bem lembrado pelo dedicadíssimo médico psiquiatra Dr. Edgar:
“O eixo da Casa das Palmeiras, como dizia Dra. Nise, é cultural, não é psiquiatria, nem medicina. O eixo da Casa é cultural.”
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quinta-feira, 10 de julho de 2008

Pintura de Nise em canção

Bernardo Horta /2004

Um gato brilha em seu olhar
Mulher da futura imaginação
Mergulha em ruínas ancestrais
Diamante que surge da escuridão

Vertigem no espaço da mente
Senhora das imagens
Santa, louca, mãe da gente
Fina flor de eternidade

Em inumeráveis estados do ser
Persevera e se liberta do breu
Oh, moça que lê imagens
Diz: que mito sou eu?

Em vida, transcende o corpo
Sua lucidez a ultrapassa
Psicodélica, reveladora
Operária, tijolo-argamassa

Matriz da expressão de Sócrates
Diotima-madrinha, enternece
Freud sussurra o seu nome
Jung jamais a esquece

Selvagem antiga do engenho
Bruxa-ninfa superzen
Rebelde que transborda em fúria
Amor sem limite, indignação-amém

Exemplo de vida, vigor animal
Arquétipo da superação
Liberdade alucinante
A ira sagrada da revolução

Sons, imagens - portal de expressão
Coração exposto em sensibilidade
Mitos que provêm do ventre profundo
Semente de luz, cura e humanidade

Gênia doida, fera agressiva
Abre as portas do hospício, em urgência!
Derruba grades e grades
Mostra que o poder, este sim, é a demência

Mistério, entre livros e pinturas
Zênite que flui pelos ares
Matéria-prima de energia pura
Arqueóloga dos mares

Mestra, gata, Nise brasileira
Alguém sempre admirando-a no retrato
Personalidade forte e terna
Estrela tímida, de brilho estupefato



sábado, 28 de junho de 2008

Festa Junina / 27 junho de 2008


Ontem, São João e São Pedro estiveram presentes na Casa das Palmeiras.
Celebramos com os clientes, seus familiares, estagiários/as, colaboradores e amigos da Casa a tradicional Festa Junina - solstício de inverno.
Uma Pirra foi acesa para abrir, como celebração, as apresentações festivas de São João
Fogo vivificador!

Bandeirinhas e lanternas feitas pelos clientes junto com estagiários/as coloriam as salas, os espaços.
Uma lindíssima toalha Patchwork criada pelos clientes com a ajuda dos colaboradores cobria a mesa. Muitos salgados, canjica, cachorro quente, bebidas e doces típicos


Violões dos clientes com cantoria
Quadrilha, Casamento da roça, Coral, Forró
Pescaria e Correio do Amor
Muita “dança caipira” e alegria com roupas juninas!
Estagiários/as antigos se despedindo e portas se abrindo para outros/as

Lanternas foram acesas à tardinha para iluminar a Casa, a vida festiva

Muita Emoção de Lidar

Viva São João! Viva a Casa das Palmeiras!
Viva Dra. Alice Marques dos Santos e Dra. Nise da Silveira!

Frases dos clientes

13 de junho - Santo Antônio
24 de junho - São João
29 de junho - São Pedro
A Festa Junina comemora os três santos da Igreja. F.

Festa Junina é todo mundo com roupa de caipira. Todo mundo pintado. Chapéu caipira na cabeça. Doces, salgados, música, cantoria, dança folclórica, baile, tem cocada, pra mim é isso. C.

A Festa Junina representa para o povo brasileiro a dança dos casamentos e músicas do interior da cidade. O.

A Festa Junina na Casa das palmeiras tem pipoca, dança caipira, música e brincadeiras de São João. R.

A Festa Junina é uma festa típica do interior que significa congraçamento entre as pessoas, como acontece na Casa das Palmeiras. T.


A Festa de São João homenageia São Pedro e São João com os quitutes saudáveis da comida baiana. L.A.

A Festa Junina é uma festa, muito alegre e animada, que todos se divertem. J.E.B.V.

Aqui temos amigos
Aqui temos amigos fraternos. Incondicional.
Amor da Verdade
Amor do Equilíbrio
Amor da Paz. S.

A paz que esteja conosco na Festa de São João com a alma de Dra. Nise, presente. E.



domingo, 22 de junho de 2008

Desenho

Darcílio Lima - guache sobre papel - 24cm x 33cm.
Exposição Museu da República
40 anos de Estética - 1997

sábado, 14 de junho de 2008

Texto inédito de Nise da Silveira

Na Casa das Palmeiras entre papeis do Club Cultural, 1969, temos arquivado um belíssimo manuscrito de Nise da Silveira, amarelado com as marcas do tempo. Presenteamos este relato ao público que acompanha nossa página na internet.

