Rua Sorocaba 800, CEP 22271-100, Botafogo, Rio de Janeiro, Brasil.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Pensamentos

NISE Arqueóloga dos Mares

[Pão de centeio, profundo, delicioso... que acabou de sair do forno -
livro de Bernardo Carneiro Horta].

“A criança se identifica com o ambiente onde vive, com seus pais. Coisas que acontecem na vida da criança - boas, ruins... - podem marcá-la para sempre. São cicatrizes indeléveis. Às vezes, feridas que nunca se fecham... Há quem não perceba, mas a observação da criança é muito séria. Ela tem grande capacidade de captar o que se passa ao seu redor.”

“Há no meu temperamento essa fúria. Quando eu quero uma coisa, eu insisto. Todo o dia, sem falta, eu levantava cedo, pegava o ônibus e ia trabalhar em Engenho de Dentro. Todo dia,, todo dia... Nada me tirava daquele caminho. A palavra recuar não faz parte do meu dicionário.”

“O homem é mau, mas a mulher é perversa. Mulher sabe ser ruim como o demônio... Uma mulher engana o diabo. Duas enganam o inferno inteiro.”

“Ciência e dinheiro não se misturam.”

“Eu sou daquelas pessoas que, quando cisma com uma coisa, fica pensando a noite toda, sem dormir... Pode ser uma besteira qualquer, mas eu perco o sono.”

“A contaminação psíquica é pior que piolho. Vai passando de uma cabeça para outra, numa rapidez incrível. E, como você sabe, todo mundo já pegou piolho... Se um dia causarmos uma catástrofe nuclear na Lua, será obra do psiquismo.”

“A criatividade tem uma natureza borboleteante, que inclui a liberdade da desorganização - sem isso, não sai nada. Não há criação possível.”

“Ontem, sonhei. Eu dançava, muito alegre. Então, compreendi que a morte não é uma coisa tão terrível. É dançável e alegre... A morte é uma viagem para regiões desconhecidas. Tenho curiosidade em experimentar - mas também tenho medo do que posso encontrar. A morte será a minha grande e última aventura.”

“Para navegar contra a corrente, são necessárias algumas qualidades raras: espírito de aventura, coragem, perseverança e, sobretudo, paixão.”

“A pior doença é a maldade - isso consegue destruir tudo, todos, de forma aniquiladora. O que mata é o preconceito, o que mata é o desamor.”

“Já fui muito enganada pelo animal humano.”

“Não sei fazer nada sem procurar uma base mais profunda, sem ler, pesquisar. Leio para trabalhar, para escrever. As referências são fundamentais.”

“A denúncia é a função maior do intelectual.”

“Vejo Sócrates sempre com uma chave na mão, fechando e abrindo o conhecimento, os entendimentos.”

“Agora, me digam: o que é que não está em evolução nesta vida?!”

“Porque passei pela prisão, eu compreendo as pessoas e os animais que estão doentes, pobres, que sofrem... Eu me identifico com eles. Me sinto um deles.”

“Liberdade... Esta é a palavra que mais gosto de ouvir. Gosto do som dessa palavra.”

“De toda forma, continuo socialista - pode não ser o mesmo socialismo de tempos atrás, mas não está ultrapassado. A humanidade não é boa, o que ainda existe são pessoas boas. O tempo passa, mas uma coisa dentro de mim não muda: eu jamais vou compreender uma sociedade dividida em classes. Isto é um absurdo! Eu não consigo aceitar... não me conformo.”

“Sou particularmente apaixonada por Rembrandt. Ele mergulhava nas imagens, como Leonardo da Vinci. Observe sua pintura... Se você sonha, você mergulha. Também admiro Picasso.”

“Há beleza na vida, beleza em tudo. Vocês vêem?... Há beleza na alegria - e, mesmo na saudade, na tristeza, no sofrimento e até na partida, há beleza. A vida é uma beleza...”
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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Nise – Arqueóloga dos Mares



Este livro não pretende ser uma biografia convencional, até porque a própria Doutora se negava a escrever sua autobiografia, por considerar que a linearidade cronológica do gênero não consegue revelar o que há profundo na existência. Sendo assim, a obra foi elaborada conforme sugestão da própria psiquiatra. “Diferente da biografia, com início-meio-e-fim, o livro versa sobre a vida de Nise, mas de forma fragmentada, criativa, vital. São unidades de texto que reúnem episódios, pessoas, animais, objetos, atitudes e situações espalhados livremente. Enfim, uma narrativa livre, predispondo o leitor a criar, juntamente com o autor, a sua Nise da Silveira” - palavras de Bernardo Horta, que frequentou o Grupo de Estudos C.G. Jung por muitos anos e tormou-se amigo da grande sábia.


