Rua Sorocaba 800, CEP 22271-100, Botafogo, Rio de Janeiro, Brasil.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Ateliê Livre - - Casa das Palmeiras

             Feliz Ano Novo !!!
A Casa das Palmeiras está de férias -
Atenção
Por questões de eletricidade - estamos sem luz
Transferimos nossa atividade _ 
avisaremos
outra  data - feliz aberto à criatividade! 
  colagem 
 desenho

Dia 8 de janeiro de 2020
Ateliê Livre
Tarde de criatividade 
Desenho, Pintura, Colagem,
Modelagem e Jardinagem
__Casa das Palmeiras__
Das 14h às 17quarta-feira
Aberto para clientes e amigos/as da Casa
* entrada franca *
___Rua Sorocaba, 800 – Botafogo__
Informação _ janeiro: Martha - tel. 2242-9341
pintura
Atividade gratuita pedimos, sendo possível, que tragam:
Papeis – tipo canson ou vergê / Lápis pastel oleoso
Guache e/ou pinceis

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Feliz Natal 2019 ! Votos da Casa das Palmeiras

A Casa das Palmeiras numa bela 
confraternização comemora o Santo Natal - 
Nascimento da Criança Divina.
- o Papai Noel um símbolo de generosidade, acolhimento,
afeto com emoção de lidar.
Agradecemos ao trazer salgadinhos e sucos
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terça-feira, 5 de novembro de 2019

Nise da Silveira _ 20 anos de ausência _ eterna presença

Dia 8 _ sexta-feira próxima _ clientes, familiares, equipe da Casa das Palmeiras, amigos e amigas estarão reunidos em fraterno encontro ecumênico em memória da humaníssima, libertadora de grilhões que foi nossa querida Dra. NISE DA SILVEIRA.
Casa das Palmeiras, a partir das 15h.  Rua Sorocaba, 800 - Botafogo.
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terça-feira, 29 de outubro de 2019

Nise da Silveira _ eterna presença!

         Nise Magalhães da Silveira - 15 de fevereiro de 1905 / Maceió/Alagoas - 29 de outubro de 1999 / Rio de Janeiro, RJ.
         Hoje, à tarde, lembramos com profundo afeto a saudosa Doutora Nise da Silveira, na hora do lanche com todos presentes em harmoniosa confraternização.
      Há vinte anos que a saudosa Doutora Nise nos deixou.
      Em outras dimensões, instâncias, ela nos guia com seu imenso Amor Humano! 
                                   Nise Vive!
    Dia 8 de novembro, às 15h, haverá na Casa das Palmeiras uma singela homenagem à Dra. Nise, com encontro ecumênico. 
Informações: 2266-6465 (à tarde das 13h às 17h - durante a semana).
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domingo, 27 de outubro de 2019

Relato de Abraham Palatinik sobre Nise da Silveira

        Dando continuidade às homenagens à querida e inesquecível Nise da Silveira
- 15 de fevereiro de 1905 - 29 de outubro de 1999 - Relato memória - artista plástico   
                                         Abraham Palatinik

