Rua Sorocaba 800, CEP 22271-100, Botafogo, Rio de Janeiro, Brasil.

domingo, 19 de agosto de 2012

Grupo de Estudos C. G. JUNG


“Todo ser tende a realizar o que existe nele em potencial, a crescer, completar-se." Nise da Silveira 
S.- guache / papel - (rosto feminino de Deus)
S. - técnica mista / papel (acervo - Casa das Palmeiras)

O Grupo de Estudos C. G. Jung, dando continuidade aos estudos da obra de Nise da Silveira 
 O Mundo das Imagens
Metamorfoses e Transformações.
Casa das Palmeiras
Quarta -feira 5 e 19 de setembro
C.G. JUNG na vangarda de nosso tempo
3 de outubro
 das 19h às 20h40
Rua Sorocaba, 800 – Botafogo
informações Tel. 2266-6465 // 2242-9341
Aberto ao público -
C. P. lápis cera/papel, 1976.

Palavras de Nise da Silveira - O Mundo das Imagens:
“O fenômeno da metamorfose permeia todas as áreas da produção imaginativa do homem. Não poderá, portanto, deixar de possuir profunda significação psicológica. Insistira sobre o lado secreto que une na profundeza todas as coisas – pedra, vegetal, animal, homem, deus? Dará configuração a aspectos da psique que se mantém ocultos nas cavernas da sombra? E quantas coisas mais dirá em linguagem simbólica?”
O.I. lápis de cor/papel, 1974.
“Todo ser tende a realizar o que existe nele em potencial, a crescer, completar-se. É o que acontece à semente do vegetal e ao embrião do animal. O mesmo acorre ao homem, quanto ao corpo e quanto à psique. Mas no homem, embora o desenvolvimento de suas potencialidades seja impulsionado por forças instintivas inconscientes, adquire provavelmente caráter peculiar. O homem será capaz de tomar consciência nítida desse crescimento e mesmo de influenciá-lo. Esse crescimento, muitas vezes difícil e até doloroso, caminha na busca de complementação da personalidade específica de cada um, isto é, daquilo que G. Jung denomina processo de individuação”.
O. I. lápis de cor/papel, 1976.
"É um processo lento. Não adianta pretender acelerá-lo artificialmente. Talvez apenas ajudá-lo na remoção de obstáculos e criação de condições favorecedoras. Jung relata que, várias vezes, encontrou antigos analisados, que não via desde muitos anos e, entretanto, continuavam a ampliar seu desenvolvimento”.
“Jung trabalhava como um empirista de olhar excepcionalmente penetrante. Foi assim que apreendeu, através dos sonhos de seus clientes, não só o processo de individuação que cada um buscava realizar por caminhos não lineares, mas um surpreendente paralelo entre esse processo e o opus alquímico”.
~~~~~~~~~ as imagens são do livro O mundo das Imagens. Os originais estão no Museu de Imangens do Inconsciente.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

domingo, 12 de agosto de 2012

Nise da Silveira - Ensaio de 1967


O que impressionava na Doutora Nise da Silveira era a voz tranquila, serena e segura, de quem transmitia convicções bem sedimentadas. (...) Nise da Silveira não tinha uma clínica particular: dedicou todo o seu trabalho à terapêutica ocupacional do Centro Psiquiátrico (federal, naquela ocasião) e da Casa das Palmeiras, sociedade beneficente que vivia do que os doentes podiam doar, das contribuições dos sócios e das festinhas que ela mesma organizava. A Casa se mantém com doações até os dias de hoje. Como a Doutora mesma relatou, a Casa das Palmeiras era, naquele tempo, parcialmente administrada pelos doentes.

Palavras de Nise da Silveira:
“Sempre me pareceu inteiramente sem importância fazer um diagnóstico e pôr um rótulo numa pessoa. Esquizofrenia... esquizofrenia... esquizofrenia. Isso não diz nada. O fundamental é o encontro com aquela pessoa. A certa altura, me pareceu que a esquizofrenia não é uma doença pròpriamente dita, com as características clássicas das doenças. A esquizofrenia resulta de cisões internas e rupturas com o mundo exterior, causadas por situações extremas, demasiado fortes para certos indivíduos. São eles, na maioria, frágeis para suportar o que nós outros suportamos - talvez até por serem melhores do que nós.
