Rua Sorocaba 800, CEP 22271-100, Botafogo, Rio de Janeiro, Brasil.

sábado, 19 de outubro de 2013

Nise - 14 anos de ausência e de presença eterna

          Saudade de Nise

                     Maria Lúcia Vinha Boiteaux

Mas, por falar em saudade,
Onde anda você?

Saudade de Nise.

Vou além da saudade,
Vou ao encontro de Nise.
Onde encontrar Nise?
Nos espaços franciscanos?
No olhar de um felino?

Um sinal apontou para
O encontro da cientista e a bruxa,
Pura alquimia.

Nise compreendia minha magia.

Relembrar nossas tardes,
onde passávamos da tragédia à comédia.
Sempre tínhamos espaços para brincadeiras
E irreverências.
Nise me via como uma colaboradora e amiga.

Falar com Nise, por que não?
Ora, dirás ouvir estrelas,
Por certo, perdeste o senso...

Obrigado, Nise, por ter
existido entre nós.
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Maria Lucia Boiteaux – foi colaboradora na Casa das Palmeiras - Atividade Salão de Beleza. Homenagem / Quaternio de 2001 – pág. 147. Revista Nº 8 do Grupo de Estudos C. G. Jung. 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Nise -14 anos de ausência e de presença eterna


Nise, dia de seu aniversário aos 90 anos (foto inédita - MPF)

Estamos neste fim de mês refletindo nos 14 anos de ausência insubstituível de Nise da Silveira 
(15/02/1905-30/10/1999).
Aproveitaremos para publicar alguns artigos escritos em sua Homenagem e pertinentes à Casa das Palmeiras. Em particular textos de pessoas que trabalharam efetivamente com os clientes na Casa e deram seu testemunho - publicados na revista Quaternio Nº8/2001.

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                                 Imagem da consciência

                                                           Lygia Franklin de Oliveira

          Há uma semana estávamos reunidos na nossa assembleia na Casa das Palmeiras, chamada Clube Caralâmpia. Este é um espaço democrático onde clientes e equipe terapêutica discutem problemas, são feitas críticas, sugestões e deliberações. Um cliente antigo e muito querido, M. A., pediu a palavra. Fez um relato de uma recente experiência que, para outras pessoas, talvez seja plenamente aceitável e “normal”. M. A. concluiu que até mesmo os médicos são preconceituosos em relação ao doente que tem uma história psiquiátrica. Contou-nos que, no ano passado, havia desenvolvido um quadro de pneumonia e procurado tratamento. Este foi prolongado, e M. A. começou a perceber que o médico não levava em consideração o que ele falava, embora o estivesse fazendo com objetividade e coerência. O médico procurava sempre a confirmação ou informações advindas de seus familiares. M. A. sentiu-se profundamente humilhado. Veio compartilhar sua dor conosco, dizendo que esta era a pior de todas. Na sua avaliação, se os próprios médicos não conseguem estabelecer um contato respeitoso com o cliente psiquiátrico, o que dirá o restante da sociedade?
          Nise da Silveira criou a Casa das Palmeiras como “um pequeno território livre” onde os clientes têm liberdade de expressão e encontram uma equipe que, sobretudo, valoriza a sua dignidade, respeita as singularidades e tem credibilidade pelo que cada um traz e sente. Uma equipe que procura construir pontes alicerçadas na sinceridade e no respeito entre si e os clientes. Tudo isso, a terapêutica ocupacional constitui-se o laborioso caminho de volta à reinserção social.
          No mesmo dia em que M. A. contou-nos a sua história, outro cliente, M., explicou-nos que considera o ambiente da Casa das Palmeiras, de uma “inocência exagerada”. Definiu-o assim porque sabe que este mesmo ambiente não existe no mundo do lado de fora - duro e marcado por incompreensões. Mas M. afirmou de maneira convicta que é justamente desta “inocência exagerada” que uma pessoa que mergulho profundamente no seu inconsciente e experienciou todas as amarguras afetivas, sociais e médicas advindas deste mergulho, necessita para se recuperar. As dores e o sofrimento são tão intensos que só uma atmosfera semelhante à Casa das Palmeiras poderá trazê-lo de volta. Segundo M. é essencial que a pessoa recupere a confiança e a segurança através de uma experiência vivida. Esta é a sua única chance de retorno, geralmente constitui-se o oposto oferecido pelo mundo externo, que cada vez mais prioriza a competitividade e o sucesso objetivo.
          Não é difícil reconhecer o grande abismo entre os depoimentos de M. A. e M. e o que acontece na maioria dos serviços de saúde - psiquiátrica ou não. Geralmente o doente é pouco ouvido e não é levado a sério. O próprio sistema de saúde os trata como seres que não têm nada a dizer. Comumente a maior preocupação é mantê-los sob controle e silenciosos. Configuram-se aqui o autoritarismo, a visão reducionista e o preconceito, qualidades tão avessas à ciência.
          Guardo uma linda imagem da Doutora (assim a chamamos carinhosamente na Casa das Palmeiras), como símbolo opositor de tudo aquilo que descrevi através dos depoimentos de M.A e M.: Nise no chão, de joelhos, observando durante horas e horas os trabalhos dos clientes, tentando compreender, decifrar os mistérios ocorridos na alma de pessoas sofridas e quase sempre desqualificadas pela sociedade. Uma mulher numa atitude verdadeiramente religiosa, absorta e totalmente dedicada. Algumas vezes ouvi falar sobre este seu hábito de estudo e percebi que ele era tradutor de sua reverência e reconhecimento pelo manancial de riquezas interiores dos seus clientes. Foi esta atitude que marcou e fez o diferencial de toda a sua obra, possibilitando a recuperação de existências, esperanças e sonhos onde o senso comum é o científico, em princípio se diagnosticam como irrecuperáveis.
          Nise encarnou a síntese que unifica o arguto olhar científico ao gesto humano e amoroso. Vivemos numa época de incrível avanço tecnológico, mas essa síntese ainda não foi conquistada. Dela somos carentes. Falar de Nise é como falar do mar ou das estrelas. Não dá, não cabe, é grande demais. Mas acredito que a imagem de joelhos no chão tenha a força e a beleza capazes de inspirar um número cada vez maior de profissionais de saúde, não como ideologia intangível, mas como uma atitude terapêutica vital e transformadora.