      O primeiro contato que tive com os artistas do Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro ocorreu em 1948, por intermédio de Almir Mavignier, e teve para mim importante e surpreendente desdobramento, De um lado, recepção carinhosa da Dra. Nise da Silveira, apresentando-me os artistas e seus trabalhos, ao mesmo tempo que explicava o espírito e a filosofia de sua atuação; do outro, minha absoluta perplexidade diante daquilo que estava presenciando. Foi um impacto que demoliu minhas ideias e convicções em relação à arte.
     Embora tivesse apenas 20 anos de idade, considerava-me um artista consciente, coerente e seguro daquilo que fazia. Diante dos trabalhos de Emygdio, Raquel, Carlos, Diniz, Isaac e outros, entretanto, tiveram a prova e percebi a extraordinária riqueza e potencial criativo imerso em seus subconscientes, e inevitavelmente comecei a comparar e questionar profundamente aquelas minhas convicções à luz da criatividade espontânea desses artistas. A confiança no meu aprendizado e atuação durante quatro anos num ateliê livre de artes plásticas estava desmoronando. A coerência estava com Diniz, com Carlos, com Emygdio; a poesia com Raquel, com Isaac. Fundiam-se imagens e linguagem. Os elementos determinantes da figura e da cor não obedeciam a critérios escolares de composição, sendo na verdade, regidos por códigos outros, relacionados às forças poderosas advindas do inconsciente, códigos esses que viriam a ser exaustivamente estudados e decifrados por Dra. Nise.
      Fascinado e desnorteado, fui pouco a pouco percebendo a importância de conhecer e compreender outros aspectos da forma e da percepção que não aquelas tradicionais, e através do precioso contato com Mário Pedrosa terminei por concluir que era na essência da forma que se armazenava o potencial para atingir os sentidos, cabendo ao artista, enfim, disciplinar a ordem e o caos. A partir daí, desencadeei pesquisas e experiências no campo da luz e do movimento, visando resultados estéticos fora dos padrões usuais e das técnicas consagradas.
    Até hoje me surpreendo, enfim, com a eloquência dos princípios estéticos dos artistas do Centro Psiquiátrico do Engenho de dentro, e com a incontestável autenticidade e beleza de seus trabalhos. Por não estarem contaminados com tendências, influências, receitas e teorias, e a despeito de sua esquizofrenia - e mesmo de uma certa forma beneficiados por ela, por que não dizer! – estamos livres para usar em sua obra aquela fantástica, poderosa e até então aprisionada riqueza de vivências e imagens, com seus símbolos e arquétipos, emergindo do inconsciente com a força, superioridade e presença suficientes para suprir a necessidade vital de se comunicar.

Depoimento publicado na revista Quaternio de 2001 - Grupo de Estudos C. G. Jung / Homenagem à Nise da Silveira.
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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Carlos Drummond escreve sobre Nise da Silveira

          Em 1975, nosso grande poeta - escritor e pensador - Drummond de Andrade se colocou em total apoio à mestra e precursora Dra. Nise da Silveira, em razão da preservação da Obra desta admirável mulher, acima de seu tempo. 
 - Nise da Silveira (15/02/1905 - 29/10/1999) 