“Começarei contando a vocês um sonho de Fernando, homem que está internado há muito anos no hospital de Engenho de Dentro.
Eis o sonho: Ele pula um muro e, do outro lado, encontra a rainha da Boemia, que lhe dá sapiencia. Aquela
imagem era a imagem do mundo todo - o mundo das imagens. Mudei para o mundo das imagens. Mudei a alma para outra coisa. As imagens tomam a alma da pessoa.
Pulou o muro e caiu noutra região da psique, na profunda esfera onde habitam as rainhas míticas, as mães, as deusas. Era o mundo das imagens. Mudou-se para lá.
Minha formação, como acontece a todo mundo que cursa universidades, fez-se na área do pensamento discursivo, da linguagem falada e escrita. Sobre as imagens eu não sabia quase nada. E agora lidava com pessoas que habitavam o mundo das imagens. Se quisesse comunicar-me com elas, se desejasse vislumbrar um pouco, ao menos, do que passava no íntimo daqueles seres atormentados, eu teria de iniciar-me humildemente no aprendizado de uma linguagem nova para mim, Uma linguagem muito difícil, pois as imagens me parecem ainda hoje cada vez mais complexas, misteriosas, inesgotáveis.
Vou falar a vocês desse aprendizado, as minhas dificuldades nos primeiros anos de meu trabalho e da ajuda que encontrei nos escritos dos mestres de teoria da arte.”

[Aqui termina o manuscrito. Sabemos pela rica biblioteca de Nise da Silveira o quanto ela pesquisou os mestres, estudiosos, das Artes Plásticas, a fim de compreender melhor o mundo das imagens que emergiam do inconsciente dos clientes que ela cuidava no Museu de Imagens do Inconsciente].

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Nise jovem

“A linguagem plástica é uma forma de expressão. Eu não chamo de arte, nem de longe tal pretensão. Não garanto que sejam artistas os trabalhos das pessoas que freqüentam os ateliês. Não sou eu quem decide se é arte ou não. A função do trabalho não é artística, é expressiva. Atividade expressiva das emoções, dos conteúdos internos. Não gostava do nome “terapêutica ocupacional”, foi quando um cliente na Casa das Palmeiras, na oficina de trabalhos manuais, tocando vários novelos de lã ele disse: como é gostoso amassar... trabalhar com tecidos é a emoção de lidar. Então pensei: eureka! Preferi em vez de terapêutica ocupacional adotar daí em diante emoção de lidar. Muito importante que o monitor ajude ao doente a descobrir a beleza do material com que trabalha.”
Rev. Ano Zero, 1991, RJ

sábado, 17 de maio de 2008

Artur da Távola

Dia 8 deste mes de maio, nosso querido amigo Artur da Távola - Paulo Alberto, partiu desta Terra deixando uma imensa saudade. Fizemos à tardinha uma doce homenagem com orações, palavras e música, o que ele tanto amou.
Dia 12 na atividade de Arranjo Floral uma outra homenagem, com flores nos vasos e nossas palavras, nós que frequentamos esta Casa.

As flores que estão na minha frente ajudam a embelezar a Casa das Palmeiras, tanto quanto o Artur da Távola/ T.

Que Deus abençoe Artur da Távola que já se foi/ C.

Meu caro Artur da Távola você escrevia no jornal O Dia, o amor venceu um mal / O.

Ao Artur da Távola com imensa gratidão...
Com Amor e carinho...
Ao inesquecível Amigo da Casa das Palmeiras
Deixo minha simples homenagem/ A.
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O Brasil não esquecerá a nobreza de alma de Paulo Alberto Monteiro de Barros, nosso querido Artur da Távola. Ele se despediu deste mundo que tanto amou e sofreu e amou, para sem dúvida dar o salto quântico, para algo que nos transcende a inteligência. Dia 8 de maio de 2008, aqui na cidade do Rio de Janeiro, por volta das 14h00, aos 72 anos na flor da idade mais avançada.
Seu nome é ainda; cultura, música, refinamento, sensibilidade intelectual, desenho das palavras, simplicidade, doçura, sorriso, espiritualidade, afeto, doação de si. Consciência filosófica e fidelidade a si mesmo serviu de exemplo; dignidade como cidadão político. Permanecerá eternamente vivo porque, essencialmente, humano.
Paulo Alberto foi Presidente da Casa das Palmeiras, obra de sua saudosa amiga Nise da Silveira, de dez. de 2005 a dez. de 2007. Ocasião em que muito colaborou para o renascimento da Casa quando esta sofreu um cruel incêndio. Como Ave Fênix, pai-mãe amoroso, e com sábia bondade e compaixão, com postura receptiva, sentava-se à mesa ao lado de pessoas emocionalmente feridas (...). Não tinha medo do Inconsciente, muito pelo contrário, dialogava com as forças que emergem das profundezas do si mesmo. Muitas vezes presenciei os clientes abraçando-o com emoção e gestos de fraterna amizade. Conversava com os tidos loucos, marginalizados pela sociedade burra e insensível, com uma surpreendente delicadeza nas palavras e no olhar, ao se achegar aos mais pobres e desvalidos.
O mundo sempre se eleva com homens e mulheres que se depuram como pessoas e procuram acima de tudo serem humanos e generosos em seus pensamentos e atos.
Saudades querido Artur! Saudades querido Paulo Alberto! Saudades homem plural e uno!
Coro de Anjos acompanha a orquestra filarmônica celeste com atabaques ao receber Paulo Alberto!/ M.

domingo, 4 de maio de 2008

Pensamentos de Nise da Silveira


Notas arquivadas/1968 - 1999 / Grupos de Estudo C.G.Jung

“Fui guiada pela intuição.”