Nota – o negrito é nosso.

Texto de Lygia Franklin de Oliveira, médica na Casa das Palmeiras, por ocasião do falecimento de Nise da Silveira (1905-1999). Homenagem / Quaternio / 2001 – pág. 133. Revista Nº 8 do Grupo de Estudos C. G. Jung. 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Casa das Palmeiras


 
[ Imagem - Marc Chagall ] 
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sábado, 5 de outubro de 2013

Casa das Palmeiras - Emoção de Lidar - Histórico


Este mês de Outubro nos traz a saudade e falta, insubstituível, de Nise da Silveira (15/fevereiro/1905- 30/outubro/1999) não apenas em sua dedicação absoluta aos seus clientes, mas para todos nós que nos alimentávamos com sua sabedoria, mergulhos nas profundezas internas, sua perspicácia, cultura e humor refinado entre mil coisas mais impossíveis de especificá-las.  
Um pouco de memória e homenagem a tão querida e humaníssima pessoa que permanece viva - Nise da Silveira


 Retrato de Nise - gravura em metal de José Paixão / colaborador s/d. 
A Casa das Palmeiras funcionou durante 12 anos na bela e velha casa da Rua Haddock Lobo, 296, Tijuca, cedida, por D. Alzira La-Fayette Cortes. Transferida para a Rua D. Delfina nº 39. Palavras de sua diretora e fundadora, Dra. Nise da Silveira, no discurso de inauguração da nova sede, no dia 29 de maio de 1969:

