Rua Sorocaba 800, CEP 22271-100, Botafogo, Rio de Janeiro, Brasil.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Nise -14 anos de ausência e de presença eterna


Nise, dia de seu aniversário aos 90 anos (foto inédita - MPF)

Estamos neste fim de mês refletindo nos 14 anos de ausência insubstituível de Nise da Silveira 
(15/02/1905-30/10/1999).
Aproveitaremos para publicar alguns artigos escritos em sua Homenagem e pertinentes à Casa das Palmeiras. Em particular textos de pessoas que trabalharam efetivamente com os clientes na Casa e deram seu testemunho - publicados na revista Quaternio Nº8/2001.

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                                 Imagem da consciência

                                                           Lygia Franklin de Oliveira

          Há uma semana estávamos reunidos na nossa assembleia na Casa das Palmeiras, chamada Clube Caralâmpia. Este é um espaço democrático onde clientes e equipe terapêutica discutem problemas, são feitas críticas, sugestões e deliberações. Um cliente antigo e muito querido, M. A., pediu a palavra. Fez um relato de uma recente experiência que, para outras pessoas, talvez seja plenamente aceitável e “normal”. M. A. concluiu que até mesmo os médicos são preconceituosos em relação ao doente que tem uma história psiquiátrica. Contou-nos que, no ano passado, havia desenvolvido um quadro de pneumonia e procurado tratamento. Este foi prolongado, e M. A. começou a perceber que o médico não levava em consideração o que ele falava, embora o estivesse fazendo com objetividade e coerência. O médico procurava sempre a confirmação ou informações advindas de seus familiares. M. A. sentiu-se profundamente humilhado. Veio compartilhar sua dor conosco, dizendo que esta era a pior de todas. Na sua avaliação, se os próprios médicos não conseguem estabelecer um contato respeitoso com o cliente psiquiátrico, o que dirá o restante da sociedade?
          Nise da Silveira criou a Casa das Palmeiras como “um pequeno território livre” onde os clientes têm liberdade de expressão e encontram uma equipe que, sobretudo, valoriza a sua dignidade, respeita as singularidades e tem credibilidade pelo que cada um traz e sente. Uma equipe que procura construir pontes alicerçadas na sinceridade e no respeito entre si e os clientes. Tudo isso, a terapêutica ocupacional constitui-se o laborioso caminho de volta à reinserção social.
          No mesmo dia em que M. A. contou-nos a sua história, outro cliente, M., explicou-nos que considera o ambiente da Casa das Palmeiras, de uma “inocência exagerada”. Definiu-o assim porque sabe que este mesmo ambiente não existe no mundo do lado de fora - duro e marcado por incompreensões. Mas M. afirmou de maneira convicta que é justamente desta “inocência exagerada” que uma pessoa que mergulho profundamente no seu inconsciente e experienciou todas as amarguras afetivas, sociais e médicas advindas deste mergulho, necessita para se recuperar. As dores e o sofrimento são tão intensos que só uma atmosfera semelhante à Casa das Palmeiras poderá trazê-lo de volta. Segundo M. é essencial que a pessoa recupere a confiança e a segurança através de uma experiência vivida. Esta é a sua única chance de retorno, geralmente constitui-se o oposto oferecido pelo mundo externo, que cada vez mais prioriza a competitividade e o sucesso objetivo.
          Não é difícil reconhecer o grande abismo entre os depoimentos de M. A. e M. e o que acontece na maioria dos serviços de saúde - psiquiátrica ou não. Geralmente o doente é pouco ouvido e não é levado a sério. O próprio sistema de saúde os trata como seres que não têm nada a dizer. Comumente a maior preocupação é mantê-los sob controle e silenciosos. Configuram-se aqui o autoritarismo, a visão reducionista e o preconceito, qualidades tão avessas à ciência.
          Guardo uma linda imagem da Doutora (assim a chamamos carinhosamente na Casa das Palmeiras), como símbolo opositor de tudo aquilo que descrevi através dos depoimentos de M.A e M.: Nise no chão, de joelhos, observando durante horas e horas os trabalhos dos clientes, tentando compreender, decifrar os mistérios ocorridos na alma de pessoas sofridas e quase sempre desqualificadas pela sociedade. Uma mulher numa atitude verdadeiramente religiosa, absorta e totalmente dedicada. Algumas vezes ouvi falar sobre este seu hábito de estudo e percebi que ele era tradutor de sua reverência e reconhecimento pelo manancial de riquezas interiores dos seus clientes. Foi esta atitude que marcou e fez o diferencial de toda a sua obra, possibilitando a recuperação de existências, esperanças e sonhos onde o senso comum é o científico, em princípio se diagnosticam como irrecuperáveis.
          Nise encarnou a síntese que unifica o arguto olhar científico ao gesto humano e amoroso. Vivemos numa época de incrível avanço tecnológico, mas essa síntese ainda não foi conquistada. Dela somos carentes. Falar de Nise é como falar do mar ou das estrelas. Não dá, não cabe, é grande demais. Mas acredito que a imagem de joelhos no chão tenha a força e a beleza capazes de inspirar um número cada vez maior de profissionais de saúde, não como ideologia intangível, mas como uma atitude terapêutica vital e transformadora.