“O inconsciente é um imenso oceano, por vezes emergem umas imagens."
"A psique humana é um fenômeno fantástico. A capacidade criadora é extraordinária.”
“Aprendi mais com a literatura do que com os trados de psiquiatria. Um conto de Machado de Assis, Missa do Galo, exprime com mais clareza e sutileza as coisas do que um psiquiatra. Aprende-se mais com Machado de Assis sobre a natureza humana do que em livros de psicologia.”

“A pintura é um trabalho importante para o esquizofrênico. Através da pintura, com a presença do afeto catalisador, ele vai se encontrando com o mundo externo. O afeto sempre ajuda o indivíduo que está perdido, e vivendo num mundo interno fragmentado.”

“Convivendo com os esquizofrênicos eu vi através da produção criativa que se revelam das profundezas do inconsciente que não existe a decadência e a deterioração descritas nas obras de psiquiatria.”

“Sempre me dirigi aos doentes pelo nome, jamais os chamo de pacientes. Eu os trato como seres humanos, pessoas. A palavra paciente me irrita muito.”

“Esquizofrenia tem outro nome, os diferentes estados do ser.”

“Para Jung vários métodos. Para cada cabeça um chapéu e não o mesmo para todas as cabeças. O que vale para um tipo psicológico, não vale para outro tipo psicológico. Muita flexibilidade para não se seguir uma trilha única. Tudo depende de cada caso, cada pessoas, não há receita única.”

“Não dissipe as imagens oníricas. O analista corre atrás do cervo, mas não o mata, tem que pegá-lo vivo, estudá-lo vivo. Tem que pegar a imagem viva e não estripá-la.”

“Jamais quis definir o que é loucura. Compre em escafandro e mergulhe junto como esquizofrênico. Ver o lado saudável do doente. O núcleo é saudável.”

“O fogo não é nada, inferno é o congelamento. Não confundir congelamento com indiferença, o congelamento, a petrificação é sofrimento. Um bom observador, com bom disconfiômetro observa os olhos vivos do ser petrificado.”

“A psicologia de Jung está mil anos à frente do nosso tempo. Jung já afirmava desde o início do século que matéria e energia é uma só coisa.”

“Para Freud as imagens plásticas são meras projeções do inconsciente, estão lá. Para Jung é bem mais que simples projeções do inconsciente. O fato de desenhar, pintar, esculpir, modelar, já é por si mesmo terapêutico.”

“O estudo das imagens é acompanhar nesta viagem das imagens. Picasso pintou Gernica, o militarismo alemão, acompanhado do sofrimento violento. Ninguém faz nada sozinho.”

“Eu sou do mundo das imagens".

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Nise da Silveira

Artur da Távola

Nise gigante de metrimeio. Nise tinhosa, valente, aguda. Nise terna. “Nise felina, arquetípica: Grande Mãe” com alma de “Puer Aeternus”. Nise memória do cárcere que libertou das ditaduras da psiquiatria tradicional. Nise da aventura maravilhosa de curar. Nise que foi: mais cáctus que manga; mais mel que coca-cola; mais verdade que vacilação; mais queijo de coalho que cammembert; mais Beethoven que Chopin; mais Chaplin que Cecil B. de Mille; mais pífano que harpa; mais franqueza que medo; mais humildade que modéstia.
Nise concreta, Nise brava e forte na fragilidade maior da feminilidade imponente.
Nise mandacaru sempre florido por agudeza e percuciência, expressão estética da ética maior do ser tornado igual.
Nise alma de santa em estilo guerreiro, mescla de forças abissais com sutilezas orientais.
Nise hostil às formas de poder não oriundos do saber. Nise, sacerdotiza dos gatos com quem aprendemos a sabedoria milenar do instinto e a rara civilização do sutil. Nise dos cães, seus terapeutas que ajudaram esquizofrênicos a se manifestar e a trazerem de seu pulcro mundo oculto, tanto belezas quanto a possibilidade de alcançar universos que os chamados sadios jamais vislumbrarão.
Nise exação em pessoa como servidora pública exemplar; para quem servir era o único escopo da atividade.
Nise terapeuta ágil, leal e profunda a encadear nas imagens do inconsciente as descobertas de eras imemoriais e do patrimônio comum à humanidade. Nise do inconsciente coletivo, do self anima casado com animus, velho sábio amigo do herói, memória da célula. Nise da arqueologia da mente e dos elos cósmicos além dos racionalismos que infelicitaram o século XX. Nise veraz, luz, claridade, franqueza, ordem direta, o fim da evasiva, o começo da verdade, a verdade final, afinal a verdade. Nise intrépida, retilínea, indômita e audaz. Exemplo de vida!
Nise mãe geral de um Brasil menino e enfermo, pobre e desvalido. Obreira da grandeza civil, desbravadora dos continentes internos, antropóloga das profundezas. Nise asceta, seiva viva, anciã de todas as juventudes, jovem de todas as eras. Nise pássaro, graúna azul, olhar raio x, aguda percepção da falsidade alheia tanto quanto da verdade e dos bem igualmente moradores na alma do ser. Nise áspera se necessária e seixo de rio sempre que encontrava alma irmã. Nise Brasil, Nise elo de gerações, marca da capacidade humana de ser, crescer, criar, ousar, aventurar-se no caminho maior da entrega da vida ao bem da humanidade.
[QUATERNIO - Revista do Grupo de Estudos C. G. Jung - RJ - nº8 - 2001 - Homenagem Nise da Silveira] Artur da Távola / Paulo Alberto Monteiro de Barros foi Presidente da Casa das Palmeiras, dez. 2005-2007. Afetuoso e solícito prestou valioso e inesquecível apoio à Instituição. Sempre amigo recebe imenso carinho de todos.