Em 1946, ao ser transferida para o Instituto de Psiquiatria no Engenho de Dentro, organizei o Serviço de Terapêutica Ocupacional. Embora o serviço conste de vários setores, como marcenaria, sapataria e outros ofícios, sempre dei muita ênfase às atividades criadoras. Assim a pintura e a modelagem ocupam lugar de destaque em nossa terapêutica ocupacional. Mesmo nas outras atividades, procuro deixar a mais larga margem possível à iniciativa pessoal, evitando sempre moldes fixos e repetições. Uma coisa que logo verifiquei: a pintura, que de início julgava apenas um caminho de acesso ao mundo interior do doente - uma porta para ver o que acontecia por dentro - era na verdade, em si própria, um agente terapêutico. Lidando com as imagens do inconsciente, o doente pode confrontá-las e despotencializá-las da força desintegradora que elas possuem, das ameaças que encerram. Vi doentes melhorarem sem nenhum tratamento, somente modelando e pintando.
Vi, por exemplo, um rapaz altamente dotado, que teve de ser internado quando estava terminando o curso complementar. Ele foi espatifado por dentro e rompeu suas relações com o mundo exterior. Vi-o reorganizar-se através da pintura. De início, pintava um amontoado de objetos díspares, inteiramente desorganizados, sem nenhuma estruturação do espaço. Pouco a pouco, por assim dizer, foi retirando esses objetos daquele caos, enquadrando, destacando, isolando. Ele arrumou, então, a sala da casa onde gostaria de morar. Mas, para chegar aí, fez centenas de pinturas, mostrando de início somente soalhos, dando grande ênfase aos rodapés. Depois, punha sobre o piso um aquário, um piano, uma mesa, até que pudesse agrupar todos esses objetos numa estrutura organizada. Ele saiu, realmente, do caos, porque dispunha dessa maneira de se apropriar dos objetos e de situá-los organizadamente no mundo real”.
- O grifo é nosso. Minha vida na Casa da Solidão - ensaio assinado por Nise da Silveira - Revista Manchete, junho de 1967, Rio de Janeiro.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Produções recentes 
L.R. Bico de pena/nanquim

C. Lápis cera oleosoCl. Lápis cera oleoso
R. Guache.
Produções da Casa das Palmeiras - Ateliê vivo de desenho e pintura.
_________________________________

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Coração que sangra na Cruz


F. lápis cera e lápis de cor, papel A4.
Coração sangrando no centro da Cruz.
Desenhos do arquivo da Casa das Palmeiras.
- Trabalho realizado no ateliê em 1997. O coração que sangra nos remete à uma identificação com o Cristo. O autor é pessoa com formação cristã e vive com profundos problemas da psique e das emoções. Há uma série de desenhos dele sobre a Cruz, incluindo as Celtas. As cruzes mais recentes são simples, sem as conotações de sofrimento tão agudo. Este cliente mais em harmonia consigo mesmo, convive melhor em seu ambiente social, passou a frequentar outros grupos externos. Não perdeu os vínculos com a Casa das Palmeiras e os amigos que fez. Por vezes, vem à Casa, "pequeno território livre", para trabalhar um pouco e compartilhar na hora do lanche, em fraterna convivência. Pessoa sensível, sempre inquieta e sabendo lhe dar melhor com o seu lado áspero. Tem a liberdade de chegar à Casa, comprimentar a todos, entrar na sala de pintura, fazer um único trabalho e se retirar. "Desenhar me deixa mais tranquilo, é bom. Gosto de desenhar" - é o que nos disse. É sempre bem acolhido por ser eterno Amigo da Casa.
F. Cruz Celta,
lápis de cores marron claro e alaranjado, papel A4, 2011.
Raios de luz nos quatro lados da cruz 
Nise da Silveira: “A cruz é um símbolo ascensional. Segundo várias concepções religiosas, é ponte ou escada pela qual os homens chegam a Deus”. (...) “Nas viagens em profundeza percorridas nessas trajetórias abissais poderemos encontrar configurações do arquétipo da cruz, pagãs ou cristãs, ficando assim comprovada a vitalidade dessa imagem arquetípica”. (Mundo das Imagens, ed. ática, 1992).
R. Pinceladas espontâneas do incosnciente  formando uma cruz - tinta plástica sobre papel. _________

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Grupo de Estudos C. G. Jung

                                              Estudos de textos e imagens - iconografia
Simbolismo da Cruz
                                     - conclusão - dia 8 de agosto
Casas das Palmeiras
Rua Sorocaba 800, Botafogo
Das 19h às 20:40
Tel 2266-6465 (13h30 às 17h)
_________________________________
Livro: O Mundo das Imagens
Nise da Silveiras
Aberto ao público.
___________________________

terça-feira, 31 de julho de 2012

Jung quer dizer Jovem - Artur da Távola



Freud, Stanley Hall, Jung. Atrás A.A. Brill, Ernest Jones, Sandor Ferenczi. Clark University, 1906.
