Rua Sorocaba 800, CEP 22271-100, Botafogo, Rio de Janeiro, Brasil.

domingo, 30 de setembro de 2012

Mostra de Trabalhos na Casa das Palmeiras


Neste mês, setembro de 2012, organizamos duas tardes, nos sábados, com familiares para Mostra de Trabalhos realizados pelos clientes na Casa das Palmeiras.
A agradável troca de ideias foi o melhor para todos. Acompanhado de um simples lanche, no bom convívio fraternal.
Alegria e diálogos prazerosos com a feliz Mostra da produção criativa e espontênea, para os pais na presença de seus filhos, e de outras pessoas que acompanharam com olhar atento a riqueza das imagens.
A oportunidade dos pais, verem os trabalhos com tempo e serenidade, contemplar e indagar sobre a produção foi algo muito importante e esclarecedor. E todos ganharam com isso.
Os clientes se orgulham em mostrar e falar sobre sua obra. cada um teve sua vez de se colocar com dignidade.
Os pais queriam saber como seus filhos produzem, se comportam, se expressam. Todos afirmam o quanto seus filhos amam e gostam de frequentar a Casa.
Alguns clientes vieram sozinhos, seus familiares não puderam comparecer. Eles mesmos mostraram suas obras com satisfação.


Conversamos, também, sobre a participação nas outras atividades expressivas; teatro, grupo cultural, floral, lanche, passeios, modelagem, colagem, círculo filosófico, jardinagem, música, etc.
As atividades expressivas são representações sadias que emergem das profundezas do ser.
Trabalhos em nanquim, lápis de cor e hidrocor, lápis cera oleoso e guache._____

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Atividade de Música na Casa das Palmeiras


          Atividade de Música na Casa das Palmeiras tem como finalidade oferecer um espaço próprio para esta expressão criadora. Atividade que se mantém desde a sua fundação, 1956. Todos são convidados a participarem, clientes e colaboradores, a fim de formar um grupo onde a música espontânea tem seu lugar.
          Estão à disposição, para que a melodia e o ritmo se faça o melhor possível, diversos instrumentos; a percussão, o pandeiro, as cordas dos violões, o sopro, etc. Importante os sons obtidos pela palma das mãos e da voz através do canto. Variações muitas, agradáveis aos ouvidos e aos sentidos.
          As pessoas se reúnem em círculo; tocam e cantam músicas de sua preferência, músicas lembradas ou escolhidas do acervo da Casa. Novidades, sugestões, sempre acontecem.
          Acima do simples entretenimento, esta atividade tem como objetivo a terapêutica ocupacional; a harmonia e autoestima internas, a expressão afetiva e criativa, assim como, desenvolver o sentido do ritmo e da melodia realizados num trabalho em equipe, e que, realmente, é excelente para a memória – através da organização do pensamento musical.
          O trabalho se dá de maneira que os clientes possam levar as lembranças das realizações vividas, e que as mesmas se interliguem com as demais. Tudo deve se harmonizar entre as várias opções criativas, como um todo interdisciplinar.
          Algumas músicas como “Emoções” do Roberto Carlos, “A banda" de Chico Buarque ou "A Praça" de Carlos Imperial são lembradas com certa constância, fazendo parte da preferência de alguns clientes. Composições deles mesmos acontecem.
         Nesta atividade, aproveitamos para ensaiar as músicas, e, organização do Coral, que serão apresentadas nos dias de Festas, quando a Casa, com alegria, recebe familiares, sócios e amigos, antigos estagiários/estagiárias e colaboradores. 
          Comemoram-se com muita música as datas festivas do Carnaval e da Páscoa (nestas só participam os usuários e a equipe da Casa). Aberta ao para todos são as festas de São João/Junina, da Primavera e do Natal.
           A Música è uma das atividades mais frequentada pelos clientes. A Música por sua descontração, seriedade e alegria natural envolve a todos que tocam e cantam com empolgação. Por vezes, o envolvimento nesta atividade é tão apaixonante que se estende para além do horário de fechamento da Casa._______  Texto e fotos: tarde de setembro de 2012.

domingo, 9 de setembro de 2012

Nise e a produção plástica


Desenhos - caneta hidrocor, lápis cera e de cor.