Nota – o negrito é nosso.

Texto de Lygia Franklin de Oliveira, médica na Casa das Palmeiras, por ocasião do falecimento de Nise da Silveira (1905-1999). Homenagem / Quaternio / 2001 – pág. 133. Revista Nº 8 do Grupo de Estudos C. G. Jung. 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Casa das Palmeiras


 
[ Imagem - Marc Chagall ] 
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sábado, 5 de outubro de 2013

Casa das Palmeiras - Emoção de Lidar - Histórico


Este mês de Outubro nos traz a saudade e falta, insubstituível, de Nise da Silveira (15/fevereiro/1905- 30/outubro/1999) não apenas em sua dedicação absoluta aos seus clientes, mas para todos nós que nos alimentávamos com sua sabedoria, mergulhos nas profundezas internas, sua perspicácia, cultura e humor refinado entre mil coisas mais impossíveis de especificá-las.  
Um pouco de memória e homenagem a tão querida e humaníssima pessoa que permanece viva - Nise da Silveira


 Retrato de Nise - gravura em metal de José Paixão / colaborador s/d. 
A Casa das Palmeiras funcionou durante 12 anos na bela e velha casa da Rua Haddock Lobo, 296, Tijuca, cedida, por D. Alzira La-Fayette Cortes. Transferida para a Rua D. Delfina nº 39. Palavras de sua diretora e fundadora, Dra. Nise da Silveira, no discurso de inauguração da nova sede, no dia 29 de maio de 1969:

Palavras de Nise da Silveira
Quaternio - Revista do Grupo de Estudos C. G. Jung, págs. 92 e 93.
Rio de Janeiro, 1970.
           “Nossos objetivos visam mais longe. Visam coordenar intimamente olho e mão, sentimento e pensamento, corpo e psique, primeiro passo para a realização de todo específico que deverá vir a ser a personalidade de cada indivíduo sadio. Na busca de conseguir esta coordenação fazemos apelo à capacidade criadora que existe, mais ou menos adormecida, dentro de todo indivíduo. A criatividade  é o catalisador por excelência das aproximações de opostos. Por seu intermédio, habilidades manuais, sensações, emoções, pensamento, são levados a reconhecerem-se entre si e a associarem-se. Daí a ênfase que damos, na Casa das Palmeiras, às atividades criadoras. Todo ato de criação, mesmo o mais simples e despretensioso implica num encontro entre consciente e inconsciente. E é na chama desse encontro, de intensidade maior ou menor, que os fragmentos da psique dissociada se juntam, que são construídos símbolos e que se realizam sínteses. A tarefa principal do médico será permanecer atento ao desenrolar fugidio dos processos interiores a fim de dar apoio e ajuda a seu cliente no momento oportuno. Convivendo com ele durante várias horas por dia, vendo-o exprimir-se verbal ou não verbalmente em numerosas oportunidades diferentes, o médico logo chegará a um conhecimento bastante profundo de seu doente. E a relação que nasce entre ambos, tão importante no tratamento, é muito mais genuína que a relação de consultório entre médico e doente. A Casa das Palmeiras é um pequeno território livre onde não há pressões geradoras de angústia nem exigências superiores às possibilidades de resposta de seus frequentadores”.
Nota: Em 1981 a Casa das Palmeiras foi transferida para a Rua Sorocaba, 800, Botafogo, RJ, onde se encontra atuante até os dias de hoje.
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Grupo de Estudos C. G. Jung
O LIVRO VERMELHO DE JUNG
Liber Secundus 
Dias 9 e 23 de outubro das 19h às 20h30