Nise – Arqueóloga dos Mares
Autor: Bernardo Carneiro Horta
Número de páginas: 400

Livraria Leonardo da Vinci

Av Rio Branco, 185 Loja 2, 3, 4 e 9

Tel 2533-2237



Nota: a Casa das Palmeiras não vende livros
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domingo, 5 de outubro de 2008

Clube Caralâmpia

Bandeira do Clube Caralâmpia - Xilogravura

No clube Caralâmpia todo mundo tem razão
Assim é o fraterno e solidário Clube Caralampia.
Esta atividade teve a sua 1ª reunião em 3 de agosto de 1961 e se chamava Clube Recreativo. Teve alguns nomes até definitivamente, em homenagem a cachorrinha Caralâmpia, passar a ter este nome. As reuniões eram sempre nas 4ª feiras, de quinze em quinze dias. Atualmente passou para as primeiras 2ª feiras de cada mês.
Cadeiras são colocadas em círculo, aonde cliente e equipe técnica, juntos irão se expressar em suas idéias e resolver coisas em comum.
Logo no início, o grupo escolhe um Presidente para coordenar os trabalhos da mesa e um Secretário para a feitura das atas referentes aos assuntos que serão abordados. O Presidente é sempre um cliente da casa e o Secretário poderá ser ou não ser alguém da equipe da Casa. Sempre há democracia nas escolhas, de mês para mês, de tal forma que todos tenham oportunidade de conduzir os trabalhos da mesa.
Com respeito canta-se o Hino Caralâmpia na abertura das seções. Em seguida aplausos para todos os presentes. Num quadro está à disposição canetinha para quem quiser escrever suas solicitações, o que desejar.
A freqüência é espontânea, e geralmente todos comparecem para dar suas opiniões. A participação é sempre individual, cada um tem o seu tempo de fala: pedidos, reclamações, contestações, sugestões, sempre de acordo com as possibilidades de cada um. Alguns fazem muitos pedidos e exigências e outros permanecem em silêncio observando e acompanhando sutilmente com os olhos. Uns podem vibrar e falar alto e outros com voz muito baixa darão sugestões, também, interessantes.
Programam-se Festas, Passeios, Filmes que desejam ver. Assuntos de Jornal ou TV. Problemas da política. Dificuldades pessoais. Uma partilha afetuosa e cheia de trocas de informação, coesos na busca de entendimento para a melhor solução de problemas que podem surgir.
Os passeios sempre são resolvidos por votação - é possível sugerir alternadamente lugares de lazer e de Cultura - parques ou Museus. Sempre se acata o desejo da maioria com muito respeito e compreensão mútua.
No Clube Caralâmpia são apresentadas as pessoas que chegam; clientes, colaboradores ou estagiários, da mesma forma é um espaço para aquelas que se despedem da Casa.
Está registrada uma bela conversa entre dois clientes da Casa na reunião do Clube Caralâmpia. Um deles disse: “Nós os doentes...” o outro imediatamente emendou: “Doentes não, nós somos é incompreendidos.”
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Hino do Clube Caralâmpia

Tra lá lá lá - trá lá lá lá lá lá lá ( bis)
Na nossa bandeira
Tem balança tem palmeira
Tem o sol pra iluminar
Nossa estrada a vida inteira

Trá lá lá lá
Nossa estrada a vida inteira.

Vamos, vamos minha gente
Fazer nossa reunião
Presidente é o primeiro
Secretário aquenta a mão.

Trá lá lá lá
Secretário agüenta a mão.

Se você for o terceiro
Peço me dar atenção
Que eu também quero falar
Dar a minha opinião.

Trá lá lá lá
Dar a minha opinião.

Pois no Clube Caralâmpia
Todo mundo tem razão
Mas só vence a sugestão
Quem tiver mais votação

Trá lá lá lá
Quem tiver mais votação.

Batam palmas companheiros
Acabou a discussão
Pois no Clube Caralâmpia
Todo mundo é campeão.

Trá lá lá lá
Todo mundo é campeão

Trá lá lá lá - trá lá lá lá lá lá lá (bis)

- Olvinda
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domingo, 28 de setembro de 2008

Arranjo Floral

O Arranjo Floral é um reflexo do processo interno, um meio de fortificar a consciência, ultrapassando a expressão verbal.

Na atividade floral cada um projeta-se sobre as flores de maneira bem particular.
Aqui registraremos algumas frazes recentes e outras mais antigas das pessoas que participam do arranjo das flores em belos vasos de cerâmica ou de vidro:

R
.
As flores enfeitam a casa - 15 / 09 / 2008.