domingo, 20 de abril de 2008

Desenho

Clara - guache sobre papel - 46cm x 65cm
Exposição Museu da República
40 anos de Estética - 1997
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Aos poucos estamos reorganizando todo o acervo de grande importância antropológica e mesmo histórica da Casa; o que restou do incêndio de 3/09/2006. Acervo de inestimável valor para a psiquiatria, a psicologia, a ciência, as atividades plásticas, a cultura. Os trabalhos dos clientes são expressões espontâneas do mundo interno, imagens do inconsciente carregadas de emoções. As obras são datadas e guardadas em série por seu alto valor para pesquisa e avaliação das manifestações criativas que surgem do inconsciente, naturais em todo ser humano. Não nos ocupamos com as condições e efeitos da criação artística enquando estética formal, e sim como pura realização expressiva. E nem visamos qualquer finalidade comercial. O potencial criador é a nossa porta de entrada para uma vida mais saudável, harmoniosa e feliz.

domingo, 13 de abril de 2008

Poesias e reflexões nas Palmeiras

L.C.
momento paz Deus
momento afligir certos
momento vida filho
Deus porque ódio
Rancor matratar vida
Superar vida paz vida
Porque vida para porque
Vida Deus direito
Equilibrio certo vida
Amor de Deus
Porque momento porque
Bem separa mal
Tratar paz Lar sinsero
Vida por céu Bem
Vida ensinou esse mundo
Porque senso humanidade
Perante vida momento
Porque vida paz vida
Tranqüilidade
Amor porque tratar
Bate acontecer agrada
Deus
Casa palmeiras
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E.
Sob os pés firmes
Tapete e o solo
Caminhar sobre a grama
Tapete e o orvalho
Onde se encontram
Os namorados
Caem das arvores flores
E festejam o amor.
(Fev. /2006)
****
T.J.
Bichos
Os bichos são necessários
Para a humanidade, pois
Fazem parte do nosso processo
De evolução
(Out. /2007)
****
S.
A sabedoria da inteligência da iluminação no poder do verbo Amar é a excelência do êxtase do clímax na plenitude com a natureza na alegria da felicidade com harmonia no equilíbrio.
A paz é o silêncio da alma do prolongamento da vida na filosofia do ser!
O Dom é virtude da mitologia cósmica universal do microcosmo e macrocosmo!
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F.
A rainha Elizabeth pode ter um sonho ruim e um menino de rua ter um sonho bom.
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L.R.
Eu não fico tranquilo enquanto não percorro todos os cantinhos do infinito
( mar./2008)
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domingo, 6 de abril de 2008

Grupo de Estudos C.G. Jung

Aos sábados de 2008 de 15 em 15 dias / das 16h30 às 18h30
O HOMEM E SEUS SÍMBOLOS
Carl Gustav Jung - concepção e organização -
(Editora Nova Fronteira, 1977 - RJ)

Plano de estudo
1º capítulo - Chegando ao inconsciente - Carl G. Jung

15 de março - A importância dos sonhos
29 de março - O passado e o futuro no inconsciente

12 de abril - A função do sonho
26 de abril - A análise dos sonhos

10 de maio - O problema dos tipos
24 de maio - O arquétipo no simbolismo do sonho

7 de junho - O arquétipo no simbolismo do sonho [repetindo]
21 de junho - A alma do homem
O Grupo de estudos está aberto ao público
[como sempre foi em casa de Nise da Silveira]

Bem vindos os artistas, os filósofos, os psicólogos, os pensadores livres, os cientistas, os antropólogos, os sociólogos e/ou qualquer pessoa que desejar ler, estudar e/ou conhecer, mais profundamente a obra de Carl G. Jung