Rua Sorocaba, 800 - Botafogo (entrada franca)
Nenhuma dificuldade em acompanhar a leitura. Jung nos faz mergulhar,
 com ele, no espírito das profundezas.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Casa das Palmeiras por Nise da Silveira


 
Ao perguntarem à Nise da Silveira o que era a Casa das Palmeiras, Dra. Nise arregalou seus grandes olhos vivos e tranquila verbalizou firme e incontinenti:

QUE É A CASA DAS PALMEIRAS?*

ATIVIDADES

ARTES APLICADAS
PINTURA
MODELAGEM
XILOGRAVURA
MARCENARIA
ENCADERNAÇÃO
BOTÂNICA
ARRANJO FLORAL
TEATRO
CINEMA
MÚSICA
LANCHE
BAILE
FESTAS
 GRUPO CULTURAL
OPINIÕES DOS CLIENTES SOBRE A
CASA DAS PALMEIRAS
CLUBE CARALÂMPIA
HINO DO CLUBE CARALÂMPIA

 *CASA DAS PALMEIRAS - A EMOÇÃO DE LIDAR
Uma Experiência em psiquiatria – Pág. 7. 1986 - Capa Francisco Noronha – xilogravura.
Editorial Alhambra (88 págs. - esgotado).
Não foram incluídos nessa edição O Arauto, jornal dos clientes e os Passeios.
A partir desse ano de 1986 iniciaram-se as atividades de Contos de Fada, Expressão Corporal, seguindo de Leitura e Poesia. Por falta de colaboradores especializados algumas atividades foram desativadas.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Belíssimos vasos rústicos de argila


 Vasos rústicos produzidos 
pelos artistas singulares da Casa das Palmeiras




terça-feira, 3 de setembro de 2013

Seleção - Voluntário/a ou estágio nas Atividades Plásticas


A Casa das Palmeiras está selecionando colaboradores e estudantes de artes visuais para estágio (UFRJ - convênio) ou trabalho voluntário. 
Precisamos de pessoas que tenham habilidades e/ou alguma prática para as Artes Visuais a fim de ajudarem nos Ateliês de Atividades Plásticas da Casa das Palmeiras:
Modelagem, Desenho, Colagem e Pintura.
 -Laboratório criativo -

Tel. 2266-6465 (das 13h30 às 17h - 2ª a 6ª feira)
ou Tel. 2242-9341 (deixar recado)

Os trabalhos são criações espontâneas, mas que requer alguma orientação técnica sempre que necessário.
criadores singulares: L.C. e P. cerâmica
T. e M.E. colagem - R. e R. desenho - C. e J. pintura
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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Cafezinho e leitura breve

É hora do cafezinho e chá.
São 14 hora. Cliente com uma bandeja, acompanhado de uma estagiária/o, chega à salinha de leitura  para servir o tradicional cafezinho e/ou chá. Momento de descanso, alegria e confraternização. Cada um se serve, sozinho/a, e por vezes, tem ajuda de estagiários/as.

 
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O estagiário Silvio mobilizou a todos para breve leitura na hora do cafezinho. Quem deseja, espontaneamente, apanha um livro sobre a mesa e lê um pequeno texto em prosa ou uma poesia. Todos escutam com prazer, conversam amigavelmente e em seguida voltam para as suas atividades criadoras.

 Estagiárias/o de psicologia - atentos, ajudam quando necessário.
Suporte afetivo e de orientação importante para a autonomia de cada cliente / pessoa.
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