Essas flores eu ofereço as almas de dra. Nise da Silveira, mãezinha Luiza Freire Cunha, meus sobrinho Rodrigo Rodrigo. Amem eles estão melhor do que eu.
R.C.R

As flôres são belas...eternas...Divinas...amigas
As flôres...infindáveis cores...
A.M

Eu amo muito as rosas
Ela perfuma os ambientes de nossas vidas.
P.C

As rosas e as flores perfumam os ambientes
de nossas vidas
não sei o que seria de nós sem as flores e as margaridas.
P.C

Eu ofereço estas rosas para todos os meus amigos
porque eu sei que todos eles gostam de mim.
S.S

As flores também nos ajudam a sermos felizes.
Como diz o nosso tão valoroso Zeca (o seu José Bastos): “o medo é traiçoeiro”
Por isso não tenhamos medo de sermos felizes.
M.A

As flores purificam o ar.
M.A

Foi Deus quem fez estas flores
com a ajuda do senhor espírito santo.
J

O sucesso pra mim é saber que o louco nada mais é do que já foi dito.
Apenas um homem que chora.
A

São as flores e mais flores nascendo que perfumam
a Casa das Palmeiras.
A

Às flores humanas dedico flores vegetais
para que o perfume destas e daquelas se misturem
.
C

As flores são como a gente tão frágeis e belas
são também como os passarinhos
leves ao sabor do vento.
P.L

A delicadeza das flores mostra a homens e mulheres
Que vivem com perfume apesar da violência.
C.A

As flores são a vida nos jardins ou nas estufas e a morte nos campanários.
L.M

Este arranjo floral é composto de rosas vermelhas
e estas significam paixão
pois é próprio da cor vermelha este sentimento.
L.M

Muito famosa na Casa é a frase do nosso saudoso seu José Bastos:

De que serve colher rosas
Se não temos a quem ofertá-las.


Outras profundas reflexões anônimas:

O corpo é como as flores, nasce, cresce e morre.

Se a gente tivesse estrutura para amar, deveria ser igual para todos. E estas flores são a síntese do meio certo de amar todas as pessoas.

As flores têm muito afeto para dar e receber.

A rosa vermelha representa um coração que bate em nosso corpo dando afeto e carinho a quem precisa.

A Casa das Palmeiras é colorida
perfumada como as flores.

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domingo, 21 de setembro de 2008

