Rua Sorocaba 800, CEP 22271-100, Botafogo, Rio de Janeiro, Brasil.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Histórico / Casa das Palmeiras - 1970

Palavras de Nise da Silveira

Quaternio -
Revista do Grupo de Estudos C. G. Jung, págs. 92 e 93.
Rio de Janeiro, 1970.

Casa das Palmeiras – nova sede
No dia 29 de maio de 1969 essa instituição inaugurou sua sede própria (colaborou, nesta aquisição, o Leilão de 1967 - doação de mais de 200 obras de artistas plásticos) à rua D. Delfina nº 39 - Tijuca. Fundada em dezembro de 1956, a Casa das Palmeiras funcionou durante 12 anos na bela e velha casa da Rua Haddock Lobo, 296, cedida por D. Alzira La- Fayette Cortes. Trata-se de um tipo de clínica psiquiátrica sem fins lucrativos, funcionando em regime de externato, destinada ao tratamento e à reabilitação de pessoas que tiveram o psiquismo dissociado, a vida emocional perturbada e prejudicadas as relações com o mundo onde vivem. Na Casa das Palmeiras o primeiro instrumento terapêutico é o método ocupacional. Entretanto esse instrumento é apenas o ponto de partida de seus técnicos. Segundo disse sua diretora, Dra. Nise da Silveira, no discurso de inauguração da nova sede:

“Nossos objetivos visam mais longe. Visam coordenar intimamente olho e mão, sentimento e pensamento, corpo e psique, primeiro passo para a realização de todo específico que deverá vir a ser a personalidade de cada indivíduo sadio. Na busca de conseguir esta coordenação fazemos apelo à capacidade criadora que existe, mais ou menos adormecida, dentro de todo indivíduo. A criatividade é o catalisador por excelência das aproximações de opostos. Por seu intermédio, habilidades manuais, sensações, emoções, pensamento, são levados a reconhecerem-se entre si e a associarem-se. Daí a ênfase que damos, na Casa das Palmeiras, às atividades criadoras.
Todo ato de criação, mesmo o mais simples e despretensioso implica num encontro entre consciente e inconsciente. E é na chama desse encontro, de intensidade maior ou menor, que os fragmentos da psique dissociada se juntam, que são construídos símbolos e que se realizam sínteses. A tarefa principal do médico será permanecer atento ao desenrolar fugidio dos processos interiores a fim de dar apoio e ajuda a seu cliente no momento oportuno. Convivendo com ele durante várias horas por dia, vendo-o exprimir-se verbal ou não verbalmente em numerosas oportunidades diferentes, o médico logo chegará a um conhecimento bastante profundo de seu doente. E a relação que nasce entre ambos, tão importante no tratamento, é muito mais genuíno que a relação de consultório entre médico e doente. A Casa das Palmeiras é um pequeno território livre onde não há pressões geradoras de angústia nem exigências superiores às possibilidades de resposta de seus freqüentadores”.
__________
Nota: Em 1981 a Casa das Palmeiras foi transferida para a Rua Sorocaba, 800, Botafogo, RJ, onde se encontra atuante até os dias de hoje.
Tel. (21) 2266-6465.
_____________________

sábado, 4 de setembro de 2010

Encontro de mestres

Jesusha Chang
( Revista Quaternio, nº 8, do Grupo de Estudos C. G. Jung, 2001, pág. 118)

Em 29/8/96, encontro de mestres: Dra. Nise da Silveira com o Mestre Liu Pai Lin.
(chá das 5 com cinco presenças: Dra. Nise, Mestre Liu, Dra. Alice, Jerusha e Franklin Chang).
Dra. Nise comenta sobre seu interesse na questão do conhecimento do espírito.
O Mestre e a Dra. Nise deram-se as mãos e fitaram-se nos olhos.

