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Vídeo - aqui no Blog: Nise da Silveira - entrevista - dia 26 fevereiro 2012. Do mundo Caralâmpia à Emoção de Lidar (Parte I)
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sexta-feira, 22 de julho de 2011
terça-feira, 12 de julho de 2011
Interpretação dos Contos de Fada
A primeira edição da obra A interpretação dos Contos de Fada de Marie Louise von Franz, em português pela Achiamé, 1981, RJ, teve o prefácio de Nise da Silveira
Os editores de A Interpretação dos Contos de Fada de Marie Louise von Franz, amigos meus, pedindo-me que escrevesse este prefácio colocaram-me numa situação extremamente difícil. Poderá a discípula apresentar sua própria mestra? É evidente que isso esta fora de todas as regras, e mesmo eu nunca ousaria tanto. Contribuirei apenas com alguns dados que ajudem o leitor a situar a obra que tem em mãos. Aliás, o livro é por si só apresentação da autora e do tema nele tratado. Simplicidade, maneira direta de dizer, extraordinária clareza de pensamento, ressaltam desde as primeiras páginas. E o leitor, seja qual for sua idade, logo se deliciará com o reencontro dos contos de fada, mas talvez se surpreenda descobrindo, através do livro, quanto há para aprender, e de muito serio, sobre as profundezas da alma humana nessas historias de encantamento.
A autora de A Interpretação dos Contos de Fada foi a mais próxima colaboradora de C. G. Jung. Em 1934, aos 19 anos de idade iniciou essa colaboração traduzindo textos alquímicos latinos e gregos dos quais o mestre necessitava para seu trabalho. Além dessa ajuda filológica M. L. von Franz tornou-se mais tarde co-autora de obras capitais de Jung. Seu escrito Passio Perpetuae faz parte integrante de Aion, livro de Jung que estuda a era cristã, focalizando, sobretudo, o dilacerante problema dos opostos. Passio Perpetuae completa Aion analisando o processo psicológico da passagem do mundo antigo para o cristianismo através da interpretação dos sonhos e visões de Santa Perpétua, mártir do século I.
Outro trabalho de M. L. von Franz, Aurora Consurgens, constitui na edição original alemã, o III tomo da obra de Jung Mysterium Coniunctionis. “Nós realizamos juntos este livro, pois cada autor participou do trabalho do outro” (c.w. 14, XVI). Aurora consiste na interpretação de um texto alquímico medieval atribuído a S. Tomas de Aquino.
O estudo do simbolismo encontrado nos textos alquímicos não poderia de certo ficar isolado de pesquisas referentes a outras modalidades de manifestações do inconsciente – sonhos, visões, fantasias, mitos, lendas, contos de fada, M. L. von Franz trabalha em todos esses campos afins. No caso particular da alquimia, seu ponto de partida, e dos contos de fada em cuja interpretação é especialista mundialmente reconhecida, delimita as duas áreas sem, entretanto, separá-las por muros de incomunicabilidade.
A principal diferença entre os escritos alquímicos e os contos de fada, segundo M. L. von Franz, reside no fato de que os alquimistas, além de projetarem conteúdos do inconsciente sobre os materiais químicos, teorizavam também. Foi graças a tais associações em torno de conteúdos do inconsciente que Jung descobriu um dos aspectos psicológicos essenciais ocultos nos textos alquímicos: tentativas inconscientes de lançar conexões entre o cristianismo e o lastro pagão da psique.
Quanto aos contos de fada vêm de regiões muito distantes do mundo consciente, sofreram um mínimo de elaborações através do tempo, conservando-se na sua pureza original, completamente pagãos, salvo alguns poucos onde se insinuaram recentes elementos provindos do cristianismo.
É uma arte difícil e sutil traduzir nos termos da psicologia moderna a linguagem ingênua dos contos de fada, descobrindo nos seus personagens a longínqua vibração de emoções coletivas da humanidade.