                             A  Doutora  Nise*
                                Carlos Drummond de Andrade

       Há visível engano nos registros burocráticos referentes à funcionária federal, Nível 22-A, Dra. Nise da Silveira. Segundo os papéis oficiais, a aludida servidora atingirá, no próximo dia 10 de janeiro, a idade-limite que determina aposentadoria compulsória. A contagem deve estar certa, se baseada em certidão de nascimento. Mas cumpre excluir do total 15 meses em que a Dra. Nise não trabalhou nem viveu a vida normal, pois esteve presa. Seria justo descontar-lhe da idade esse tempo vazio, por um lado, e cheio de angústia, por outro. Graciliano Ramos, nas Memórias do Cárcere, dá testemunho da passagem da Dra. Nise pelo túnel da prisão política, de resto injusta, pois o Tribunal de Segurança acabou por absolvê-la de imaginários crimes. Não lhe  restituiu, porém, o ano e tanto de vida sequestrada, durante o qual, no dizer de Graciliano, fugia-lhes às vezes a  palavra e um desassossego verdadeiro transparecia no rosto pálido, os grandes olhos moviam-se tristes. Atravessando o túnel, era como se ela não existisse mais, tanto que, classificada em 4º lugar no concurso, viu nomeados todos os candidatos até o 3º lugar, com exclusão de sua pessoa. Nise na compulsória? Corrijam os números, senhores escriturários, pois tudo isso conta, e muito, existencialmente.
    Não contou foi no íntimo de Nise da Silveira, para torná-la criatura amarga e revoltada, que daí por diante abominasse o gênero humano. Pelo contrário. Restituída à atividade médica especializada, em cargo público que na aposentadoria lhe proporcionará os proventos de Cr$ 1 mil 740, dedicou-se a uma obra em que o interesse científico é amalgamado com o interesse humano, e toda pesquisa envolve amor ao ser – o ser distanciado da imprecisa fronteira do normal - o fechado em si, o supostamente ininteligível, o  esquizofrênico. Nise debruçou-se sobre a mente cheia de mistério dos que não participavam do nosso modo comum de viver e exprimir-se, e em cerca de 30 anos de observação, estímulo e carinho, extraiu deles alguma coisa profundamente comovedora e de enorme interesse psicológico.
    Seu Serviço de Terapia Ocupacional abriu um caminho para a interpretação de valores obscuros, em potencial no espírito atormentado: o caminho da criação artística. Sem pretensão de formar criadores no sentido que lhes atribui a disciplina estética. Sem querer aumentar o catálogo de nossos pintores, escultores, gravadores. Nise interroga o inconsciente e consegue que dele aflorem as representações artísticas espontâneas, prova de que nem tudo em seus autores é caos ou aniquilamento: perduram condições geradoras de uma atividade bela, a serem devidamente estudadas visando ao benefício do homem futuro, tornando mais transparente em suas grutas interiores.
    Resultado desse trabalho que seduziu outros psiquiatras e discípulos, levando-os a cooperar com a frágil e forte pessoa de Nise, é o Museu de Imagens do Inconsciente, sobre cuja sorte pairam hoje interrogações: não o estando ainda integrado legalmente na estrutura do Ministério da Saúde, embora portaria ministerial de 1973 lhe reconhecesse a existência, que será dele, com a aposentadoria de Nise? Irá vegetar, marcar passo, regredir, acabar melancolicamente?
    Para evitar que isto aconteça, fundou-se a sociedade Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente. Não é comum ver-se um funcionário que se aposenta suscitar iniciativa dessa ordem para preservar-lhes as realizações no serviço público. Deve ser mesmo caso único. Para se justificarem como entidade, os amigos do Museu, que são os amigos de Nise, precisam ficar atentos e ativos, não deixando que tal instituição seja roída pela indiferença burocrática. Os museus não valem como depósitos de cultura ou experiência acumuladas, mas como instrumentos geradores de novas experiências e renovação. Só assim deve ser  entendido o maravilhoso acervo de obras recolhidas ao museu que é alma e vida de Nise.
    Do contrário, é o caso de apelar para sua criadora, esquecendo-lhe a aposentação compulsória, no verso do cantor maranhense:
   Nise? Nise?  Aonde estás? Aonde? Aonde?

 *Jornal do Brasil, 4 de janeiro de 1975.
www.carlosdrummond.com.br
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segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Quaternio - Revista-livro-memória - Nise da Silveira

Nise da Silveira - 1905, Alagoas -Maceió -1999, Rio de Janeiro - RJ.
                  QUATERNIO - Revista do Grupo de Estudos C. G. Jung - Homenagem à Nise da Silveira, 2001 – à disposição / venda. 


Sumário - A obra científica
- Nise da Silveira: a Paixão pelo Inconsciente (MII).
- Grupo de Estudos e Pesquisas do Museu de Imagens.
- A Casa das Palmeiras.
- O Grupo de Estudos C. G. Jung.
- Sociedade de Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente.
Publicações comentadas
- Obra de Nise – sete artigos de colaboradores na obra de Dra. Nise.
Memorial de pessoas que trabalharam ou conviveram com Dra. Nise
Depoimentos de Abraham Palatinik, Álvaro Gouvêa, Carlos Drummond de Andrade (artigo/jornal), Arthur da Távola,  Bernardo Horta, Domitilla do Amaral, Fauzi Arap, Franklin Chang, Frei Betto, Leon Bonaventure, Marcos Magalhães, Martha Pires Ferreira, Themira Brito, Vanna (Leonardo da Vinci), Vera Macedo, Wilson Coutinho, relatos de clientes – Casa das Palmeiras e muitos outros.
Informações bibliográficas de Nise da Silveira e referências.