 Jung quer dizer Jovem - Artur da Távola
Matéria de 14.12.1974 – O Globo
O fato é que nos dias que correm, no mundo inteiro, as obras de Jung saem da névoa dos preconceitos e resistências e saem também dos verbetes (sim, porque verbete embora útil é fogo: reduz uma obra ou uma vida a dez linhas de frases corretas, mas gerais sobre o cara, tipo: Jung: discípulo dissidente de Freud que com Adler adotou a base das teorias daquele, mas discordou quanto ao conceito de libido.... e vai por aí a fora sem que a gente fique sabendo a extensão real de seu pensamento), ganhando o entendimento de amplas faixas.
Isso, aliás, é clássico. Qualquer pessoa na frente de seu tempo, ou sabe que vai morrer meio na pior e continua, porque acredita muito, ou então desiste e cai no “realismo” dos cotidianos e dos contemporâneos, abdicando da capacidade de ver adiante. A angústia é um dado da existência. Ela vem em qualquer dos casos. Mas isso é outro papo.
O que gostaria de analisar é por que Jung é tão apreciado pelos jovens! Gozado: a palavra jung em alemão quer dizer jovem, o que dá, como bem observou meu amigo Arnaldo Riesemberg um nome assim de rei antigo: “Carlos o Jovem”. Não estou pretendendo estabelecer analogias demasiado sutis. Mas que Jung sempre foi um pensamento jovem para seu tempo, inquieto, renovador, alegre (era um homem bem humorado), abrangente e generoso (como a juventude), lá isso foi. Sei lá que influências atávicas vinham através de seus antepassados criadores do sobrenome. Sei lá....
Mas em termos culturais e de comunicação esta analogia do pensamento de Jung com os jovens se dá, sobretudo, num ponto: ao ser o grande desbravador das formas extra-supra-além-racionais, ele abriu as portas tanto da percepção de fenômenos antes bloqueados pelo império absolutista da razão; como do conhecimento mágico, intuitivo e sensorial.
Calma, leitor racionalista de dedo em riste para mim! Manera, amizade! Jung não era contra a razão. Ninguém em sã consciência pode sê-lo. Ela é, afinal, a grande ordenadora do conhecimento, a grande instrumentadora do pensamento. Eu também acho.
O que Jung revelou foi a limitação do pensamento racional vigente até seu tempo, para a obtenção de um conhecimento abrangente e amplo da realidade em todas as suas manifestações, muitas delas no âmbito estritamente mágico, cósmico, emocional, espiritual, sensorial, místico, intuitivo, pré-monitivo, panteísta, primitivo etc, etc.
Liberando o homem ocidental das peias do racionalismo cartesiano, mas usando os recursos decorrentes desta mesma razão edificada por Descartes, mas buscada, defendida e glorificada por vários filósofos antes dele, Jung pôde estabelecer uma ponte com o Oriente, pôde entender as mais antigas manifestações e descobertas dos alquimistas, pôde viver sem conflito sua visão cósmica, pôde conhecer o Deus de sua crença (Jung acreditava em Deus porque aceitava o que lhe manifestava seu próprio lado mágico e místico), pôde, enfim, mostrar que há muito mais afinidades entre religiões e filosofias, do que poderia parecer aos dogmatismos decorrentes de séculos de conflitos baseados exclusivamente no dado racional das coisas.
Ora, os tempos modernos geram uma juventude ávida de um encontro existencial mais profundo consigo mesmo, com a natureza, com o mágico, com o cósmico, com o que seja totalizante. Cansados de embates racionais, ideológicos, políticos, econômicos (todos filhos diretos do cartesianismo). Cansados da produção em série, das estruturas lineares, das racionalizações explicadoras de atitudes, os jovens, por intuição e por sensibilidade, encontram no pensamento de Jung uma esperança de identidade e de abrangência. Não dá para explicar o caos, o sectarismo, o abandono da vida e seus principais valores (isso é a patologia de certos segmentos da juventude). Não! Mas para explicar aquilo que a emoção de há muito já sentiu, aquilo que a intuição de há muito já percebeu, em suma, aquilo que caracteriza novas formas de conhecer, menos exclusivistas, menos esquemáticas e limitadas a apenas uma parte dessa maravilha semi-explorada que é o cérebro humano.

sábado, 28 de julho de 2012

Nise da Silveira - A Esquizofrenia em Imagens


C. - Lápis cera oleoso/papel
J. - Guache /papel
S. - Lápis cera oleoso /papel
C. - Guache / papel.
"Jung dá máximo valor à função criadora de imagens. Na sua psicoterapia, desenho e pintura são considerados fatores que mesmo podem contribuir para o processo de auto-evolução do ser.