M. L. von Franz compara a procura do sentido dos contos de fada a tentativa para alcançar, seguindo-lhe as pegadas, um cervo fugitivo particularmente ágil. O caçador deverá adestrar-se por meios de longos exercícios até torna-se capaz de empreender seu objetivo com probabilidade de sucesso. É decerto um método de trabalho lhe será útil. Este método, em seus múltiplos aspectos, o leitor o encontrará no III capitulo, exposto com admirável clareza. Contudo, a operação de captura do servo será sempre delicada, pois ele terá de ser apanhado vivo. Outros métodos e técnicas mais fáceis ensinarão a esquartejar o animal, a dissecar-lhe as vísceras para examiná-las aos pedaços. O método junquiano que M. L. von Franz desenvolve, vê em cada conto um organismo vivo que encerra no seu âmago profundas significações. Apreender tudo quanto esteja condensado em imagens fantásticas, é a tarefa do interpretador dos contos de fada. Fascinante tarefa, decerto, mas terá algum uso prático?
Jung diz que é nos contos de fada onde melhor se poderá estudar a anatomia comparada da psique. Esses contos oferecem uma imagem mais rude, mais elementar das estruturas psíquicas básicas. Assim, prestam-se como matéria preparatória para o estudo dos mitos e lendas que se apresentam enriquecida por maior número de elementos culturais, e para a análise objetiva dos sonhos, os quais evidentemente complicam-se de numerosos elementos de natureza pessoal. Por isso a interpretação dos contos de fada figura como matéria importante no programa de formação dos analistas no Instituto C. G. Jung de Zurique.
Mas os contos de fada têm ainda utilidade mais ampla.
Em Aion, Jung escreve: “Mitos e contos da fada dão expressão a processos inconscientes e escutá-los faz com que esses processos de novo revivam e tornem-se atuantes, restabelecendo, portanto a conexão entre consciente e inconsciente”.
As raízes da consciência estão mergulhadas nas profundezas do inconsciente. E os contos de fada são o veículo adequado capaz de trazer a consciência infantil em formação, de maneira assimilável, às ricas substâncias contidas nas raízes da psique.
Deveriam ter um lugar importante na educação. Infelizmente assim não acontece. Mesmo quando oferecidos à criança costumam vir hoje retocados inescrupulosamente, os personagens todos bonzinhos e alambicados. Sua força salutar fica perdida.
Há no Brasil estudioso dos contos de fada. Luis da Câmara Cascudo, nosso maior folclorista, lhes dá muita atenção. Recolheu numerosas histórias de encantamento, como ele prefere denominar os contos de fada, que circulam sejam no litoral, seja no interior do país. E foi mais longe. Sem filiar-se a qualquer escola psicológica, com extraordinária agudeza observou-lhes a íntima urdidura chegando à conclusão de que “os contos variam infinitamente, mas os fios são os mesmos”. Por exemplo: identifica nos contos tradicionais brasileiros, A princesa e o gigante, Quirino vaqueiro do rei, o boi Leição, elementos fundamentais do conto egípcio, Os dois irmãos, escrito há 32 séculos.
Ainda outras observações de Câmara Cascudo são valiosas para o psicólogo da linha junquiana. Ele apurou que nos contos tradicionais brasileiros os motivos indígenas são mínimos; os negros, muito reduzidos, havendo grande predominância dos temas de origem européia. Outro dado importante é sua afirmação: “Não conheço historia privativa de uma região. Naturalmente haverá maioria de sereia nos contos das praias. Mas as sereias encantam nas historias do sertão e nelas passam os peixes encantados e a serpente que dorme num palácio no fundo do mar”. Câmara Cascudo acrescenta: “o conto tanto mais tradicional, conhecido e querido numa região, mais universal nos seus elementos constitutivos. Um tema restritamente local não se divulga nem interessa”. (Essas citações encontram-se no prefacio de Contos tradicionais do Brasil, Edições de Ouro).