Local: Casa das Palmeiras
Rua Sorocaba, 800 - Botafogo
Inf.: Tel 2266-6465

Texto de Nise da Silveira


Jung dá máximo de valor à função criadora de imagens. Na sua psicoterapia, desenho e pintura são considerados fatores que podem contribuir para o processo de auto-evolução do ser.
Quando o neurótico já está em condições de sair do estado mais ou menos passivo de dependência das interpretações do analista, Jung o induz à ação, isto é, pede-lhe que desenhe ou pinte as imagens de sonho que mais o impressionaram. Não se trata de fazer arte – trata –se, na expressão de Jung, de “produzir uma eficácia viva sobre o próprio individuo”. “Dar forma material à imagem interna, obriga a considerar atentamente cada uma de suas partes que poderão deste modo desenvolver toda a sua força evocadora”. Correntemente, a pessoa detém-se sobre as imagens de seus sonhos apenas durante a sessão analítica. Logo depois é absorvida no tumulto cotidiano. As imagens esvaem-se. Outra coisa será tentar captá-las sobre o papel, lutando com pincéis e cores e tanto melhor quanto for o esforço e tempo dedicado a este trabalho. O indivíduo necessitará cada vez menos de seu analista. Descobre-se, por sua própria experiência, que a formação de uma imagem simbólica libera-o de uma condição de sofrimento e o ajuda a galgar outro nível de consciência, torna-se independente por auto criação, isto é, dando forma a suas imagens internas ele se modela simultaneamente a si mesmo.
O que acaba de ser dito refere-se a neuróticos e a todos aqueles que buscam o desenvolvimento de sua personalidade, a própria individuação.

Revista Quatérnio, 1973, págs. 131 e 132.
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Aqui na Casa das Palmeiras as produções plásticas são nomeadas, datadas, arquivadas e observadas em série nas supervisões. Material importante para estudos.
A Casa das Palmeiras é uma casa de convívio afetivo e social, de atividades expressivas, de pesquisa das imagens e de ciência.
Aos poucos a Casa está recuperando estruturalmente a filosofia e os princípios deixados por Nise da Silveira.
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quinta-feira, 3 de abril de 2008

Pintura

Claudia Tavares
Óleo sobre tela - 1980 / 49cm x 38cm

sábado, 29 de março de 2008

Depoimento de clientes


Casa e Sociedade se
juntam. É como se a Casa
das Palmeiras fosse uma
casa da vida, ensina a
pessoa a criar e a se
expandir melhor.

Quantos doentes mentais
estão soltos por aí e
pensam que estão bons.
São os piores! Nós aqui
estamos sabendo que
precisamos de recursos e
os piores são aqueles que
pensam que estão bons e
estão por aí prejudicando
a ordem e a evolução
natural das coisas.

A Casa das Palmeiras nos
dá a oportunidade de
mais liberdade, menos medo,
e logo naturalmente
mais saúde mental, mais
higiene mental.

A Casa das Palmeiras é
uma obra de fé.(...)
quando se está numa
situação meio difícil
que a gente não une uma
coisa com a outra, então
a pessoa acredita em nós
assim mesmo. E na nossa
situação, isto é muito
importante.

(Arquivo - painel na entrada da Casa das Palmeiras –5/5/1989)

quinta-feira, 27 de março de 2008

Sábado Cultural

- CASA DAS PALMEIRAS -
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TEATRO DO OPRIMIDO
http://www.ctorio.org.br/

O Centro de Teatro do Oprimido - CTO - Rio é um centro de pesquisa e difusão da metodologia do Teatro do Oprimido e tem a direção artística de Augusto Boal. A filosofia e as ações do CTO -Rio visam à democratização dos meios de produção cultural, como forma de expansão intelectual de seus participantes. Além da propagação do Teatro do Oprimido como meio, da ativação e do democrático fortalecimento da cidadania.

05/04/2008

Palestra com GEO BRITTO
(Ator e Curinga do T.O.)
Colaborador da Casa das Palmeiras em 1993/96
Exibição de DVD sobre o Teatro do Oprimido em Moçambique

Horário: Início às 16h00

Local: Casa das Palmeiras

Rua Sorocaba, 800 - Botafogo
Inf: Tel - 2266-6465 / 96662437

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sexta-feira, 21 de março de 2008

Desenho

Jair Gois - guache e lápis cera - 33cm x 49cm
Exposição Museu da República
40 anos de Estética na Casa das Palmeiras / 1997

sábado, 15 de março de 2008

VIII Que é a Casa das Palmeiras

(Final do texto de Nise da Silveira - Módulo VIII - Casa das Palmeiras - A Emoção de Lidar, Uma Experiência em Psiquiatria. Coordenado por ela. Ed. Alhambra, 1986).
30 anos de experiência - dança, representações mímicas, pintura, modelagem, música e outras atividades expressiavas.
O exercício de atividades poderá enriquecer-se de importante significação psicológica. Compreeder-se-á, por exemplo, o valor terapêutico que virá adquirir a proposta ao doente mais regredido de atividades vivenciadas e utilizadas pelo homem primitivo para exprimir suas violentas emoções.
Em vez dos impulsos arcaicos exteriorizarem-se desabridamente, lhe forneceremos o declive que a espécie humana sulcou durante milênios para exprimi-los: dança, representações mímicas, pintura, modelagem, música. Será o mais simples e o mais eficaz.