Mestre: Porque você é muito espiritual, pode captar de imediato o segredo da Iluminação: resume-se em duas palavras – espírito e energia. O centro do espírito é o sol Interior que é o centro do sexto sentido. Concentrá-lo é irradiar sua luz pra Terra que é a raiz da energia. O espírito fica abraçado nesse centro que, como um vaso, o recebe. Para que o espírito não disperse, deve recolher, para que a energia não disperse, deve se reunir com o espírito.
Nise: Como você sabe que sou espiritual?

M: Tenho meu centro no sexto sentido treinado, portanto, sinto só no contato.
N: O mestre está mais jovem do que quando o conheci. Também quero ficar assim. Me ensina?

M: Meu segredo é esse: união de espírito e energia, criar o hábito dessa união a cada momento, não se esquecer nenhum segundo de retornar à unidade do ser.
N: E a energia dos animais?

M: É diferente da energia humana. Para se recuperar da energia perdida é necessária a ajuda de energia semelhante. Se essa mesa quebra, usamos madeira para consertá-la, se a roupa rasga, usamos tecido para remendá-la, se o homem adoece, necessita ser tratado com energia humana. Em outro nível, o homem pode também se repor da energia do céu religando-se com sua origem, através de seu redemoinho e rede nervosa em contato direto com o céu. Porque o envelhecimento do homem vem do enfraquecimento de seus nervos, os nervos são yin e os ossos são yang. Na velhice é difícil manter a flexibilidade dos ossos, porque os nervos fracos não alimentam os ossos. Daí a importância do segredo taoísta: o centro do espírito é fruto dos ossos e nascente da rede nervosa – se alimenta do céu e daí energiza todos os nervos e ossos. Por onde a energia circula, se sente calor ou eletricidade.
N: Estava com a respiração muito superficial e uma professora de ioga me disse que eu precisava respirar mais profundamente, porém eu não conseguia. Então eu vi o gato-onça deitado de lado respirando com todo o corpo e tentei também, deitada de lado, fazer aquela respiração. Consegui. Hoje sinto minha respiração muito boa, e o gato é o “mestre-onça”.

M: O envelhecimento do homem também se associa ao enfraquecimento do pulmão e rins: à medida que a respiração fica mais superficial ocorre a separação do fogo e água, onde a pessoa entra num processo onde mais expira que inspira até que, no final da vida, só expira, não expira mais. Portanto o que acaba é a força dos rins, a principal responsável pela inspiração. Como a respiração taoísta fortalece os rins, aumenta a força de captação da energia de fora, ajudando a respiração pulmonar.

Dra. Alice: Isso sobre respiração é novidade. Nunca ouvi essa forma de respirar.
M: A Dra. Precisa também da ajuda externa de uma massagem na barriga, para fortalecer sua energia vital e circular essa energia na raiz. Essa massagem deve ser realizada por uma criança de 7 a 12 anos, de prefer6encia menino. Porque uma pessoa espiritual como você deve viver muito para continuar ajudando os outros. Qual a utilidade de uma tartaruga de 500 anos? Queremos comemorara seu aniversário de 100anos!
(Dra. Sorri!)
M: Por favor, não se esqueça de, constantemente, recolher o espírito na raiz da energia até sentir calor, e quando o calor aumentar, a energia fortalece e você pode mandar essa energia para a perna quebrada. Porque o segredo é esse, o resto é ilusão, tudo é falso, apenas isso é verdadeiro.

P. S. Infelizmente, ambos não chegaram aos 100 anos, mas deixaram seus ensinamentos para o próximo milênio. Mestre Liu faleceu em 8/2/2000, exatamente 100 dias após o falecimento da Dra. Nise.
___________
Da visita do mestre Liu Pai Lin à casa de Dra. Nise da Silveira foi possível este belíssimo encontro. O mestre Liu nasceu na China. Aos 70 anos de idade veio visitar o Brasil e se encantando com o povo, o clima e as frutas, e, com isso, resolveu aqui ficar para ensinar o Tai Chi Chuan. Grande mestre em Tai Chi e Chi Kung, Liu Pai Lin foi, também, reconhecido como uma autoridade em medicina chinesa em vários países. Formou os melhores profissionais.
_______________
Dra Alice Marques dos Santos, psiquiatra, foi grande esteio; braço e sustentáculo de Dra. Nise desde o início de suas atividades no Engenho de Dentro, sendo a 1ª Diretora de um hospital de Psiquiatria na América do Sul, Hospital Odilon Galotti.
__________________________

