Rua Sorocaba 800, CEP 22271-100, Botafogo, Rio de Janeiro, Brasil.

domingo, 10 de agosto de 2008

Modelagem

José Bastos - O primeiro cliente da Casa das Palmeiras
Escultura em gesso simbolizando a libertação do doente mental de uma prisão
Acervo da Casa das Palmeiras

A Casa das Palmeiras, este pequeno território, oferece possibilidades de seus freqüentadores se expressarem de forma espontânea em cada oficina criativa. Num clima de liberdade cada pessoa que esteja em tratamento é motivada, estimulada, a traduzir as suas emoções profundas, as quais emergem do inconsciente em imagens plásticas, música, trabalhos manuais, teatro, dança, gestos e palavras. São atividades repletas de simbolismo que nos reportam aos estudos e nos conduzem à pesquisa científica.
O próprio ato de criar imagens simbólicas já é em sim uma ação curativa, como afirma Nise da Silveira em sua obra Imagens do Inconsciente: “A psicoterapia junguiana tem por meta não só a dissolução de conflitos interpessoais, mas favorece o desenvolvimento das ‘sementes criativas’ inerentes ao indivíduo doente. E é justamente em atividades feitas com as mãos que, com bastante frequência, se revela a vida dessas ‘sementes criativas’.” (Ed. Alhambra, 1981, p.102). E continua: “Em vez dos impulsos arcaicos exteriorizarem-se desabrigadamente, lhe oferecemos o declive que a espécie humana sulcou durante milênios para exprimi-los: dança, representações mímicas, pintura, modelagem, música. Será o mais simples e o mais eficaz.”
Através das várias atividades expressivas a pessoa doente terá a oportunidade de melhor enfrentar seus conflitos internos tão terrificantemente desestruturados, fará naturalmente a transferência de energia de um nível inconsciente para outro mais consciente.
No desenho ou pintura, nos diz Carl Gustav Jung: “O tremendum é exorcizado pelas imagens pintadas, torna-se inofensivo e familiar e, em qualquer oportunidade que o doente recorde a vivência original e seus efeitos emocionais a pintura interpõe-se entre ele e a experiência, e assim mantém o terror à distância.”
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sábado, 2 de agosto de 2008

Grupo de Estudos C.G. Jung

Idealização de Nise da Silveira (1955 /registrado em 22/08/1968)

Local: Casa das Palmeiras
Às quartas-feiras de 15 em 15 dias /
das 19h00 às 21h00

Plano de estudo:
O Homem e seus Símbolos
Carl Gustav Jung - concepção e organização -

6 de agosto de 2008 - continuação do 1º capítulo / Carl G. Jung
A função dos símbolos e Curando a dissociação

20 de agosto -
O Processo de Individuação /
Marie Louise von Franz
- A configuração do crescimento psíquico.

3 de setembro - O primeiro acesso ao inconsciente
17 de setembro - A realização da sombra

1 de outubro - “Anima”: o elemento feminino
15 de outubro - Animus”: o elemento masculino interior

12 de novembro - O “self”: símbolo da totalidade
26 de novembro - As relações com o “self”
10 de dezembro - O aspecto social do “self”

O Grupo de Estudos é gratuito
Bem vindos os artistas, filósofos, psicólogos, pensadores livres, antropólogos, sociólogos e/ou qualquer pessoa que desejar ler, estudar e/ou conhecer, mais profundamente a obra de Carl G. Jung.

Rua Sorocaba, 800 - Botafogo
Inf.: Tel 2266-6465 /// 2242-9341

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sexta-feira, 18 de julho de 2008