Nise sobre a produção plástica - Imagens

“Desenho e pintura não só constituem excelente meio de pesquisa, mas igualmente são instrumentos da maior importância na terapêutica junguiana das neuroses”.

“Certamente será muito válido interpretar e compreender as produções da imaginação – sonhos, fantasias – nos distúrbios emocionais. Mas o caminho da interpretação emocional não é o único caminho. Há também, segundo Jung, o método que sugere ao indivíduo a tentativa de dar forma visível às imagens internas que surgem em meio dos tumultos das emoções. Exprimir as emoções pela pintura será excelente método de confrontá-las. Não importa que essas pinturas sejam de todo desprovidas de qualidade estéticas. O que importa é proporcionar à imaginação oportunidade de desenvolver livre jogo e que o individuo participe ativamente dos acontecimentos imaginados”.

“Não se trata de fazer arte, diz Jung, mas de produzir um efeito sobre si próprio. Aquele que até então permanecia passivo, agora começa a desempenhar uma parte ativa. Lançando sobre o papel as imagens que viu passivamente, realiza um ato deliberado. Há grande diferença entre falar sobre imagens de sonhos e fantasias durante uma sessão analítica, e lutar durante horas com pinceis e tintas para dar forma a imagens fugidias. Cedo o indivíduo verifica que o ato de pintar o libera de estados psíquicos de muito sofrimento. Passará a recorrer espontaneamente a este método e assim irá se tornando independente de seu médico. Dando formas às imagens internas, simultaneamente, ele se modela a si mesmo”. (Jung C. W. 16, p 48)

“Jung atribui à pintura função terapêutica. Por intermédio da pintura, ‘o caos aparentemente incompreensível e incontrolável da situação total é visualizado e objetivado (...). O tremendum é exorcizado pelas imagens pintadas, torna-se inofensivo e familiar e, em qualquer oportunidade que o doente recorde a vivência original e seus efeitos emocionais, a pintura interpõe-se entre ele e a experi6encia, e assim mantém o terror à distância’. (C. W. 3, p. 260)”.