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Colaboradoras no Floral


A atividade Arranjo Floral sempre é muito requisitada por todos, clientes e colaboradores, que se encantam com a beleza natural das flores. Esta atividade ocorre de 15 em 15 dias com a colaboração de voluntárias e um estagiário sempre prontos a ajudar os clientes quando necessário.
___________________________

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Um olhar sobre Jung

O Grupo de Estudos C. G. Jung
Fundado por Nise da Silveira – 1955.
Registrado em 1968, atuante até hoje, 2010.

Convida para a Palestra de

Dr.Cesar Parga
Um olhar sobre Jung

Dia: 1 de setembrode 2010 – (4ª feira)
das 19h. às 21h.
na
Casa das Palmeiras
Rua Sorocaba, 800
- Botafogo

Inf.: Tel. 2266-6465 ou 2242-9341

Aberto ao público

Todos estão convidados:filósofos,artistas,físicos, matemáticos, psicólogos, arquitetos,pessoas do lar, poetas livres, estudantes ou profissionais de qualquer área do saber.
Tragam amigos e amigas para um encontro com Jung
________________________

Dr. Cesar Parga é médico terapeuta:
Psicologia Analítica de Jung.
Profundo estudioso da Obra de Jung por muitos anos
Participou do Grupo C. G. Jung
junto com Nise da Silveira nos anos 70/80.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Contos de Fada como atividade terapêutica

A atividade de Contos de Fada acontece regularmente, desde 1986, atualmente, às quintas-feiras na grande sala da Casa das Palmeiras, no 1º andar e conta com a participação de muitos clientes atentos à narrativa da contadora de histórias tradicionais do imaginário popular do todos os povos.
Este trabalho é planejado por colaboradores específicos que tem a responsabilidade de selecionar o Conto apropriado aos anseios e as dificuldades dos clientes. Narrar os Contos tomando como base a história escolhida, observar atentamente e anotar todos as reações, movimentos, olhares e falas que possam ocorrer por serem significativas. Tudo é recurso para se apreender o processo de reorganização emocional e mental, o progresso de cada cliente.
Inicia-se esta atividade com a contação do Conto; voz suave, nada monocórdica e sim melódica, sem exageros. Terminado o contar da história passamos para um breve tempo de uns minutos de silêncio onde nos olhamos afetuosamente e em seguida a narradora faz algumas perguntas com cuidados e naturalidade, a alguns dos ouvintes, como por exemplo: O que você (...) mais gostou? Como era o chapéu do príncipe? O castelo como era? A carruagem era de que tamanho? A floresta, como vêem a floresta? E a casa do camponês? O anel cheio de pedras preciosas, quais pedras? O que não gostou na história? A ranzinha era de que cor? Como você (...) vê o cavalo? Tudo de acordo com a história narrada. Consciente e inconsciente se aproximam com as realidades do mundo imaginário
Outra maneira de se trabalhar nesta atividade é motivar o mundo das imagens através das produções plásticas oferecendo material como papéis, lápis de cera ou lápis de cor. A produção criadora é sempre espontânea; desenha-se o que se tenha vontade, embora possamos sugerir algum motivo especial como o castelo do rei ou um animalzinho que tenha aparecido numa das histórias. Nada deve ser imposto, apenas sugerir quando se percebe dificuldades para expressar a imaginação.
A escolha das histórias é sempre muito cuidadosa já que se está visando trabalhar com pessoas portadoras de estados emocionais com gravíssimas alterações psíquicas. Não é qualquer história que deva ser contada. Os Contos escolhidos são relatados de histórias que pertencem à tradição oral do imaginário popular, e que na sua estrutura possamos encontrar símbolos e fatos que toquem o inconsciente dos ouvintes em geral.
Há uma preferência, orientada por Dra. Nise da Silveira, de que terapeuticamente as histórias escolhidas devam pertencem à coleção dos Irmãos Grimm, em razão de conterem em si conteúdos de aproximação entre consciente e inconsciente, reveladores de estados internos e externos. O que encontramos, também, nos contos do folclore brasileiro, em especial as histórias de encantamento de Câmara Cascudo. São narradas histórias dos nossos índios brasileiros e, também, contos de outros povos como os europeus, americanos, orientais e/ou africanos.
Em ocasiões específicas os clientes são convidados a serem os autores de suas estórias. Á partir de um tema proposto, lhes é sugerido que juntos, criem um corpo e um final para o conto. O mediador que preferencialmente será um colaborador da Casa fica responsável para coordenar a junção desses fragmentos até que se tenha uma estória com princípio, meio e fim. Dá-se então a atividade de Conto Coletivo.
Foi nesse ambiente que C., freqüentadora assídua da atividade de Contos de Fada, mas que aparentemente não demonstrava qualquer interesse pela atividade, e que depois de um ano, resolveu pedir uma história de “um príncipe encantado”. Ficou resolvido então, que “A princesa e a bola de ouro” (Irmãos Grimm) era o conto que mais se adequava ao pedido da cliente. Após ouvi-lo atentamente, C., para a surpresa de muitos, resolveu comentá-lo com muita propriedade e ênfase em alguns aspectos muito importantes para ela. Esse comportamento vem se repetindo desde então, dando pistas relevantes para colaboradores e estagiários.
_____________________________________________________

