terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Festa de Carnaval


Tivemos nossa Festa de Carnaval nas Palmeiras - dia 17 de fevereiro, terça-feira.
No lanche iniciou-se a animação. Muita música e alegria com o samba, as marchinhas tradicionais aquecendo o ambiente no ritmo dos instrumentos criativos de chocalhos artesanais - potinhos de plástico ou garrafinhas com sementes, pandeiros, tamborins, serpentina.
Um grupo entusiasmado, com suas fantasias improvisadas e bem coloridas, cantando as marchinhas mais conhecidas percorreu uma parte do quarteirão da Rua Sorocaba levando os instrumentos e um estandarte - Bloco das Palmeiras - clientes, colaboradores, estagiários e a diretoria - todos fantasiados de maneira espontânea e cheios de criatividade.

O baile nas Palmeiras, muito animado, foi uma bela comemoração carnavalesca 2009!

Você pensa que cachaça é água, cachaça não é água não...”
“Gafanhoto deu na minha roça, comeu, comeu toda minha plantação...”
Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro, da cara de mau, minha galera...”
Sassassaricando, a viúva o brotinho e a madame...”.Mamãe, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar, me da chupeta, me da chupeta pro bebe não chorar...”
“Olha a cabeleira do Zezé... “.Mil palhaços no salaão...”. “Vou beijar-te agora, hoje é carnaval... Quanta alegria...”.Vem jardineira, vem meu amor, não fique triste que este mundo é todo seu...”.
Chiquita bacana lá da Martinica, se veste com casca de banana nanica, não usa vestido, não usa calção inverno pra ela é pleno verão..”
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domingo, 15 de fevereiro de 2009

Feliz 15 de fevereiro!

Hoje, 15 de fevereiro de 2009, homenageamos in memoriam nossa querida e insubstituível Nise da Silveira, idealizadora e fundadora da Casa das Palmeiras.
Não poderíamos deixar passar tão importante data, de seu nascimento, 15 de fevereiro de 1905. Aqui neste “pequeno território livre” mantemos fidelidade absoluta aos princípios básicos traçados e documentados por Nise em sua importante obra escrita. Em particular seguimos as suas orientações didáticas para serem aplicadas nas várias oficinas sabiamente pontuadas no livro por ela coordenado; Casa das Palmeiras, A Emoção de Lidar - Uma Experiência em Psiquiatria, Ed. Alhambra, RJ, 1986.
Tudo é criativo e em contínua renovação expressiva na Casa das Palmeiras - tudo pode mudar, mas sempre mantendo o que não muda jamais - os princípios fundamentados por Nise da Silveira.
À Nise nossa eterna gratidão!
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domingo, 8 de fevereiro de 2009

Pintura e desenho

O atelier de atividades plásticas, desenho e pintura espontânea, junto com as artes aplicadas, foi uma das primeiras oficinas da Casa das Palmeiras. Este atelier como dizia Dra. Nise é o carro chefe da Casa, uma das atividades mais importantes por dar oportunidade ao cliente de expressar com liberdade imagens plásticas que revelam conteúdos do inconsciente. Por meio das expressões criativas podemos compreender o que se desdobra, se revela, a partir do mundo interno. O desenho são criações que tomam forma da maneira mais autêntica possível, direta e sem artifícios. Dá oportunidade à personalidade ferida e cindida de recuperar-se, despotencializar cargas intensas e terapeuticamente ultrapassar tensões. Igual possibilidade de ordenação silenciosa psíquica e emocional pode ser vivenciada no atelier de modelagem ou em qualquer atividade individual, de preferência inicialmente, não verbal.
O atelier de pintura fica numa sala ampla onde está dispostas uma grande mesa com cadeiras, duas mesinhas pequenas individuais e cavaletes à disposição. Noutra pequena sala, ao lado, temos outro espaço para se trabalhar com liberdade das 13h às 15h30, podendo se estender ao longo do dia dependendo da necessidade pessoal de cada um. Às 15h30 depois do lanche que é partilhado com todos em fraterna convivência as atividades de grupo são realizadas até as 17h30, quando as atividades da Casa terminam.
Sobre a grande mesa estão folhas de papel em vários tamanhos, lápis grafite, de cor, de cera. Há quem prefira o uso de bastões de pastel ou queira usar régua, e borracha, isso muito raramente. Numa estante, ao lado do cavalete, tintas com pinceis e jarras de água, o necessário para a realização das obras. O uso das cores é outro fator importante; as cores escolhidas falam dos estados emocionais - cores quentes, cores frias, suavidade e intensidade na carga com a tinta, o pincel e o papel. Tudo no atelier é mensagem profunda das energias internas em conexão com as externas - uma constante batalha com as energias fragmentadas, as quais dão origem a temas míticos / mitologemas - regiões da psique ainda inexploradas.
O silêncio no atelier se faz naturalmente, é um momento de concentração, condição que em muito favorece emergir as imagens internas. Sempre observações espontâneas acontecem na chegada de cada um com os comprimentos afetuosos, mas a atenção silenciosa no exercício do trabalho é fundamental para facilitar a expressão da criatividade. Coordenadores e estagiários/as estão sempre presentes e atentos para ajudar quando necessário. O espaço psicológico da interioridade necessita de quietude para deixar à vontade as emoções de lidar com o material plástico. Quando há mais silêncio o espaço psicológico criador se faz ilimitado, permitindo dar forma às imagens do inconsciente, que se revelam como verdadeiras riquezas.
O trabalho criador é quase sempre sofrido e requer esforços. Uma luta interna com o material, que é vivenciado por vezes com recusa, medo, críticas de baixa estima, receios, indecisões e/ou dicifuldades em expressar-se como desejaria, mas acontecem, também, momentos de muita atração e alegria na produção dos trabalhos. Nada é imposto, nada é pedido, apenas certo estímulo ao potencial criador pode ser mobilizado - um apoio de coordenadores ou das estagiárias/os pode acontecer. É grande a satisfação pessoal quando vencidos os receios fantasmas da impossibilidade de criar. É alegria poder dar forma às emoções, expressar em imagens conteúdos indizíveis do universo do inconsciente de maneira não verbal, não palavras, mas sim unicamente em imagens simbólicas e livres, sem quaisquer preocupações estéticas. Imperativo é deixar as mãos livremente engendrarem formas, produzirem o invisível aos nossos olhos. “Tornar visível o invisível”, citando o artista plástico suíço Paul Klee. Criar é sempre um ato de liberdade nas oficinas da Casa das Palmeiras.
Os trabalhos concluídos são assinados e datados. Alguns clientes não datam, apenas assinam. Estagiários/as se ocupam de datar, documentar o que for pertinente e arquivar tão rico material para futuras pesquisas - fonte de cuidadosos estudos clínicos e científicos em série.

“A pintura revelará muito sobre a maneira como o indivíduo apreende as coisas sobre sua visão do mundo (...) o estudo atento do caos na pintura de esquizofrênicos levará o pesquisador a verificar que não está diante de rabiscos tumultuosos lançados a esmos (...), mas de um caos em sentido bíblico, ou seja, da massa confusa de onde as coisas tiveram origem.” - Centenário de C. G. Jung. 1975 - Imagens do Inconsciente - Nise da Silveira.
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