(...) “Os processos de autocura serão favorecidos se o doente sentir-se livre no atelier, não se admitindo coações de qualquer espécie nem a presença importuna de curiosos”.
Nise da Silveira - Imagens do Inconsciente – pgs 134, 135 -1981, Alhambra, RJ.
~~~~ Desenhos - acervo da Casa das Palmeiras ~~~~

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Palavras de Jung e mãos criativas

“Só espero e desejo que ninguém se torne ‘junguiano’. Eu não represento nenhuma doutrina, mas escrevo fatos e apresento certos pontos de vista que julgo merecedores de discussões. (...) Não advogo nenhuma doutrina pronta e fechada e abomino ‘partidários cegos’. Deixo a cada um a liberdade de lidar a seu modo com os fatos, pois eu também tomo esta liberdade para mim”, C. G. Jung.
[Em carta resposta ao Dr. J.H. van der Hoop, Amsterdã. Este havia escrito que lhe interessava a própria liberdade de idéias e: “Não posso dizer se algum dia poderei tornar-me junguiano.”] C.G. Jung / Cartas / 1946 -1955 - Vol. II. Editora Vozes.
jardinagem

Doutora Nise costumava dizer que possuía, como as costureiras, várias tesouras, mas dava preferência a uma, em especial. Estava se referindo aos métodos de C. G. Jung.
modelagem
A Casa das Palmeiras segue a linha de pensamento, ideias e métodos, desenvolvidos por C. G. Jung e por Nise da Silveira. Entretanto não está amarrada a correntes. As muitas atividades criadoras expressivas e o calor humano no convívio solidário são a alma da Casa desde sua fundação - 1956.
piano
 
crochê 
floral
"Um chapeu para cada cabeça e não o mesmo para todas as cabeças", Nise da Silveira
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domingo, 19 de agosto de 2012

Grupo de Estudos C. G. JUNG


“Todo ser tende a realizar o que existe nele em potencial, a crescer, completar-se." Nise da Silveira 
S.- guache / papel - (rosto feminino de Deus)
S. - técnica mista / papel (acervo - Casa das Palmeiras)

O Grupo de Estudos C. G. Jung, dando continuidade aos estudos da obra de Nise da Silveira 
 O Mundo das Imagens
Metamorfoses e Transformações.
Casa das Palmeiras
Quarta -feira 5 e 19 de setembro
C.G. JUNG na vangarda de nosso tempo
3 de outubro
 das 19h às 20h40
Rua Sorocaba, 800 – Botafogo
informações Tel. 2266-6465 // 2242-9341
Aberto ao público -
C. P. lápis cera/papel, 1976.

Palavras de Nise da Silveira - O Mundo das Imagens:
“O fenômeno da metamorfose permeia todas as áreas da produção imaginativa do homem. Não poderá, portanto, deixar de possuir profunda significação psicológica. Insistira sobre o lado secreto que une na profundeza todas as coisas – pedra, vegetal, animal, homem, deus? Dará configuração a aspectos da psique que se mantém ocultos nas cavernas da sombra? E quantas coisas mais dirá em linguagem simbólica?”
O.I. lápis de cor/papel, 1974.
“Todo ser tende a realizar o que existe nele em potencial, a crescer, completar-se. É o que acontece à semente do vegetal e ao embrião do animal. O mesmo acorre ao homem, quanto ao corpo e quanto à psique. Mas no homem, embora o desenvolvimento de suas potencialidades seja impulsionado por forças instintivas inconscientes, adquire provavelmente caráter peculiar. O homem será capaz de tomar consciência nítida desse crescimento e mesmo de influenciá-lo. Esse crescimento, muitas vezes difícil e até doloroso, caminha na busca de complementação da personalidade específica de cada um, isto é, daquilo que G. Jung denomina processo de individuação”.
O. I. lápis de cor/papel, 1976.
"É um processo lento. Não adianta pretender acelerá-lo artificialmente. Talvez apenas ajudá-lo na remoção de obstáculos e criação de condições favorecedoras. Jung relata que, várias vezes, encontrou antigos analisados, que não via desde muitos anos e, entretanto, continuavam a ampliar seu desenvolvimento”.
“Jung trabalhava como um empirista de olhar excepcionalmente penetrante. Foi assim que apreendeu, através dos sonhos de seus clientes, não só o processo de individuação que cada um buscava realizar por caminhos não lineares, mas um surpreendente paralelo entre esse processo e o opus alquímico”.
~~~~~~~~~ as imagens são do livro O mundo das Imagens. Os originais estão no Museu de Imangens do Inconsciente.
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domingo, 12 de agosto de 2012

Nise da Silveira - Ensaio de 1967


O que impressionava na Doutora Nise da Silveira era a voz tranquila, serena e segura, de quem transmitia convicções bem sedimentadas. (...) Nise da Silveira não tinha uma clínica particular: dedicou todo o seu trabalho à terapêutica ocupacional do Centro Psiquiátrico (federal, naquela ocasião) e da Casa das Palmeiras, sociedade beneficente que vivia do que os doentes podiam doar, das contribuições dos sócios e das festinhas que ela mesma organizava. A Casa se mantém com doações até os dias de hoje. Como a Doutora mesma relatou, a Casa das Palmeiras era, naquele tempo, parcialmente administrada pelos doentes.