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Nise e Carlinhos

Nossa querida e saudosa
Nise da Silveira e seu último gato - Carlinhos - anos 90.
______________________________________________

terça-feira, 27 de julho de 2010

Carl Gustav Jung

Jung nasceu a 26 de julho de 1875, numa aldeia em Kesswil, cantão da Turgovia, Suiça.
Dr. Edgar Tavares na Casa das Palmeiras lembrou na tarde de ontem, 26 de julho, o nascimento de Jung há 135 anos. E da importância de seu pensamento para a vida e obra de Dra. Nise da Silveira, assim com a sua contribuição cultural para a Casa das Palmeiras.

Para comemorar, um pouco de Jung:

“Nenhum valor psíquico pode desaparecer sem que seja substituído por outro”

“Rigorosamente falando, o princípio espiritual não entra em colisão com o instinto, mas com a instintividade cega na qual se manifesta predominância injustificada da natureza instintiva em relação ao espiritual. O espiritual também se apresenta na vida psíquica como um instinto, mesmo como uma paixão ou, segundo disse Nietzche, ‘como um fogo devorador’. Não se deriva de qualquer outro instinto, mas é um princípio sui generis, uma forma específica e necessária da força instintiva”.

“O símbolo não traz explicações; impulsiona para além de si mesmo na direção de um sentido ainda distante, inapreensível, obscuramente pressentido e que nenhuma palavra de língua falada poderia exprimir de maneira satisfatória”.
Nise da Silveira - Jung Vida e Obra, Paz e Terra, SP, 2003.

Mandala (sânscrito) significa círculo, e mais especialmente, círculo mágico, As mandalas não se difundiram só em todo Oriente, mas também existe entre nós;foram representadas abundantemente, na Idade Média. São numerosas no início da idade média no mundo cristão; muitas delas tem o Cristo no centro e os quatro evangelistas ou seus símbolos nos quatro pontos cardeais. Esta concepção deve ser muito antiga, uma vez que entre as egípcios Horus era representado do mesmo modo, com seus quatro filhos” .
Memórias, Sonhos e Reflexões - Editora Nova Fronteira, RJ, 1975.
____________________________