Apesar de muitas dificuldades nas nossas finanças e de uma agressão traiçoeira de gente da própria Casa, demos a volta por cima e, em compensação, recebemos espontâneos e generosos apoios de amigos.
A Casa das palmeiras cumpriu seu principal objetivo: evitar bastante o número de reinternações de seus clientes.
No Centro Psiquiátrico Pedro II, como vimos de início, a taxa de reinternações permaneceu quase a mesma durante os últimos 30 anos, isto é, das 28 admissões diárias, 16 são reinternações.
Acreditamos que a experiência da Casa das Palmeiras comprova a necessidade de instituições, em regime de externato, que sirvam de ponte entre os hospitais psiquiátricos e o meio social. Entretanto essa experiência piloto não despertou nenhum interesse no meio psiquiátrico.
Mas a Casa das Palmeiras prossegue sua caminhada. Completa agora em 1986, 30 anos de existência.
Nise
[Importante frisar que este texto de Nise da Silveira foi escrito em 1986 (aqui transcrito na íntegra) - grandes avanços foram feitos nas instituições da área da saúde. A Casa das Plameiras é exemplo piloto para o Brasil e exterior - permanece um pequeno território em regime aberto, livre e independente].
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segunda-feira, 10 de março de 2008

Pintura

Laercio, 1985 - óleo sobre tela - 39cm x 47cm.

sábado, 8 de março de 2008

VII Que é a Casa das Palmeiras

(continuação do texto de Nise da Silveira - Módulo VII - Casa das Palmeiras - Emoção de Lidar - 1986)
Psicologia C. G. Jung

Outra maneira de ver a terapêutica ocupacional que poderá conduzir a aprofundamentos teóricos terá como ponto de partida a psicologia junguiana.
Jung
, ele próprio, nunca explana diretamente qualquer teoria sobre este método terapêutico. Mas sua psicologia está impregnada de atividade e foi a partir de suas idéias que, principalmente, nos inspiramos.
Jung estuda a correlação entre imagens arquetípicas e instintos, pois, diz ele, não há instintos amorfos, cada instinto desenvolvendo sua ação de acordo com a imagem típica que lhe corresponde. Por que então deixar de utilizar a observação dos impulsos arcaicos que, não raro, irrompe nas psicoses e assim apreender às imagens as quais se acham interpenetrados, imagens essas que constituem a chave da situação psicótica de cada doente?
Escutando o doente, estudando suas pinturas e outras produções, o observador verificará que a matéria prima de seus delírios é constituída de idéias e imaginações arquetípicas, soltas ou agrupadas em fragmentos de temas míticos. Se o observador sofre da deformação profissional característica do médico, inclinar-se-á a ver nas criações da imaginação coisas inconsistentes ou patológicas e rotulará apressadamente essas idéias, imaginações e ações como material produzido pela doença. Mas, se tomar posição fora de dogmas preestabelecidos, irá defrontar processos psíquicos surpreendentes. Irá vislumbrar a estrutura mesma da psique, nos seus fundamentos e no seu dinamismo.
Foi o que fez Jung nos seus estudos psiquiátricos. A terapêutica ocupacional muito lucrará em aplicar esses estudos em profundeza e estendê-los no seu campo de trabalho.
Ainda outros dados. A psicoterapia junguiana tem por meta não só a dissolução de conflitos intrapsíquicos e de problemas interpessoais, mas favorece também o desenvolvimento de “sementes criativas” inerentes ao indivíduo e que o ajudam a crescer. Acontece que é justamente em atividades feitas com as mãos que, muitas vezes, se revela a vitalidade dessas “sementes criativas”, segundo presenciamos na Casa das Palmeiras.
Nos neuróticos esse fenômeno se apresenta freqüentemente. Jung escreve: “Se houver alto grau de crispação do consciente, muitas vezes só as mãos são capazes de fantasia”. Quando o ego não se acha muito atingido, a teoria das quatro funções de orientação da consciência no mundo exterior: pensamento, sentimento, sensação, intuição, se bem utilizadas em atividades que as mobilizem de acordo com suas deficiências, poderá ajudar bastante o individuo a obter melhor equilíbrio psíquico.
Parece-me que a psicoterapia conceda ainda muito pouco valor à ação orientada com objetivo terapêutico. Despreza um belo campo de pesquisa.
Aplicando à terapêutica ocupacional as descobertas de Jung abrem-se novas perspectivas para este método, tanto para neuróticos como para psicóticos.
(continuação do texto de Nise na próxima edição)