Não se poderá entender os fatos verificados por Câmara Cascudo sem admitir a existência de um lastro psíquico comum, muito profundo, de cujas imensas distâncias nos cheguem os contos de fada.
Será de esperar que o belo livro de M. L. von Franz traga intenso estímulo aos estudiosos brasileiros para incursões nos domínios do maravilhoso e também contribua para nos levar a refletir sobre a qualidade da nutrição literária que oferecemos a nossas crianças comparável a sopas desidratadas e empacotadas, salvo exceções raríssimas.
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domingo, 19 de junho de 2011
Grupo de Estudos C. G. Jung
CASA DAS PALMEIRAS
Às quartas-feiras de 15 em 15 dias
Dias 3, 17 e 31 de agosto de 2011
Obra de C. G. JUNG
O Espírito na Arte e na Ciência
Às quartas-feiras de 15 em 15 dias
Dias 3, 17 e 31 de agosto de 2011
Obra de C. G. JUNG
O Espírito na Arte e na Ciência
Úlisses, um monólogo -(James Joyce) e Picasso
Horário: Início às 19h / término às 20h30.
Local: Rua Sorocaba, 800 – Botafogo
Inf.: Tel. 2266-6465 (das 13h às 17h) / 2242-9341
O GRUPO DE ESTUDOS É GRATUITO
* Está aberto ao público em geral *
Bem vindos os artistas, filósofos, psicólogos, pensadores livres, cientistas, antropólogos, sociólogos e/ou qualquer pessoa que desejar estudar e/ou conhecer, mais profundamente as
Obras de C.G. Jung e Nise da Silveira
Horário: Início às 19h / término às 20h30.
Local: Rua Sorocaba, 800 – Botafogo
Inf.: Tel. 2266-6465 (das 13h às 17h) / 2242-9341
O GRUPO DE ESTUDOS É GRATUITO
* Está aberto ao público em geral *
Bem vindos os artistas, filósofos, psicólogos, pensadores livres, cientistas, antropólogos, sociólogos e/ou qualquer pessoa que desejar estudar e/ou conhecer, mais profundamente as
Obras de C.G. Jung e Nise da Silveira
[Coordenação: Dr. Edgar Tavares e Martha Pires Ferreira]
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quinta-feira, 16 de junho de 2011
terça-feira, 14 de junho de 2011
Argila
O simples ato de amassar a argila é por si mesmo saudável.
A Casa das Palmeiras dá singular importância ao processo da Emoção de Lidar através da modelagem com argila, seguindo os sábios métodos deixados por Nise da Silveira.
A Terapêutica Ocupacional com o barro é uma função prazerosa das atividades expressivas que interage, naturalmente, na aproximação de opostos; mundo externo e interno, consciente e inconsciente.
A Casa das Palmeiras dá singular importância ao processo da Emoção de Lidar através da modelagem com argila, seguindo os sábios métodos deixados por Nise da Silveira.
A Terapêutica Ocupacional com o barro é uma função prazerosa das atividades expressivas que interage, naturalmente, na aproximação de opostos; mundo externo e interno, consciente e inconsciente.
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Vejam três páginas sobre Modelagem na Casa das Palmeiras
Aqui no Blog - em 10/08/2008, 19/05/2009 e 28/04/2011.
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terça-feira, 31 de maio de 2011
C. G. Jung sobre o barulho
Recomendamos a leitura da carta de Jung ao Prof. Karl Oftinger, Zurique / setembro de 1957
C. G. Jung Cartas 1956 - 1961 / Volume III - Editora Vozes, 2003 - pág. 106 a 108.
Prezado Professor,
Devido à minha idade avançada e ao cansaço que a acompanha, não tenho mais condições de realizar o seu desejo. Mas pode contar com minha simpatia e compreensão pelo seu projeto. Eu pessoalmente detesto barulho e fujo dele sempre que possível, porque ele perturba a concentração necessária ao meu trabalho e me obriga a fazer um esforço psíquico adicional para impedir que entre.