Grupo Cultural



O Grupo Cultural se reúne semanalmente na Casa das Palmeiras. É uma atividade que estimula a organização das idéias junto com o sentimento. Teve por muitos anos a orientação do artista plástico, gravador, José Paixão, criador deste espaço democrático em que cada um pode e deve expressar seus pensamentos. Outros colaboradores, monitores e estagiários/as o substituíram ao longo de muitos anos.
Em torno da grande mesa, logo após o lanche, clientes, estagiários/as e colaboradores, lado a lado nos colocamos com material à disposição: papel, lápis, borracha e apontador, para participarmos do Grupo Cultural. As idéias surgem espontâneas. O monitor coordena qual o assunto que foi amplamente sugerido; política, questões sociais, religiosas, artísticas, etc. As questões são colocadas em sua realidade como é a vida, e com calorosidade. As emoções são expressas no papel sem qualquer preocupação com a grafia, e sem exclusões. ”Cada um é cada um”, palavras de um participante. Não há restrições para as colocações dos pensamentos; podem ser várias folhas, uma frase ou mesmo uma só palavra. Um tempo é estabelecido para se escrever.
“O pensamento sai do plano do chão. Cria asas. Alça vôo, expressando o anseio do Homem à espiritualização”, como dizia Lisete, antiga colaboradora da Casa.
Os textos são escritos com certa carga apaixonada de afetividade. Compenetrados todos vão expressando em palavras o que mais significativo lhes ocorre naquele momento. Um belo silêncio se faz presente. Podemos observar as faces mais ou menos tensas, mais ou menos leves, alegres e descontraídas enquanto as idéias vão sendo elaboradas no papel. “O que me mete medo é sair sozinho e encontrar comigo mesmo numa esquina deserta.” D. Outra participante: “As flores são belas quando a gente se transforma no verdadeiro campo florido.” E. As frases são cuidadosamente guardadas numa pasta para acompanhamento de tão rica atividade coletiva.
Podem ocorrer dias em que não se escreve só se conversa em trocas calorosas. Aparecem temas instigantes como, por exemplo, a insensatez da vida contemporânea que se mostra cruel na TV ou nos Jornais. “Eu estou muito preocupado. O mundo está muito complicado, a polícia briga com os traficantes, e eles brigam com os políticos, que brigam com os juízes e os juízes com outros juízes que brigam com os banqueiros que brigam com os advogados que brigam com a polícia. É tudo muito complicado.” N.(participante do grupo). Palavras ditas com muita emoção e lucidez intelectual, mobilizando profundas reflexões no Grupo: “Aqui nós estamos em harmonia, protegidos.” L.A. “A paz, a tranquilidade, a harmonia do bem absoluto.” S. “Aqui somos amigos uns dos outros, solidariedade.”T. “Aqui é um refúgio criativo.” E.
Pensamento e sentimentos se ordenam neste espaço democrático que possibilita a reflexão com liberdade e emoção.
No início do nosso encontro, nesta semana, foi muito bem lembrado pelo dedicadíssimo médico psiquiatra Dr. Edgar:
“O eixo da Casa das Palmeiras, como dizia Dra. Nise, é cultural, não é psiquiatria, nem medicina. O eixo da Casa é cultural.”
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quinta-feira, 10 de julho de 2008

Pintura de Nise em canção

Bernardo Horta /2004

Um gato brilha em seu olhar
Mulher da futura imaginação
Mergulha em ruínas ancestrais
Diamante que surge da escuridão

Vertigem no espaço da mente
Senhora das imagens
Santa, louca, mãe da gente
Fina flor de eternidade

Em inumeráveis estados do ser
Persevera e se liberta do breu
Oh, moça que lê imagens
Diz: que mito sou eu?

Em vida, transcende o corpo
Sua lucidez a ultrapassa
Psicodélica, reveladora
Operária, tijolo-argamassa

Matriz da expressão de Sócrates
Diotima-madrinha, enternece
Freud sussurra o seu nome
Jung jamais a esquece

Selvagem antiga do engenho
Bruxa-ninfa superzen
Rebelde que transborda em fúria
Amor sem limite, indignação-amém

Exemplo de vida, vigor animal
Arquétipo da superação
Liberdade alucinante
A ira sagrada da revolução

Sons, imagens - portal de expressão
Coração exposto em sensibilidade
Mitos que provêm do ventre profundo
Semente de luz, cura e humanidade

Gênia doida, fera agressiva
Abre as portas do hospício, em urgência!
Derruba grades e grades
Mostra que o poder, este sim, é a demência

Mistério, entre livros e pinturas
Zênite que flui pelos ares
Matéria-prima de energia pura
Arqueóloga dos mares

Mestra, gata, Nise brasileira
Alguém sempre admirando-a no retrato
Personalidade forte e terna
Estrela tímida, de brilho estupefato



sábado, 28 de junho de 2008

Festa Junina / 27 junho de 2008


Ontem, São João e São Pedro estiveram presentes na Casa das Palmeiras.
Celebramos com os clientes, seus familiares, estagiários/as, colaboradores e amigos da Casa a tradicional Festa Junina - solstício de inverno.
Uma Pirra foi acesa para abrir, como celebração, as apresentações festivas de São João
Fogo vivificador!