sábado, 1 de março de 2008

VI Que é a Casa das Palmeiras

(continuação do texto de Nise da Silveira - Módulo VI - Casa das Palmeiras - Emoção de Lidar- 1986)
Elementos da Natureza
Além do que foi dito, há ainda muitas coisas a estudar no exercício das atividades concernentes ao mesmo tempo à psicologia profunda e ao tratamento dos distúrbios emocionais.
Um dos temas teóricos preferidos por nós é o da natureza dos materiais usados nas atividades e as variações de adaptação e de preferência dos clientes pela manipulação desses materiais.
É curioso que haja sido um filósofo, Gaston Bachelard, quem abriu caminho para a pesquisa da importância psicológica dos materiais de trabalho. Ele investigou a atração preferente da imaginação criadora, em escritores e poetas, pelos elementos da natureza aos quais aqueles se achavam originariamente filiados: ou seja, que a imaginação procura uma substância de preferência para revesti-se: fogo, água, ar ou terra. Assim, revelam “segredos íntimos” (La terre et les révéries de la volonté). Bachelard, baseado nessas idéias, criou um novo tipo de crítica literária de grande repercussão, sobretudo na França. Mas transbordou da área da filosofia e da literatura para demonstrar a significação dos elementos da natureza na vida, no trabalho do homem normal e mesmo seu valor curativo para os distúrbios emocionais. “A saúde de nosso espírito está em nossas mãos”, escreve Bachelard (La terre et les révéries du repos): isto é, na manipulação dos elementos da natureza que convêm à nossa condição psicológica.
O psiquiatra Paul Sivadon teve o mérito de trazer para o campo da psiquiatria as idéias de Bachelard e de aplicá-las à terapêutica ocupacional.
Estudando as condições de adaptação do doente às diferentes atividades, Paul Sivadon foi levado a estabelecer nelas uma hierarquia dos materiais utilizados, baseados principalmente na sua maleabilidade ou resistência e na sua mutabilidade, ou seja, nas suas possibilidades maiores ou menores de transformação. Ele observou que os materiais são tão melhor aceitos quanto mais próximos estejam da natureza: plantas, animais; quanto mais dóceis: barro, fibras, madeira tenra: mais fecundos – de pequenas coisas sem valor construírem outras agradáveis à visão e mesmo úteis: mais mágicos – materiais que se transformam facilmente, tais como as tintas que saltam de tubos levemente apertados e que, misturadas a outras produzem cores diferentes: o barro, o gesso, maleáveis quando úmidos, mas que depois endurecem fixando formas.
(continuação do texto de Nise na próxima edição)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Desenho

Adail Prado - guache sobre papel - 48cm x 66cm
Exposição Museu da República
40 anos de Estética na Casa das Palmeiras / 1997

sábado, 23 de fevereiro de 2008

V Que é a Casa das Palmeiras

(continuação do texto de Nise da Silveira - Módulo V - Casa das Palmeiras - Emoção de Lidar - 1986)
Atividades Expressivas - mundo interno
É através dessas atividades que se pode conseguir maior penetração no mundo íntimo do psicótico. Assim, atribuímos especial importância às atividades expressivas individuais – pintura, xilogravura, modelagem, arranjo floral. Essas atividades permitem a expressão de vivências muitas vezes não verbalizáveis, fora do alcance das elaborações da razão e do pensamento. No conceito de Frieda Fromm Reichmann, a oportunidade que o indivíduo teve, quando doente, de descobrir as atividades expressivas e criadoras, de ordinários tão pouco acessíveis à maioria, poderá abrir-lhes novas perspectivas de aceitação social através da expressão artística ou simplesmente (o que será muito), muni-lo de um meio ao qual poderá recorrer sozinho para manter seu equilíbrio psíquico. (Remarks on the philosophy of mental disorder).
Estas afirmações não significam que deixem de ser praticadas na Casa das Palmeiras atividades de caráter mais pragmático, tais como tecelagem, marcenaria, etc., ou atividades de grupo, do tipo de jogos recreativos, festas, passeios, conjuntos musicais, grupo cultural, respeitada sempre, em todas estas atividades, as condições de cada cliente para maior ou menor relacionamento interpessoal.
A equipe da Casa das Palmeiras está sempre atenta para ler sem impertinência, ou melhor, apreender, o que transparece na face, mãos, gestos do cliente. Essa observação, seja nas atividades individuais ou de grupo, nos parece indispensável para que o cliente seja conhecido em maior profundeza e torne-se possível uma abordagem terapêutica mais segura. A emoção de lidar favorece mil oportunidades para essas observações.
(continuação do texto de Nise na próxima edição - o negrito é nosso)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

IV Que é a Casa das Palmeiras

(continuação texto de Nise da Silveira - Módulo IV - Casa das Palmeiras - Emoção de Lidar -1986)
Linha de pensamento - Emoção de Lidar