Palavras de Nise da Silveira
Quaternio - Revista do Grupo de Estudos C. G. Jung, págs. 92 e 93.
Rio de Janeiro, 1970.
           “Nossos objetivos visam mais longe. Visam coordenar intimamente olho e mão, sentimento e pensamento, corpo e psique, primeiro passo para a realização de todo específico que deverá vir a ser a personalidade de cada indivíduo sadio. Na busca de conseguir esta coordenação fazemos apelo à capacidade criadora que existe, mais ou menos adormecida, dentro de todo indivíduo. A criatividade  é o catalisador por excelência das aproximações de opostos. Por seu intermédio, habilidades manuais, sensações, emoções, pensamento, são levados a reconhecerem-se entre si e a associarem-se. Daí a ênfase que damos, na Casa das Palmeiras, às atividades criadoras. Todo ato de criação, mesmo o mais simples e despretensioso implica num encontro entre consciente e inconsciente. E é na chama desse encontro, de intensidade maior ou menor, que os fragmentos da psique dissociada se juntam, que são construídos símbolos e que se realizam sínteses. A tarefa principal do médico será permanecer atento ao desenrolar fugidio dos processos interiores a fim de dar apoio e ajuda a seu cliente no momento oportuno. Convivendo com ele durante várias horas por dia, vendo-o exprimir-se verbal ou não verbalmente em numerosas oportunidades diferentes, o médico logo chegará a um conhecimento bastante profundo de seu doente. E a relação que nasce entre ambos, tão importante no tratamento, é muito mais genuína que a relação de consultório entre médico e doente. A Casa das Palmeiras é um pequeno território livre onde não há pressões geradoras de angústia nem exigências superiores às possibilidades de resposta de seus frequentadores”.
Nota: Em 1981 a Casa das Palmeiras foi transferida para a Rua Sorocaba, 800, Botafogo, RJ, onde se encontra atuante até os dias de hoje.
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Grupo de Estudos C. G. Jung
O LIVRO VERMELHO DE JUNG
Liber Secundus 
Dias 9 e 23 de outubro das 19h às 20h30

Rua Sorocaba, 800 - Botafogo (entrada franca)
Nenhuma dificuldade em acompanhar a leitura. Jung nos faz mergulhar,
 com ele, no espírito das profundezas.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Casa das Palmeiras por Nise da Silveira


 
Ao perguntarem à Nise da Silveira o que era a Casa das Palmeiras, Dra. Nise arregalou seus grandes olhos vivos e tranquila verbalizou firme e incontinenti:

QUE É A CASA DAS PALMEIRAS?*

ATIVIDADES

ARTES APLICADAS
PINTURA
MODELAGEM
XILOGRAVURA
MARCENARIA
ENCADERNAÇÃO
BOTÂNICA
ARRANJO FLORAL
TEATRO
CINEMA
MÚSICA
LANCHE
BAILE
FESTAS
 GRUPO CULTURAL
OPINIÕES DOS CLIENTES SOBRE A
CASA DAS PALMEIRAS
CLUBE CARALÂMPIA
HINO DO CLUBE CARALÂMPIA

 *CASA DAS PALMEIRAS - A EMOÇÃO DE LIDAR
Uma Experiência em psiquiatria – Pág. 7. 1986 - Capa Francisco Noronha – xilogravura.
Editorial Alhambra (88 págs. - esgotado).
Não foram incluídos nessa edição O Arauto, jornal dos clientes e os Passeios.
A partir desse ano de 1986 iniciaram-se as atividades de Contos de Fada, Expressão Corporal, seguindo de Leitura e Poesia. Por falta de colaboradores especializados algumas atividades foram desativadas.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Belíssimos vasos rústicos de argila


 Vasos rústicos produzidos 
pelos artistas singulares da Casa das Palmeiras




terça-feira, 3 de setembro de 2013

Seleção - Voluntário/a ou estágio nas Atividades Plásticas


A Casa das Palmeiras está selecionando colaboradores e estudantes de artes visuais para estágio (UFRJ - convênio) ou trabalho voluntário. 
Precisamos de pessoas que tenham habilidades e/ou alguma prática para as Artes Visuais a fim de ajudarem nos Ateliês de Atividades Plásticas da Casa das Palmeiras:
Modelagem, Desenho, Colagem e Pintura.
 -Laboratório criativo -

Tel. 2266-6465 (das 13h30 às 17h - 2ª a 6ª feira)
ou Tel. 2242-9341 (deixar recado)

Os trabalhos são criações espontâneas, mas que requer alguma orientação técnica sempre que necessário.
criadores singulares: L.C. e P. cerâmica
T. e M.E. colagem - R. e R. desenho - C. e J. pintura
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