Quando o neurótico já está em condições de sair do estado mais ou menos passivo de dependência das interpretações do analista, Jung o induz a ação – isto é, pede-lhe que desenhe ou pinte as imagens de sonho que mais o impressionaram. Não se trata de fazer arte, trata-se, na expressão de Jung “de produzir uma eficácia viva sobre o próprio individuo”. “Dar forma material à imagem interna, obriga a considerar atentamente cada uma de suas partes que poderão deste modo desenvolver toda a sua força evocadora”. Correntemente, a pessoa detém-se sobre as imagens de seus sonhos apenas durante a sessão analítica. Logo depois é absorvida no tumulto cotidiano. As imagens esvaem-se. Outra coisa será tentar captá-las sobre o papel, lutando contra pincéis e cores e tanto melhor quanto maior for o esforço e tempo dedicado a este trabalho. O individuo necessitara cada vez menos de seu analista. Se descobre, por sua própria experiência, que a formação de uma imagem simbólica libera-o de uma condição de sofrimento e o ajuda a galgar outro nível de consciência, torna-se independente por auto-criação, isto é, dando forma a suas imagens internas ele se modela simultaneamente a si mesmo.
O que acaba de ser dito refere-se a neuróticos e a todos aqueles que buscam o desenvolvimento de sua personalidade, a própria individuação.
Mas, ainda quando se trata de psicóticos, de esquizofrênicos, Jung continua a atribuir ao desenho e a pintura função terapêutica.
Por intermédio da pintura “O caos aparentemente incompreensível e incontrolável da situação total é visualizado e objetivado; poderá ser observado a distância pelo consciente, analisado e interpretado. O efeito deste método é evidentemente devido ao fato de que a impressão primeira caótica ou aterrorizante é substituída pela pintura que, por assim dizer, a recobre. O tremendum é exorcizado pelas imagens pintadas, torna-se inofensivo e familiar e, em qualquer oportunidade que o doente recorde a vivência original e seus ameaçadores efeitos emocionais, a pintura interpõe-se entre ele e a experiência, e assim mantém o terror a distancia”. Muitas e muitas vezes testemunhei essa despotencialização de imagens aterrorizantes, por meio da pintura. Para ser obtido esse efeito, é frequente que a mesma imagem tenha de ser desenhada ou pintada repetidas vezes. Não se trata de estereotipias nesses casos, mas de um difícil trabalho de desgaste da energia de uma imagem perturbadora.
Ainda o desenho e a pintura permitem ao doente dar forma as forças defensivas que se opõem à dissociação. Forcas autocurativas manifestam-se de maneira instintiva quando a psique se desorganiza. O sistema psíquico não diverge nisso de todos os outros sistemas biológicos. Uma vez rompido seu equilíbrio, tende a recuperá-lo. Assim, impulsos defensivos, por necessidade instintiva, buscam aproximar opostos em conflito e lançar pontes sobre cisões que parecem irreparáveis.
As forças ordenadoras que se opõem ao caos configuram-se de preferência em imagens circulares dos mais diversos aspectos, mandalas, seja com a presença de um centro em torno do qual elementos dispares tendem a agrupar-se, seja de arranjos concêntricos compostos de representações múltiplas, contraditórias e mesmo inconciliáveis. “Isso é evidentemente uma tentativa de autocura, que não se origina da reflexão consciente, mas de um impulso instintivo”, diz Jung".
D. - Lápis cera oleoso/ papel
A Esquizofrenia em Imagens - Nise da Silveira - Conferência feita na abertura do Simpósio A Esquizofrenia em Imagens. Comemorativo do XXV aniversário da STOR - CPPII, 13 -16 de setembro de 1971 (hoje, Centro Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira). Publicado na Revista do Grupo de Estudos C. G. Jung, pgs. 123 -136 - QUATERNIO- 1973 – Rio de Janeiro.

domingo, 22 de julho de 2012

A riqueza do simbolismo da Cruz

O Grupo de Estudos C. G. Jung, se aprofundando, nas quinzenas das quartas-feiras, no Simbolismo da Cruz, seguindo como base o livro de Nise da Silveira - O Mundo das Imagens.
A potência imagística da Cruz na Mesopotâmia. A cruz grega, a romana, a celta, a cristã, assim como a Cruz nas culturas; chinesa e hindu, maia e azteca.
Mostra de imagens da Cruz nos desenhos de clientes da Casa das Palmeiras, no Museu de Imagens do Inconsciente e na criação de artistas plásticos.
Ver abaixo no Blog, dia 9, corrente - Informações dos dias, horário e local.
Aberto ao público.
S. - Lápis cera/papel, 29x21 cm., 2012. 
Cruz forquilha (símbolo da árvore da vida) Livro - os cavalos de octavio ignacio - Sociedade Amigos de Moseu de Imagens do Inconsciente, 1978.
Cruz celta
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~