(...)
Sinceramente seu (C.G. Jung).
Dr. Karl Oftinger, professor de Direito na Universidade de Zurique, fundador da "Liga contra o barulho".
O Prof. Oftinger havia pedido a Jung que expusesse num artigo sua opinião sobre o problema do barulho.
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C. G. Jung Cartas 1956 - 1961 / Volume III - Editora Vozes, 2003 - pág. 106 a 108.
Prezado Professor,
Devido à minha idade avançada e ao cansaço que a acompanha, não tenho mais condições de realizar o seu desejo. Mas pode contar com minha simpatia e compreensão pelo seu projeto. Eu pessoalmente detesto barulho e fujo dele sempre que possível, porque ele perturba a concentração necessária ao meu trabalho e me obriga a fazer um esforço psíquico adicional para impedir que entre.
(...)
Sinceramente seu (C.G. Jung).
Dr. Karl Oftinger, professor de Direito na Universidade de Zurique, fundador da "Liga contra o barulho".
O Prof. Oftinger havia pedido a Jung que expusesse num artigo sua opinião sobre o problema do barulho.
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terça-feira, 24 de maio de 2011
Atividades plásticas / mundo interno
Nise da Silveira - O Mundo das Imagens, pág. 21, Ed. Ática - SP, 1992.
“Rótulos diagnósticos são, para nós, de significação menor, e não costumamos fazer esforços para estabelecê-los de acordo com classificações clássicas. Não pensamos em termos de doença, mas em função de indivíduos que tropeçam no caminho de volta à realidade cotidiana.
O principal método de tratamento empregado na Casa das Palmeiras é o exercício espontâneo de atividades diversas, geralmente chamado de terapêutica ocupacional. Esse método, se corretamente conduzido, é um legítimo procedimento terapêutico, e não apenas prática auxiliar e subalterna como é considerado habitualmente. Fazemos constante apelo às atividades que envolvam especialmente a função criadora mais ou menos adormecida dentro de todo indivíduo. A criatividade é o catalisador por excelência das aproximações de opostos. Por seu intermédio, sensações, emoções, pensamentos são levados a reconhecer-se, a associar-se.
A tarefa principal da equipe técnica da Casa das Palmeiras é permanecer atenta ao desdobramento fugidio dos processos psíquicos que acontecem no mundo interno do cliente através de inumeráveis modalidades de expressão. E não menos atenta às pontes que ele lança em direção ao mundo externo, a fim de dar-lhes apoio no momento oportuno”.
“Rótulos diagnósticos são, para nós, de significação menor, e não costumamos fazer esforços para estabelecê-los de acordo com classificações clássicas. Não pensamos em termos de doença, mas em função de indivíduos que tropeçam no caminho de volta à realidade cotidiana.
O principal método de tratamento empregado na Casa das Palmeiras é o exercício espontâneo de atividades diversas, geralmente chamado de terapêutica ocupacional. Esse método, se corretamente conduzido, é um legítimo procedimento terapêutico, e não apenas prática auxiliar e subalterna como é considerado habitualmente. Fazemos constante apelo às atividades que envolvam especialmente a função criadora mais ou menos adormecida dentro de todo indivíduo. A criatividade é o catalisador por excelência das aproximações de opostos. Por seu intermédio, sensações, emoções, pensamentos são levados a reconhecer-se, a associar-se.
A tarefa principal da equipe técnica da Casa das Palmeiras é permanecer atenta ao desdobramento fugidio dos processos psíquicos que acontecem no mundo interno do cliente através de inumeráveis modalidades de expressão. E não menos atenta às pontes que ele lança em direção ao mundo externo, a fim de dar-lhes apoio no momento oportuno”.
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