Palavras de Nise da Silveira:
“Sempre me pareceu inteiramente sem importância fazer um diagnóstico e pôr um rótulo numa pessoa. Esquizofrenia... esquizofrenia... esquizofrenia. Isso não diz nada. O fundamental é o encontro com aquela pessoa. A certa altura, me pareceu que a esquizofrenia não é uma doença pròpriamente dita, com as características clássicas das doenças. A esquizofrenia resulta de cisões internas e rupturas com o mundo exterior, causadas por situações extremas, demasiado fortes para certos indivíduos. São eles, na maioria, frágeis para suportar o que nós outros suportamos - talvez até por serem melhores do que nós.
Em 1946, ao ser transferida para o Instituto de Psiquiatria no Engenho de Dentro, organizei o Serviço de Terapêutica Ocupacional. Embora o serviço conste de vários setores, como marcenaria, sapataria e outros ofícios, sempre dei muita ênfase às atividades criadoras. Assim a pintura e a modelagem ocupam lugar de destaque em nossa terapêutica ocupacional. Mesmo nas outras atividades, procuro deixar a mais larga margem possível à iniciativa pessoal, evitando sempre moldes fixos e repetições. Uma coisa que logo verifiquei: a pintura, que de início julgava apenas um caminho de acesso ao mundo interior do doente - uma porta para ver o que acontecia por dentro - era na verdade, em si própria, um agente terapêutico. Lidando com as imagens do inconsciente, o doente pode confrontá-las e despotencializá-las da força desintegradora que elas possuem, das ameaças que encerram. Vi doentes melhorarem sem nenhum tratamento, somente modelando e pintando.
Vi, por exemplo, um rapaz altamente dotado, que teve de ser internado quando estava terminando o curso complementar. Ele foi espatifado por dentro e rompeu suas relações com o mundo exterior. Vi-o reorganizar-se através da pintura. De início, pintava um amontoado de objetos díspares, inteiramente desorganizados, sem nenhuma estruturação do espaço. Pouco a pouco, por assim dizer, foi retirando esses objetos daquele caos, enquadrando, destacando, isolando. Ele arrumou, então, a sala da casa onde gostaria de morar. Mas, para chegar aí, fez centenas de pinturas, mostrando de início somente soalhos, dando grande ênfase aos rodapés. Depois, punha sobre o piso um aquário, um piano, uma mesa, até que pudesse agrupar todos esses objetos numa estrutura organizada. Ele saiu, realmente, do caos, porque dispunha dessa maneira de se apropriar dos objetos e de situá-los organizadamente no mundo real”.
- O grifo é nosso. Minha vida na Casa da Solidão - ensaio assinado por Nise da Silveira - Revista Manchete, junho de 1967, Rio de Janeiro.
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Produções recentes 
L.R. Bico de pena/nanquim

C. Lápis cera oleosoCl. Lápis cera oleoso
R. Guache.
Produções da Casa das Palmeiras - Ateliê vivo de desenho e pintura.
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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Coração que sangra na Cruz


F. lápis cera e lápis de cor, papel A4.
Coração sangrando no centro da Cruz.
Desenhos do arquivo da Casa das Palmeiras.
- Trabalho realizado no ateliê em 1997. O coração que sangra nos remete à uma identificação com o Cristo. O autor é pessoa com formação cristã e vive com profundos problemas da psique e das emoções. Há uma série de desenhos dele sobre a Cruz, incluindo as Celtas. As cruzes mais recentes são simples, sem as conotações de sofrimento tão agudo. Este cliente mais em harmonia consigo mesmo, convive melhor em seu ambiente social, passou a frequentar outros grupos externos. Não perdeu os vínculos com a Casa das Palmeiras e os amigos que fez. Por vezes, vem à Casa, "pequeno território livre", para trabalhar um pouco e compartilhar na hora do lanche, em fraterna convivência. Pessoa sensível, sempre inquieta e sabendo lhe dar melhor com o seu lado áspero. Tem a liberdade de chegar à Casa, comprimentar a todos, entrar na sala de pintura, fazer um único trabalho e se retirar. "Desenhar me deixa mais tranquilo, é bom. Gosto de desenhar" - é o que nos disse. É sempre bem acolhido por ser eterno Amigo da Casa.
F. Cruz Celta,
lápis de cores marron claro e alaranjado, papel A4, 2011.
Raios de luz nos quatro lados da cruz 
Nise da Silveira: “A cruz é um símbolo ascensional. Segundo várias concepções religiosas, é ponte ou escada pela qual os homens chegam a Deus”. (...) “Nas viagens em profundeza percorridas nessas trajetórias abissais poderemos encontrar configurações do arquétipo da cruz, pagãs ou cristãs, ficando assim comprovada a vitalidade dessa imagem arquetípica”. (Mundo das Imagens, ed. ática, 1992).
R. Pinceladas espontâneas do incosnciente  formando uma cruz - tinta plástica sobre papel. _________