Informações - Casa das Palmeiras. Valor: R$ 60,00 (correio adicionar R$ 10,00).  
Tel. (21) 2266-6465 (Sra. Cléia). Rua Sorocaba, 800 – Botafogo (das 13h30 às 17h).

Depósito bancário / compra do QUATERNIO / com envio de comprovante –
Casa das Palmeiras –
Banco Itaú - Agência 9161 Núm. 09906-5.
CNPJ – 33.808.486/0001-48
Atenção - O Grupo - GECGJ - resistente desde sua origem, 1955 (registrado em agosto de 1968), se mantém atuante e vivo, a cada quinze dias, alojado na Casa das Palmeiras, sempre às quartas-feiras. 
Palavras de Frei Betto - contra capa.
Clicar para ler texto. 
Gravura e palavras de José Paixão: 
"Dra. Nise é uma árvore que soube crescer com galhos para todos os lados.
É uma grande árvore sempre com frutos novos.
Velhas folhas "caem" e outras novas vão nascendo.
Ela é quase uma divindade, seu trabalho é um trabalho divino".
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Arthur da Távola - ex-presidente da Casa das Palmeiras
NISE DA SILVEIRA      Arthur da Távola    para o QUATERNIO.
Nise gigante de metrimeio. Nise tinhosa, valente, aguda. Nise terna. Nise felina, arquetípica: “Grande Mãe” com alma de “Puer Aeternus”. Nise memória do cárcere que libertou das ditaduras da psiquiatria tradicional. Nise da aventura maravilhosa de curar. Nise que foi: mais cáctus que manga; mais mel que coca-cola; mais verdade que vacilação; mais queijo de coalho que cammembert; mais Beethoven que Chopin; mais Chaplin que Cecil B. de Mille; mais pífano que harpa; mais franqueza que medo; mais humildade que modéstia.
Nise concreta, Nise brava e forte na fragilidade maior da feminilidade imponente.
Nise mandacaru sempre florido por agudeza e percuciência, expressão estética da ética maior do ser tornado igual.
Nise alma de santa em estilo guerreiro, mescla de forças abissais com sutilezas orientais.
Nise hostil às formas de poder não oriundos do saber. Nise sacerdotiza dos gatos com quem aprendemos a sabedoria milenar do instinto e a rara civilização do sutil. Nise dos cães, seus terapeutas que ajudaram esquizofrênicos a se manifestar e a trazerem de seu pulcro mundo oculto, tanto belezas quanto a possibilidade de alcançar universos que os chamados sadios jamais vislumbrarão.
Nise exação em pessoa como servidora pública exemplar; para quem servir era o único escopo da atividade.
Nise terapeuta ágil, leal e profunda a encadear nas imagens do inconsciente as descobertas de eras imemoriais e do patrimônio comum à humanidade. Nise do inconsciente coletivo, do self anima casado com animus, velho sábio amigo do herói, memória da célula. Nise da arqueologia da mente e dos elos cósmicos além dos racionalismos que infelicitaram o século XX. Nise veraz, luz, claridade, franqueza, ordem direta, o fim da evasiva, o começo da verdade, a verdade final, afinal a verdade. Nise intrépida, retilínea, indômita e audaz. Exemplo de vida!
Nise mãe geral de um Brasil menino e enfermo, pobre e desvalido. Obreira da grandeza civil, desbravadora dos continentes internos, antropóloga das profundezas. Nise asceta, seiva viva, anciã de todas as juventudes, jovem de todas as eras. Nise pássaro, graúna azul, olhar raio x, aguda percepção da falsidade alheia tanto quanto da verdade e do bem igualmente moradores na alma do ser. Nise áspera se necessária e seixo de rio sempre que encontrava alma irmã. Nise Brasil, Nise elo de gerações, marca da capacidade humana de ser, crescer, criar, ousar, aventurar-se no caminho maior da entrega da vida ao bem da humanidade.           
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