Arranjo Floral

A beleza do Arranjo Floral é um dos muitos remédios na Casa das Palmeiras.
As flores, as mais variadas flores naturais, sobre a mesa, aguardam a chegada dos clientes que se organizam em torno para escolher aquelas que mais lhes agradam e colocá-las numa jarra. Sobre a mesa estão dispostas bonitas jarras de vários tamanhos - cerâmica e vidro. Conforme as escolhas e os cortes com a tesoura própria para cortar as plantas, os talos, os arranjos são feitos com harmoniosa colocação estética ao gosto de cada um em particular.
Um cuidar quase gestual em que todos participam. É uma atividade individual porque a escolha é pessoal e é coletiva porque é vivenciada em grupo. A aproximação das flores é sempre espontânea. As flores agem como imã de cordialidade.
Sempre certo entusiasmo nas escolhas das flores; rosas, margaridas, girassóis, buganvílias, palmas, cravos, cravinas, crisântemos e tantas outras mais que nos perdemos nos nomes. O florista, de quinze em quinze dias, nos envia muitos ramos grandes das flores necessárias para esta atividade repleta de natureza viva.
Cada um faz o seu arranjo. Uns preferem colocar uma única flor num jarro, e outros dão preferências a muitas flores. Não importa se a escolha for uma flor já meio murcha ou com o talo quebrado. Em seguida é distribuída uma folha de papel e uma canetinha para se escrever algumas palavras. A livre expressão é a norma do Arranjo Floral, mas pode ocorrer sugestão de algum tema, o que é comum em momentos significativos como a Festa da Primavera, mudança de estação. Pode ocorrer que não se queira escrever, apenas organizar as flores na jarra. Pode ainda não se querer fazer nada e só estar ali presente acompanhando a atividade com o canto dos olhos.
O Equinócio da Primavera sendo um acontecimento que marca as estações do ano é ocasião para falarmos desta passagem simbólica do inverno para a vida das flores que nos aponta para a alegria das cores se manifestando na Natureza Mãe.
No arranjo floral surgem muitas projeções que refletem os anseios e desejos internos de seus autores. Uma atividade que revela importância psicológica de muito interesse para se desvendar conflitos psíquicos e afetivos.
Na maneira de escolher e arrumar, pedir e observar as flores com visível carga emocional pode-se ter idéia das situações afetivas do indivíduo e de suas limitações ou alterações nos relacionamentos.
Terminado o arranjo, cada pessoa tendo escrito o que desejou prende a folha no seu vaso. Quando todas as flores já estiverem nos vasos e os textos, pequenas reflexões escritas, cada um lê o que escreveu e mostra o seu vaso para que todos possam apreciar. Um aplauso se dá em alegria plena. Sempre se levando em conta a liberdade de expressão pode ocorrer observações sobre o texto e mesmo controvérsias.
No final o jarro com as flores pode ser oferecido a alguém, mas geralmente cada um irá enfeitar a Casa das Palmeiras com o seu arranjo de flores.
O Arranjo Floral inicialmente, em 1972, era uma atividade de Ikebana que a colaboradora Talita ofereceu a Casa. Como esta atividade despertou interesse de pesquisa e de valor científico passando assim a ser objeto de estudo e recebeu o nome de Arranjo Floral. Uma atividade para ser vivenciada com alegria e prazer. Maria da Glória, Maria Abdo, Gilsa Prado e Vicente Saldanha foram muitos dos colaboradores e pesquisadores nesta oficina criativa.
“Tanto a flor como o vaso, são elementos importantes da linguagem simbólica característica do inconsciente e aparecem, com freqüência nas vivências internas dos esquizofrênicos. Vaso indicaria a tentativa de reunir elementos diversos num único contenedor. Seria uma busca de compensar a dissociação.” Maria Abdo
A maneira como se arruma as flores podemos observar o reflexo do desenvolvimento interno, as emoções se revelando nos gestos. O Arranjo Floral é um singelo e rico meio de fortificar a consciência, uma oportunidade de exprimir as emoções, as vivências.
A flor pode representar a própria pessoa com seus anseios existenciais. Ao observarmos como a pessoa age no processo da escolha das flores percebemos o que ela está nos acenando, pedindo, o que o inconsciente quer mostrar. Escolher flores quebradas, murchas, uma só flor ou mesmo uma porção de flores pode ser visto como recados do inconsciente. A maneira como se age diante das flores pode ser oportunidade para captarmos o que se está sendo solicitado. A observação silenciosa que verificamos no olhar da pessoa, a aproximação em torno das flores, as escolhas e a maneira como a pessoa segura cada flor revela percepções internas.
O mundo interno se revela pela forma como se faz o arranjo, como se comporta a pessoa diante das flores, o silêncio ou as palavras; tudo deve ser objeto se aprendizado e conhecimento da vida interior. A vida externa e interna interagindo na atividade com as flores.
“Terapeuticamente, o mais importante é que o mundo interno dissociado tome forma e encontre meios de expressão através de símbolos transformadores que o aproximem cada vez mais do nível consciente.” (...) “A psicologia de Jung está impregnada de atividades e foi a partir de suas idéias que, principalmente, nos inspiramos.” Nise da Silveira - A Emoção de Lidar, Uma Experiência em Psiquiatria - Casa das Palmeiras, 1986. Ed. Alhambra. RJ.
A postura dos terapeutas, médico, psicólogo ou artistas é de profundo respeito à pessoa de cada indivíduo, e se estabelece de maneira natural sem ansiedades ou pressa, e sim de compreensão em ajudá-los quando necessário, a fim de fortalecer o ego de maneira progressiva.
Muitas são as constatações da beleza que é o Arranjo Floral como terapêutica ocupacional, como um dos mais doces e belos remédios para a vida.
Citaremos apenas um caso do Arranjo Floral que muito contribuiu em silenciosa e sensível postura a estagiária de psicologia, Luciana de 2007 para este ano de 2008: R. ficava de longe só acompanhando com o canto dos olhos as pessoas chegando, colocando-se em torno da mesa e escolhendo seus vasos, arrumando as flores nos jarros, escrevendo e lendo as frazes, mostrando seus vasos para todos, e depois sendo aplaudidos pelo arranjo florido. Observava apenas. A pedido, delicadamente, de uma ou mais estagiária, aos poucos R. foi se aproximando mais da mesa e veio sentar-se bem ao lado de todos em silêncio. Passada algumas semanas escolheu um vaso e uma só flor foi colocada na jarra de boca pequena, passada outras semanas duas flores. Luciana não está mais na Casa. R. continuou com mais e mais interesse, um bom tempo passado colocou umas poucas flores no vaso que ele escolheu. Hoje seu jarro é maior e ali são colocadas muitas flores e uma pequena fraze que expressa sua interioridade. O sorriso se faz largo, silencioso e revela felicidade realizada.

Dizeres dos criadores da atividade Arranjo Floral registraremos em breve.
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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

CASA DAS PALMEIRAS

Convida

O Paradigma das Redes Complexas
(Comunicação em Sistemas Sociais, Tecnológicos e Biológicos)

Palestra com Marcio Argollo






DOUTOR em FÍSICA
(Professor Adjunto do Instituto de Física da UFF)

Dia 24/09/2008
Quarta-Feira
ENTRADA FRANCA
Horário: início às 19:00hs

LOCAL: Espaço Cultural Casa das Palmeiras
Rua Sorocaba 800-
Botafogo
Informações: 22666465 /

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Desenho

Guache / técnica mista
Acervo da Casa das Palmeiras