Bandeirinhas e lanternas feitas pelos clientes junto com estagiários/as coloriam as salas, os espaços.
Uma lindíssima toalha Patchwork criada pelos clientes com a ajuda dos colaboradores cobria a mesa. Muitos salgados, canjica, cachorro quente, bebidas e doces típicos


Violões dos clientes com cantoria
Quadrilha, Casamento da roça, Coral, Forró
Pescaria e Correio do Amor
Muita “dança caipira” e alegria com roupas juninas!
Estagiários/as antigos se despedindo e portas se abrindo para outros/as

Lanternas foram acesas à tardinha para iluminar a Casa, a vida festiva

Muita Emoção de Lidar

Viva São João! Viva a Casa das Palmeiras!
Viva Dra. Alice Marques dos Santos e Dra. Nise da Silveira!

Frases dos clientes

13 de junho - Santo Antônio
24 de junho - São João
29 de junho - São Pedro
A Festa Junina comemora os três santos da Igreja. F.

Festa Junina é todo mundo com roupa de caipira. Todo mundo pintado. Chapéu caipira na cabeça. Doces, salgados, música, cantoria, dança folclórica, baile, tem cocada, pra mim é isso. C.

A Festa Junina representa para o povo brasileiro a dança dos casamentos e músicas do interior da cidade. O.

A Festa Junina na Casa das palmeiras tem pipoca, dança caipira, música e brincadeiras de São João. R.

A Festa Junina é uma festa típica do interior que significa congraçamento entre as pessoas, como acontece na Casa das Palmeiras. T.


A Festa de São João homenageia São Pedro e São João com os quitutes saudáveis da comida baiana. L.A.

A Festa Junina é uma festa, muito alegre e animada, que todos se divertem. J.E.B.V.

Aqui temos amigos
Aqui temos amigos fraternos. Incondicional.
Amor da Verdade
Amor do Equilíbrio
Amor da Paz. S.

A paz que esteja conosco na Festa de São João com a alma de Dra. Nise, presente. E.



domingo, 22 de junho de 2008

Desenho

Darcílio Lima - guache sobre papel - 24cm x 33cm.
Exposição Museu da República
40 anos de Estética - 1997

sábado, 14 de junho de 2008

Texto inédito de Nise da Silveira

Na Casa das Palmeiras entre papeis do Club Cultural, 1969, temos arquivado um belíssimo manuscrito de Nise da Silveira, amarelado com as marcas do tempo. Presenteamos este relato ao público que acompanha nossa página na internet.

“Começarei contando a vocês um sonho de Fernando, homem que está internado há muito anos no hospital de Engenho de Dentro.
Eis o sonho: Ele pula um muro e, do outro lado, encontra a rainha da Boemia, que lhe dá sapiencia. Aquela
imagem era a imagem do mundo todo - o mundo das imagens. Mudei para o mundo das imagens. Mudei a alma para outra coisa. As imagens tomam a alma da pessoa.
Pulou o muro e caiu noutra região da psique, na profunda esfera onde habitam as rainhas míticas, as mães, as deusas. Era o mundo das imagens. Mudou-se para lá.
Minha formação, como acontece a todo mundo que cursa universidades, fez-se na área do pensamento discursivo, da linguagem falada e escrita. Sobre as imagens eu não sabia quase nada. E agora lidava com pessoas que habitavam o mundo das imagens. Se quisesse comunicar-me com elas, se desejasse vislumbrar um pouco, ao menos, do que passava no íntimo daqueles seres atormentados, eu teria de iniciar-me humildemente no aprendizado de uma linguagem nova para mim, Uma linguagem muito difícil, pois as imagens me parecem ainda hoje cada vez mais complexas, misteriosas, inesgotáveis.
Vou falar a vocês desse aprendizado, as minhas dificuldades nos primeiros anos de meu trabalho e da ajuda que encontrei nos escritos dos mestres de teoria da arte.”

[Aqui termina o manuscrito. Sabemos pela rica biblioteca de Nise da Silveira o quanto ela pesquisou os mestres, estudiosos, das Artes Plásticas, a fim de compreender melhor o mundo das imagens que emergiam do inconsciente dos clientes que ela cuidava no Museu de Imagens do Inconsciente].