Certamente a terapêutica ocupacional não é aceita até hoje como um legítimo método terapêutico. Pois qual seria seu lugar no meio do arsenal constituído pelos choques elétricos que determinam convulsões; pela psicocirurgia; e agora, principalmente, pelos psicotrópicos administrados em doses brutais até coagirem o indivíduo numa camisa de força química? Um método que utiliza, como agentes terapêuticos, pintura, modelagem, música, trabalhos artesanais, logicamente seria, na época vigente, julgado ingênuo e quase inócuo. Valeria, quando muito, para distrair os clientes ou, em certas instituições psiquiátricas, torná-los produtivo em relação a sua economia.
Há várias linhas de pensamento que, apesar do descaso reinante, insistem em procurar fundamentação teórica para interpretar o método ocupacional. E várias denominações para designá-los – laborterapia, praxiterapia, método hiperativo, método reeducativo, ergoterapia e, finalmente, terapêutica ocupacional, termo preferido por ingleses e americanos. A expressão terapêutica ocupacional generalizou-se, embora seja pesada como um paralelepípedo. Preferimos dizer emoção de lidar, palavras usadas por um dos clientes da Casa das Palmeiras, pois sugere logo a emoção provocada pela manipulação dos materiais de trabalho, uma das condições essenciais para a eficácia do tratamento.
As teorias e seus nomes importam pouco. Todas podem ser úteis quando convém a cada caso em apreço.
Desde que o cliente esteja em condições psicológicas capazes para realizar o esforço necessário a produção de um trabalho utilitário, será perfeitamente aceitável o que diz Freud. “Nenhuma outra técnica vital liga o indivíduo tão fortemente à realidade como a realização do trabalho que, pelo menos, incorpora-o solidamente a uma parte da realidade, à comunidade humana. A possibilidade de deslocar para o trabalho profissional e para as relações humanas a estes vinculadas, grande parte das componentes narcisistas, agressivas e mesmo eróticas da libido, confere àquelas atividades um valor que não pode ser relegado a segundo plano.” (El malestar em la cultura).
Entretanto, se o ego está muito atingido, a utilização do trabalho com fins terapêuticos torna-se inaplicável. As atividades que envolvem as características do trabalho, só convêm a indivíduos capazes de manter corajosas e persistentes relações com o mundo externo. Teremos de ir ao encontro do doente nos pontos instáveis onde ele se acha ainda, a fim de ajudá-lo a fortalecer o ego de modo gradativo. Embora, no dizer de Frieda Fromm Reichmann, nem sempre o objetivo do tratamento, “será necessariamente aprender a levar uma vida convencional dentro dos padrões de ajustamento usados pela média dos chamados cidadãos sadios na nossa cultura”. (Remarks on the philosophy of mental disorder).
Muitos indivíduos estão apenas aptos para atividades nas quais cada ato tenha valor próprio e proporcione prazer imediato. Por esse motivo damos tanta ênfase às atividades expressivas e lúdicas.
Certamente todas as atividades são expressivas desde que se saiba observar como são executadas (seja a maneira de empunhar um serrote ou até o bater de um martelo). Mas se denominam especialmente atividades expressivas àquelas que melhor permitem a espontânea expressão das emoções, que dão mais larga oportunidade para os afetos tomarem forma e se manifestarem, seja na linguagem dos movimentos, dos sons, das formas e cores, etc.
(continuação do texto de Nise na próxima edição)

Desenho

Darcílio Lima - guache sobre papel - 33cm x 47cm



Exposição

Museu da República / 1997

II Colóquio Latino-Americano de Estética

40 anos de estética na Casa das Palmeiras


(desenho salvo do incêndio de 3/09/2006)


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Nise da Silveira, 15/02 /1905 - 30/10/1999


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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

III Que é a Casa das Palmeiras

(continuação texto de Nise da Silveira -Módulo III - Casa das Palmeiras - Emoção de Lidar -1986)
Ambiente, experiência e funcionamento

Convivendo com o cliente durante várias horas por dia, vendo-o exprimir-se verbal ou não verbalmente em ocasiões diferentes, seja no exercício de atividades individuais ou de grupo, a equipe logo chegará a um conhecimento bastante profundo de seu cliente. E a aproximação que nasce entre eles, tão importante no tratamento, é muito mais genuína que a habitual relação de consultório entre médico e cliente. A experiência demonstra que à volta a realidade depende em primeiro lugar de relacionamento confiante com alguém, relacionamento que se estenderá aos poucos a contatos com outras pessoas e com o ambiente. O ambiente que reina na Casa é por si próprio, assim pensamos, um importante agente terapêutico.
A Casa das Palmeiras é um pequeno território livre, onde não há pressões geradoras de angústia, nem exigências superiores às possibilidades de resposta de seus freqüentadores.
Nunca procurou a coleira de convênios. Optou pela pobreza e a liberdade.
As relações interpessoais formam-se de maneira espontânea entre uns e outros. Distinguir médicos, psicólogos, monitores, estagiários, clientes, torna-se tarefa ingrata. A autoridade da equipe técnica estabelece-se de maneira natural, pela atitude serena de compreensão, face a problemática do cliente, pela evidência do desejo de ajudá-lo por um profundo respeito à pessoa de cada indivíduo.
Portas e janelas estão sempre abertas na Casa das Palmeiras. Os médicos não usam jaleco branco, não há enfermeiras e os demais membros da equipe técnica não portam uniformes ou crachás. Todos participam ao lado dos clientes, das atividades ocupacionais, apenas orientando-os quando necessário. E também todos fazem em conjunto o lanche, que é servido no meio da tarde, sem descriminação de lugares especiais.
É utilizado, quando necessário, e isso é raro, o uso de psicotrópicos em doses reduzidas e individualizadas.
Essas normas inusuais existem desde a fundação da Casa, em 1956. Não contribuíram para fomentar desordem. Pelo contrário, seus efeitos criaram um favorável ambiente terapêutico para pessoas que já sofreram humilhantes discriminações em instituições psiquiátricas a até mesmo no âmbito de suas famílias; isso sem citar, por demais óbvias, as dificuldades que se erguem no meio social para recebê-los de volta.
A Casa das Palmeiras, comporta a freqüência de 30 a 35 clientes funcionando em regime de externato nos dias úteis, das 13 às 17h30. Assim o cliente não se desliga de sua família e do meio social com seus inevitáveis problemas que aprende aos poucos a superar, graças aos enriquecimentos adquiridos através das atividades praticadas na Casa e dos laços de convivência amiga que aí se formam.
(continuação texto do Nise na próxima edição)